7 de agosto de 2012

Viagem á Ituiutaba, terra de Jerônimo Mendonça



Esboço do desenho que fiz para o livro
   Estou organizando uma obra literária sobre Jerônimo Mendonça, cuja conclusão não sei quando se dará, pois é um trabalho minucioso e detalhado, pois pretendo não somente falar sobre sua vida, mas como também sobre seus livros, seus amigos, suas palestras, suas fundações, seus pensamentos, suas encarnações...Ainda este ano publicarei através da Solidum Editora um livro infantil sobre ele, na qual transferi todos os meus direitos autorais aos editores que acreditaram no meu trabalho e que também repassarão uma parte para o Lar Espírita Pouso do Amanhecer, a creche fundada pelo Jerônimo. Eu desejava que este livreto por tratar-se de um alguém que fora cego por 20 anos, fosse editado em Braille, para que as crianças deficientes visuais tivessem acesso á vida de Jerônimo, mas infelizmente não foi possível. E o título que eu dei de “Jerônimo para as Crianças” foi substituído para “Gigante Deitado”, fazendo uma referência ao apelido que ele ganhou ainda em vida e que o fez tornar-se mais conhecido ainda quando nossa amiga Jane Martins Vilela publicou um livro em sua homenagem com o título de “O Gigante Deitado”. Espero ansioso pelo lançamento desta obra infantil, em que na qual eu com minha incompetência, acabei por arriscar alguns traços nas ilustrações dos personagens e das situações nas poucas páginas existentes.

    Mas voltando á falar do outro livro que estou fazendo sobre a biografia de Jerônimo, após conversar com muitos amigos de Jerônimo e percorrer algumas cidades de São Paulo, Paraná e Minas Gerais em busca de informações sobre Jerônimo, agora chegou a vez de ir á sua terra natal: Ituiutaba, Minas Gerais.

   Aqui em São José dos Campos, São Paulo, o Jerônimo se hospedava na casa de minha vizinha Maria Luisa Freire, que com muito carinho cuidava dele e o acompanhava em suas palestras pela região do Vale do Paraíba, Paraná, no interior e capital paulista. E nessas ocasiões estavam também com eles meu amigo Hélder Fernandes Bastos, que aceitou o meu convite de acompanhar-me nesta viagem realizada á Ituiutaba, em 26 de julho de 2012, a fim de concluir as pesquisas para começar á escrever de vez o livro citado acima.

   Na quinta-feira acordei ás 5hs da manhã para trabalhar e assim que cheguei no horário do almoço - após uma manhã toda dirigindo - lá vou eu novamente ao volante, mas desta vez para ir rumo á Minas Gerais.
   Passei na casa de meu companheiro de viagem e “pé na estrada”.
Hotel Zote ao amanhecer
   Nossa primeira parada - depois de já ter escurecido - foi em Uberaba. Deixamos o carro e bagagens no Hotel Zote - famosa hospedagem onde as caravanas do seu Mendonça, que desde o final dos anos 70 saiam com o pessoal de São José dos Campos para ver o Chico em Uberaba, mais precisamente em 1978 – e seguimos á pé até a 'Casa da Prece', onde o Hélder relembrou com saudade de quando eles levavam o Jerônimo para ver o Chico ali. Mostrou-me onde paravam a sua Kombi e onde a cama do Jerônimo ficava próxima da porta, e que carinhosamente Chico saía até lá em direção á ele para saudá-lo.

   Na manhã seguinte, dia 27 de julho bem cedinho partimos para Ituiutaba, passamos por Uberlândia (outro local onde Jerônimo tem grandes amigos até hoje) e chegamos em Ituiutaba. Á primeira vista percebemos que as ruas continuam do mesmo jeito - todas com nomes de números - e foi assim que chegamos até á Chácara das Flores, onde está situada a Fundação Espírita Jerônimo Mendonça, criada por Maria Gertrudes Coelho Maluf, amiga e biógrafa de Jerônimo.
   Ao chegarmos na portaria, liguei pra ela e foi-nos autorizada a entrada no local, onde estava presente apenas o zelador seu José - que irmão carinhoso com a natureza – e ele pacientemente mostrou-nos cada mudinha, cada horta, cada cantinho do local, onde possui até uma mini-cachoeira no riacho que ladeia o extenso terreno. É lindo demais este lugar: muito verde, muitos pássaros, você sente a energia do local, sente a espiritualidade amiga ao seu lado, é um revitalizador de vibração andar por ali.
Foto aérea do terreno onde é a Fundação Jerônimo Mendonça
    Nesta fundação são atendidas diversas crianças e por lá eles tem oficinas de teatro, música, desenho, pintura, informática, esporte...até fraldas eles estão produzindo. Depois de ver quase tudo, ao voltarmos para a portaria da fundação, deparei-me com algo que emocionou-me muito e que não esperava ver ali: a cama ortopédica que Jerônimo usou por 30 anos. Ela está exposta em um recinto fechado que está sendo projetado para ser colocado junto á uma réplica de seu corpo. Ao lado da cama o telefone. Ali será um memorial do Jerônimo, muito lindo!
   Mas as surpresas não pararam por aí! Antes mesmo de sairmos, vi de longe um busto e corri para vê-lo mais de perto, era um de Jerônimo Mendonça e que ao entrar nós não haviamos visto.
Os 2 lados da rua pertencem á FEJM
   Achamos que havia terminado o nosso passeio, mas ao sair pela portaria, do outro lado da rua a fundação continua...Isso mesmo! Ela ocupa os dois lados da rua, você a atravessa e tem ainda uma livraria espírita, com diversas obras á venda e uma biblioteca com o nome de Chico Xavier onde se pode ler e alugar livros de todos os títulos, não somente espíritas. Ali mesmo há uma lanchonete e um teatro lindo ao ar livre que quando o avistei, fui transportado para outras épocas, é impressionante, suas colunas o faz viajar no tempo, é como se você estivesse em um teatro romano, grego...não sei explicar, é só vendo para crer. O médium Carlos Baccelli esteve em sua inauguração e ao chegar no local ele falou para o público presente: “Antes de vir aqui eu havia preparado uma palestra, mas ao ver tudo isso, mudei completamente o que eu iria explanar!”

   Na saída do teatro se vê a portaria do local que ganha o nome do mentor espiritual da médium fundadora Maria Gertrudes, o pintor inglês Joseph Turner.

Túmulo de Jerônimo Mendonça e sua mãe
   Ao sair dali anestesiados pela espiritualidade, seguimos rumo ao Cemitério São José onde foi enterrado o corpo de Jerônimo Mendonça Ribeiro. Passando pelas ruas próximas ficamos á imaginar como fora o enterro dele que acabou sendo chamado de “festa espiritual” de tão lindo que foi. Entramos no cemitério e por não haver ninguém no local para nos informar, começamos á procurar sozinhos, o Hélder e eu procurávamos por um túmulo enfeitado, em forma de pirâmide, já que nos fora informado ser assim e andamos pelo cemitério todo. No local eu encontrei muitos túmulos de amigos do Jerônimo, os reconhecia pelos nomes e fui fotografando para colher posteriormente as datas de seus nascimentos e desencarnes. Até que depois de andar pelo local inteiro, percebemos não encontrarmos o túmulo de nosso amigo. E assim que a secretaria foi aberta, nós perguntamos ao senhor que trabalhava ali e ele todos sorridente pela situação em que nos encontrávamos de estar ali há tempos sem achar o “sarcófago” do Jerônimo – assim brincava o Hélder naquele momento – debaixo de um sol forte e clima seco – há semanas não chovia – o homem deu dois passos e disse “é aqui oh!”. Começamos á rir de nós mesmos, pois ele era o primeiro túmulo, logo na entrada e o mais simples do cemitério, bem apertadinho, ladeado por outros túmulos em todos os cantos, quase que não se chega até ele devido ao aperto. Aquele foi um momento de reflexão para nós, alguém que desejava tumbas e pirâmides para si em outras encarnações, estava ali seu corpo despojado em um pequeno quadrado, com 4 vasos de flores e uma plaquinha envelhecida pelo tempo.

Hélder e Eurídice no portão, ao lado (azul) a gráfica.
   Saímos do cemitério pensativos e fomos procurar um hotel. Ficamos hospedados na rua 36, não tão perto da casa de Jerônimo, mas na mesma direção que ela, nosso quarto ficava na mesma coordenada e para ir até a rua 16, onde ele nasceu e viveu não foi difícil. Ao chegarmos lá, deparamos com o Centro Espírita Seareiros de Jesus aberto, casa esta que fundada por ele em 13 de setembro de 1970, localiza-se em frente sua moradia. Esta sua rua é “iluminada”, a gráfica Cairbar Schutel, também fundada por ele fica de muro com sua casa e o Sanatório Espírita José Dias Machado, que ele tanto colaborou juntamente de seu amigo Tibúrcio, fica na mesma calçada que sua casa, quase em frente á Casa dos Velhinhos, que pertence ao Centro Espírita Adolfo Bezerra de Menezes. Tudo em uma rua só!

   No Seareiros de Jesus estavam sendo doados pães e roupas ao necessitados, o Hélder e eu entramos no local para conhecer e por pouco não nos confundiram com as pessoas que iriam receber as doações, pois ali ninguém nos conhecia e não estávamos muito bem vestidos (risos), saímos do local e preferimos ficar do lado de fora. Assim que saímos vimos uma moça da Casa dos Velhinhos chamar na casa em que Jerônimo morava, Hélder e eu atravessamos a rua e ficamos á esperar quem saísse da casa. Eis que sai uma senhora e Hélder á reconhece: era Eurídice, a irmã de Jerônimo. Nos aproximamos dela e meu amigo pergunta de Josefa, a outra irmã de Jerônimo que conhecia muito bem o Hélder, ela nos conta que ela desencarnou há uns 8 anos e nos detalhou sobre seu desencarne. Assim fomos conversando e o tempo passando, tudo isso por cima do muro (até registrei nas fotos) e eis que do Seareiros saiu uma senhora que antes de entrar em seu carro nos avistou e disse: “Vocês são os amigos de São José dos Campos?”. E atravessando a rua ela nos abraçou. Era Márcia de França Franco, a "Flor morena do Nilo" que Jerônimo tinha tanto apreço, ela mantém a creche Lar Espírita Pouso do Amanhecer, fundado por Jerônimo, até os dias atuais. Foi ela quem convidou-me á visitar a cidade por telefone. Ela precisa ir embora e marcamos um reencontro á noite na Fraternidade Espírita Cristã, na Rua 6, esquina com a Avenida 39.

Eurídice e eu no quarto do Jerônimo (ao fundo os quadros)
   Assim que ela foi embora, Eurídice entrou dentro de sua casa e voltou com a chave do cadeado nos dizendo: “Vocês querem entrar para ver o quarto do Jerônimo?” Era tudo o que eu queria ouvir, em pensamento enquanto conversávamos no portão eu pedia isso á ela (risos). Ao colocar o pé no quintal, eu senti algo muito especial, uma paz diferenciada, era como se estivesse entrando em outra dimensão, um lugar sagrado...antes de chegar na sala, Hélder lembrou com Eurídice do quartinho que existia no fundo onde Jerônimo hospedava os amigos, que tinha pintado na porta uma inscrição com o nome de Ricardo Tadeu.

   E ela nos contou a história deste jovem que se suicidou em São Paulo e que seu irmão fez isso na porta de seu quarto para homenageá-lo, era de praxe ele fazer isso aos desencarnados amigos.
    Adentramos na sala e a primeira coisa que ela nos mostrou foi uma foto de sua mãezinha dona Antonia, parada em frente seu porta-retrato ela nos contou que sua mãe sentia muitas saudades e sofria muito quando ele partia para São José e ficava pro lado de cá uns 4 meses sem voltar para Ituiutaba. Com olhar distante ainda pensando em sua mãe ela se vira e nos mostra um quadro na parede de Jerônimo Mendonça (uma tradicional foto dele em que foi inclusive tirada na casa de Luísa). E eis que ao olharmos para a foto do Jerônimo, Eurídice nos fala para manter fixos a atenção na boca de Jerônimo na fotografia, e nos pergunta: “Ela não está se mexendo?” - E ela fez o gesto abrindo e fechando a boca, mostrando como ela estava enxergando a foto fazer – “Ele sempre fazia assim com a boca!” e devido á sua euforia em enxergar isso na foto, eu concordei, ela ficou muito feliz com aquilo e isso demonstrou para mim que ela sente muita saudade do irmão e que estava feliz com a nossa presença ali, nos mostrava tudo com alegria e ao mesmo tempo, uma saudade contida. Mostrou-nos também um quadro pintado por uma moça em homenagem ao Jerônimo e outras particularidades que não convém relatar aqui no blog. Á seguir nos mostrou a cozinha, conversamos um pouco e entramos em seu quarto. A primeira coisa que eu vi foi algo que por um impulso quase liguei para São José dos Campos e falei “Wanderléia! Você não acredita! Sua foto está aqui até hoje!” Fiquei muito feliz em ver que mesmo depois de quase 23 anos do desencarne de Jerônimo, a foto da Léia ainda está ali, intacta, conservada, juntamente com as de Eurípedes Barsanulfo, Antusa Martins, Jesus, Maria e do dia em que Jerônimo conheceu o Rei Roberto Carlos e sua mãe Lady Laura. Eurídice lembrou com nostalgia de Roberto, do carinho que Jerônimo tinha para com ele e vice-versa. Ela nos contou algumas histórias sobre Jerônimo, sobre o dia de seu desencarne e ainda nos mostrou o seu banheiro que está ali até hoje com a mesma cortininha que serve de porta. Hélder lembrou do banho dado por ele ao Jerônimo ali naquele local e ainda vimos sua estante com os livros, a vitrola que ele gostava de ouvir suas músicas e alguns certificados de cidadão honorário e benemérito.

   Eurídice nos convidou para um cafezinho, mas preferimos partir, pois ela estava com dores e já fazia tempo que estávamos por lá, confesso que fui embora sem querer ir, pois estava muito bom ficar ali, mas precisávamos pensar no bem estar da nossa grande contadora de histórias, que com sua simplicidade, se inibia na presença de câmeras.

Saímos da rua 16 e seguimos até a esquina com a avenida 7, rua esta onde Jerônimo trabalhou em um armazém quando adolescente e por incrível que pareça, vimos um comércio em estilo bem antigo ali aberto. Um pouco mais abaixo chegamos no Grupo Espírita Amor Fraterno, casa esta que foi o primeiro centro espírita em que Jerônimo colocou seus pés. Foi ali que aos 15 anos de idade, após o desencarne de sua avó materna, á convite de Gabriel da Rocha Galdino, morador da também avenida 7, ele começou na Doutrina Espírita. Fizemos uma gravação em frente á casa espírita e fomos pra casa tomar um banho, pois á noite iríamos na Fraternidade Espírita Cristã.

Alex na árvore entrelaçada
   Chegamos um pouco atrasado por nos perdermos pelo caminho, mas conseguimos ainda ouvir a palestra de Maria Gertrudes que falava sobre a aceitação das dores e sofrimentos. E como não podia deixar de ser, ela mencionou o Jerônimo ao final de sua explanação e eis que ao término da mesma, fomos muito bem recepcionados por ela e pelos confrades da região. Antes de terminar Márcia França Franco relembrou que Chico disse certa vez que ali naquele bairro, Natal, iriam decolar e repousar muitos seres de luz...realmente é verdade, por ali viveram os Tibúrcio e por ali está a creche Lar Espírita Pouso do Amanhecer, que ao sairmos dali, foi-nos apresentada pela Gertrudes e pela Márcia. Mesmo sendo de noite elas nos abriram as portas e pudemos ver desde a secretaria até a área externa onde duas árvores mangueiras se entrelaçaram com o tempo, e a creche foi construída em torno delas. Ali ganhamos livros do Jerônimo, da Gertrudes e pudemos colher muitas informações. No dia seguinte pela manhã iríamos retornar ali para tirar fotos e fazer filmagens, pois no escuro estava um pouco difícil.

   Márcia despediu-se de nós e fomos convidados á seguir á Gertrudes até sua casa. Como já se sabe, espírita quando se encontra e senta para conversar, vai longe. E conosco não foi diferente, ficamos em sua cozinha até uma e meia da madrugada (risos).
   Ela nos mostrou os projetos para o memorial de Jerônimo que fará na Fundação em torno de sua cama ortopédica, mostrou-nos centenas de fotos (mais de 200, uma mais rara que a outra), mostrou-nos suas pinturas, seus livros...foi bom demais!

Maria Gertrudes e Hélder Bastos na FEJM
   Pela manhã fomos até o Seareiros de Jesus, o Amor Fraterno e ao Pouso do Amanhecer. Na volta descemos do carro para conhecer á pé todo o centro da cidade, a parte mais moderna e mais movimentada. Depois almoçamos no restaurante que fica bem próximo ao hotel, onde até fizemos amizade com o pessoal. E em seguida ligamos para a Gertrudes, pois ela queria nos mostrar sua biblioteca e livraria. Quando descemos as escadas do hotel, já apressados, fomos surpreendidos pela filha da dona do hotel, que curiosa perguntou-nos o que fazíamos, pois entrávamos e saíamos á todo momento do hotel com laptop em mãos, câmeras, microfone...e falamos sobre a pesquisa que fazíamos em torno do Jerônimo. De imediato ela falou-nos emocionada: “Jerônimo?  Ele era bom demais, fiquei anos sem vê-lo, pois ele não parava em casa e nem aqui na cidade. Meu marido foi muito amigo dele na infância e ocorreu uma história muito linda entre nós, onde ele nos passou uma lição de vida grandiosa...” (mas essa vou contar no livro – risos).  Assim que ela terminou de contar sua história olhamos para o relógio e saímos apressados, pois a Gertrudes nos esperava em sua casa. Ao entrarmos no carro, Hélder disse algo que concordei “É uma maravilha colher depoimentos de pessoas assim, anônimas ao Espiritismo, que tem um sentimento diferente de carinho pelo Jerônimo e que falam de outra maneira.” Realmente isso é verdade e consegui bastante depoimentos assim!

As colunas greco-romanas do Teatro ao Ar Livre
   Fundação Jerônimo Mendonça: Lá estávamos nós novamente, mas desta vez acompanhados por sua fundadora. Notamos a alegria de Gertrudes ao mostrar cada detalhe de sua colônia espiritual na terra. Comentei com ela que sentia sobre nós um local semelhante, uma colônia espiritual cheia de espíritos laboriosos. E ela falou que era justamente isso que ocorria ali, um local igual ao outro. Pois é incrível ver as construções que ela projetou, nota-se ao chegar que foi tudo inspiração de benfeitores amigos, pois é tudo perfeito e cada coisa milimetricamente em seu lugar.

A Livraria com a Biblioteca
   Ela abriu-nos as portas de sua biblioteca e quando entrei lá dentro haviam mais acomodações do que eu imaginava ter, pois do lado de fora dava-se impressão que era grande, mas não tão daquele jeito. Ao fundo havia uma salinha onde ela fazia seus atendimentos espirituais, com uma janela direta para uma vegetação nativa, intacta pelo homem. Ali mesmo um quartinho com suas pinturas e um sofá para os amigos aguardarem. E anexo á biblioteca, está a livraria, onde foi-nos autografados alguns de seus famosos livros. Quando íamos saindo, olhei para as paredes e vi alguns quadros, um chamou-me a atenção: era uma bela donzela e pela sua roupa, a liguei muito pelo gosto de meu amigo Hélder. Ao seu lado outros quadros, mais simples, porém lindos da mesma forma. E eis que Gertrudes diz quando meu pé direito já estava do lado externo da porta “Eu quero dar uma pintura pra você Alex!”. Fiquei muito feliz naquele momento, pois apreciei muito os quadros e não imaginava que receberia tal presente, recusei á primeiro momento, mas ela insistiu que eu escolhesse algum. Olhei para todos e o mais belo que achei foi a da bela donzela, mas pensei “Aquele não, pois tem a ‘cara’ do Hélder” (risos) e então falei para Gertrudes “Você tem um pintor amigo que se chama Alex e que sempre se utiliza de sua mediunidade para realizar este trabalho de psicopictografia...” ela continuou “Sim, na verdade este é um diminutivo de seu nome que ele se utiliza...” e eu finalizei “Pois bem, há algum aqui de sua autoria, pois gostaria de levar um do meu ‘xará’”. E ela apontou-me o único dele que ali havia, estava ao lado do “Bela Donzela”, de Leonardo da Vinci. Subi na cadeira e o peguei, ao descer ela pediu que olhasse em seu verso para ver o nome do quadro e a data em que ele foi pintado. Ao conferirmos, estava escrito 28 de julho de 2010, exatamente dois anos antes, que interessante! E em seguida ela pediu ao Hélder que escolhesse um pra ele também, percebi que meu amigo ficou muito envergonhado, dizendo que não precisava doar o quadro e sem que ele houvesse dito algo pra mim, fui logo dizendo á Gertrudes “Posso escolher pra ele? Pois ele está com vergonha, mas sei qual ele escolheria!” Ela riu e olhou também diretamente ao que já imaginávamos, fui subindo para pegá-lo e ele confirmou que seria este! Foi muito legal este momento.

Porta da sala de reuniões Chico Xavier, no Templo da Prece 
   Depois ela nos mostrou toda a Fundação e algo que achei surreal, e que eu não havia percebido no dia anterior quando estivemos por lá, foi o templo da prece Alfredo Júlio Fernandes, onde todos se reúnem para fazer as reuniões mediúnicas e de vibrações. Ela fica na parte superior da construção, ou seja, no alto. E lá de cima é o ponto mais alto do local, onde se pode ver todos as outras construções, árvores, lago, plantações...é maravilhoso! Fiquei á imaginar quando houvesse uma reunião lá em cima como seria a sensação.

   Ali mesmo no meio da vegetação, em um dos diversos banquinhos espalhados pelo terreno, Gertrudes convidou-nos á uma prece, que foi lindamente realizada pelo Hélder, onde tivemos como fundo musical o canto dos pássaros, o barulho da água correndo ligeira pelo riacho e a própria espiritualidade da natureza á nos cantar aos ouvidos. Foi uma experiência única em minha vida, nunca esquecerei daquele momento, era como se fizéssemos parte de um todo, natureza, espírito, corpo...uma só prece, uma só vibração, um só ser...enquanto a prece era realizada, nossos espíritos se elevaram á tal modo que era como se flutuássemos sobre os bancos. Maravilhoso!

Reunião na Casa da Prece de Chico Xavier, Uberaba.
   Gertrudes se dirigiu á sua casa para ir ao casamento de uma jovem espírita que participava da fundação, muitos espíritas da cidade estariam presentes nesta festa, inclusive a Márcia, mas alguns ainda estariam na UMEI (União das Mocidades Espíritas de Ituiutaba) para a palestra do Simão Pedro, de Patrocínio, que ocorreria de noite. Pelo caminho o Hélder e eu demos ainda algumas voltas, mas ao olharmos para o relógio, eram quase 17hs e estava á escurecer. Sairíamos de Ituiutaba somente no domingo pela manhã, mas seria uma longa viagem no dia seguinte. Eis que então venho-me uma idéia á tona “Hélder, o que acha de irmos agora para Uberaba, ás 20hs começa os trabalhos na Casa da Prece de Chico Xavier, poderíamos ir lá e depois dormirmos no Zote de novo. Pela manhã partiremos para São José dos Campos e chegaríamos até mais cedo em nossa casa, quem sabe até antes de escurecer estejamos em nossa cidade!” Ele sorriu pra mim e disse “Vamos sim, mas até irmos pro hotel, arrumarmos nossas malas e chegar em Uberaba, serão mais e 3 horas!”. Fizemos tudo isso e pegamos a estrada ás 17hs. 19:20 estávamos em frente ao posto de gasolina Zote que faz parte do Hotel Zote, na beira da rodovia. O Hélder deu um largo sorriso quando desliguei o carro e falou “Puxa! Você ‘incorporou’ o Ayrton Senna” Rimos á bessa e entramos novamente no quarto 60. Deu tempo para descansar um pouco e depois subir até a Casa da Prece que estava bem vazia. Foi uma reunião bem familiar, poucas pessoas, lugares vagos e após o término fui conversar com o Eurípedes, filho do Chico, que lembrou da minha filhinha de 6 anos, que o havia conhecido há 8 meses quando estivemos ali em Uberaba. Ele autografou um livro pra ela e deixou um pequeno recado á ela, pois ela o adora! Combinamos de no dia seguinte passar em sua casa para pegarmos umas lembrancinhas da livraria, já que ela estaria fechada. Ao sairmos da Casa da Prece atravessamos a rua e fomos á padaria lanchar. Enquanto estávamos por lá várias pessoas entravam e saiam comprando seus pães para levar ás suas casas, e em suas mãos folhetos de Allan Kardec, Chico Xavier, Bezerra...comentei com o Hélder “Lá na padaria do meu bairro as pessoas entram com folhetos litúrgicos, pois ao acabar a missa da igreja que fica em frente, todos passam por lá...” e ali era diferente! E quando fomos no caixa pagar a conta, em nossa comanda havia cobrado um preço muito alto, á mais do que consumimos. Poderia até nos passar despercebido. Mas o caixa e dono do estabelecimento nos notificou e após notarmos sua honestidade, quando nos despedimos dele estava atrás de seu balcão um exemplar de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Fatos e fatos!
   No quarto não conseguíamos dormir, desligamos a televisão e ficamos á conversar até altas horas.
   Acordamos bem cedo e após o café decidimos dar uma passada no “Pedro e Paulo” para ver o Carlos Baccelli, mas ao chegarmos lá fomos avisados de que ele estava em palestra em São Paulo. Aproveitando que estava ali em Uberaba e assim como havia combinado com meu amigo Cézar Carneiro - na outra vez que estive ali na cidade - o procuraria para dar-lhe um abraço. E dei o meu “olá” ao Cézar antes de ir até a casa do Eurípedes, que já nos esperava por já ter chegado o horário combinado. Ele nos abriu a porta de sua casa e por ali mesmo entramos por de trás da livraria, escolhemos nossas camisas e após rápidas palavras com eles, partimos. Ainda passamos no Mercado Muncipal e na igreja que acho tão linda: São Domingos. E eis que chega ao final nossa viagem, fizemos algumas paradas pelo caminho, almoçamos e relembramos cada momento deste nosso passeio que foi um verdadeiro retiro espiritual, um encontro com a fé, com Jerônimo Mendonça, com o verdadeiro Espiritismo...São locais que não somente os espíritas, mas os cristãos de todas as religiões deveriam ir para sentirem o que Deus realmente quer de nós, que é o nosso respeito pelas pessoas, pela natureza, por nós mesmos, para a nossa evolução. Foi algo maravilhoso que vivenciamos e que expressar aqui por palavras e fotos fica muito difícil, muito pequeno, muito supérfluo...é como dizia Jerônimo Mendonça “QUE BELEZA!” 

Lago existente dentro da Fundação Esp. Jerônimo Mendonça
Pátio interno da creche fundada por Jerônimo, o Lar Esp. Pouso do Amanhecer


O próprio Chico Xavier pediu para fazerem na creche estas 2 piscinas para as crianças devido ao clima quente da região
As salinhas da creche são lindas, bem organizadas, com nomes das crianças em suas carteiras
Outra parte do Lar Esp. Pouso do Amanhecer: o Berçário



Belíssima pintura de Gertrudes na parede do berçário
Hélder Bastos ao lado do busto de Jerônimo na Fundação Esp. Jerônimo Mendonça

Cama ortopédica que o "Gigante Deitado" usou por 30 anos e que está exposta na Fundação Esp. Jerônimo Mendonça





Quer saber mais um pouco sobre Jerônimo Mendonça?

Assista o video abaixo






    Quer saber um pouco sobre a Fundação Esp. Jerônimo Mendonça?

Acesse www.fejm.com.br















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