15 de maio de 2012

95 - ALEX entrevista JOSÉ ANTONIO


Há exatamente 2 meses eu tomava um ônibus de São José dos Campos (São Paulo) rumo á Cambé (Paraná).
Lá eu tive o prazer de conhecer um espírita que é exemplo para muitos, é claro que não podia deixar de entrevistá-lo.
Fiquei hospedado na casa do paizinho Hugo Gonçalves, e quando achei que haviam acabado as tantas surpresas e momentos felizes vivenciados ali, eis que recebo a visita do nosso ilustre entrevistado.
Ele que já entrevistou tantos espíritas importantes quando eles passavam pela região, hoje é ele quem estará do outro lado do gravador.
Ele é médico, com especialidade em Terapia de Vidas Passadas, Florais de Bach, Medicina Tradicional Chinesa e Homeopatia.
Há quase 30 anos na Doutrina Espírita, fundou em 1994 "Belém - A Casa do Pão", hoje "Núcleo Espírita Hugo Gonçalves", em Londrina, cidade na qual ele reside.
Há mais de 20 anos dirige o programa radiofônico "Além da Vida".
É articulista do jornal "O Imortal" e da revista "O Consolador".
Escreveu o livro "Um Minuto com Chico Xavier".
Realiza palestras e seminários pelo país.
Ele é José Antonio Vieira de Paula.

Alex e José Antonio no jardim do Seu Hugo Gonçalves
ALEX - Olá doutor tudo bem? Como você se iniciou na Doutrina Espírita?

JOSÉ ANTONIO - Minha iniciação se deu de forma surpreendente. Como médico, praticamente recém-formado, eu dava plantão na Santa Casa de Misericórdia de Cambé, aqui no Paraná, e, certa madrugada fui chamado para atender uma jovem que havia tentado o suicídio, ingerindo várias medicações ao mesmo tempo. Ela não tinha mais que dezesseis anos. Cumpri toda a rotina de atendimento e, vendo-a fora de perigo, observei que ela apresentava as conjuntivas bastante amareladas, típicas de um problema de fígado, que dificilmente poderia ser pela intoxicação, que era muito recente. Então a internei em isolamento com suspeita de Hepatite.

Ela ficou uns quatro dias internada, e o que me incomodava era seu estado psíquico. Uma depressão profunda, sem brilho nos olhos, não conversava, sempre virada para a parede em posição fetal.

Após o terceiro dia de visita, sem alteração do quadro, saí para o almoço e passava em frente ao Lar Infantil Marília Barbosa e Centro Espírita Allan Kardec, quando o Sr. Hugo Gonçalves, já com uns setenta anos, estava saindo do recinto e me cumprimentou.

Desde quando eu ainda era estudante de medicina já ouvira falar dele, de seu trabalho e de sua espiritualidade. Há muito eu ansiava encontrá-lo.

Passamos a conversar e ele convidou-me para uma reunião que haveria à noite, de estudos, com um médico de Rolândia, cidade vizinha: Dr. Luiz Carlos Pedroso, há muito na pátria espiritual.

Fui. Ao término do maravilhoso encontro, onde a Doutrina foi-me apresentada com muita clareza, aquele grupo se dispersou e um pessoal muito simples, da periferia da cidade, começou a chegar para outro encontro. Hugo convidou-me a participar, dizendo que se tratava de uma reunião para atendimento espiritual e que seu quisesse interceder por alguém, poderia. Tomei de um livro sobre a mesa e anotei o nome da jovem internada na Santa Casa.

A reunião começou e logo uma das senhoras mostrou-se envolvida por alguém, um espírito feminino, que dizia estar atormentada , sentindo cheiro de velório e de velas e que não conseguia entender nada do que ocorria. Após alguns minutos de conversa, foi perceber que havia tido um infarto fulminante que se dera há mais de quatro anos. Saiu dali confortada.

Qual não foi minha surpresa, no outro dia, ao passar a visita médica na Santa Casa e deparar-me com a jovem suicida sentada, com um sorriso no rosto, aguardando-me para conversar. Foi então que ela me contou que já era a quarta tentativa de suicídio, e que tudo começou após a morte de sua mãe, há mais de quatro anos, por um infarto, desde quando passou a sentir-se estranha, depressiva, só pensando na morte e sentindo cheiro de velas e velório...

ALEX - ...Sem comentários doutor! E falando em hospital, médico...Qual é a sua especialidade na medicina? O que ela pode auxiliar espiritualmente em seu pacientes?

JOSÉ ANTONIO - Desde poucos anos de formado, fui atraído para o lado do sofrimento humano. Minha primeira especialidade foi Terapia Regressiva a Vivências Passadas, curso que fiz sob a orientação da Dra. Maria Júlia Pietro Peres de São Paulo, que durou uns dois anos. Quando tive a oportunidade de conhecer Dr. Morris Netherton, um dos responsáveis por transformar a regressão de memória em uma técnica terapêutica com excelentes resultados. Trabalhei uns sete anos com essa técnica.

Depois conheci os florais de Edward Bach, que até hoje têm me ajudado a aliviar os sofrimentos humanos. Trabalho na Universidade Estadual de Londrina há vinte anos e ali, eles têm me sido muito úteis. Entre a Universidade e a minha clínica, já tenho mais de vinte mil pacientes atendidos com esse procedimento terapêutico.

Depois, em 1998, especializei-me na Medicina Tradicional Chinesa, hoje apenas fazendo acupuntura auricular para dores em geral.

Atualmente, acrescentei ao meu currículo a Homeopatia, ciência que muito tem me ajudado a tratar as doenças crônicas e também as emoções enfermas. Participo como monitor de ambulatório e professor assistente no Curso de Especialização de Homeopatia de Londrina (CEHL).

ALEX - Que interessante doutor! e como é ser amigo de Hugo Gonçalves?

JOSÉ ANTONIO - É não ficar parado nunca e sempre poder contar com seu amparo espiritual nas horas mais difíceis de nossas vidas.

Digo não ficar parado, porque Hugo está sempre estimulando-nos ao trabalho na Seara do Cristo, através da doutrina consoladora dos espíritos.

Entrei na Casa Espírita, como lhe disse, em setembro de 1983. Em abril de 1987, já estava fazendo minha primeira palestra, por seu empenho. Há mais de vinte anos, pediu-me para dirigir um programa de rádio, em Londrina, que até hoje vai ao ar, com duração de uma hora, pela Rádio Londrina, todos os domingos de manhã. Tem o nome "Além da Vida"...

ALEX - Eu o ouvi algumas vezes pelo site da rádio, é muito bom!

JOSÉ ANTONIO - Há mais de vinte e cinco anos ele pediu-me para colaborar no jornal de sua responsabilidade, "O Imortal", onde até hoje tenho uma coluna, "Histórias que nos ensinam", e de onde saiu um livro "Um Minuto com Chico Xavier", que era o nome de uma de minhas colunas por muitos anos, onde apresentava fatos da vida do Médium Mineiro.

Através de Hugo, pude conhecer as figuras mais importantes do Espiritismo em todo esse tempo, grandes divulgadores do Espiritismo, que muito me ajudaram no meu desenvolvimento espiritual e na minha conduta como espírita praticante.

ALEX - Através desta amizade, você pôde conhecer na intimidade o médium Divaldo Pereira Franco, Raul Teixeira...dentre outros, pois tantos passaram por aqui na casa do paizinho, assim como também José Soares Cardoso, Eurícledes Formiga...Como era isso e o que isto significa pra você?

JOSÉ ANTONIO - Conhecer trabalhadores Espíritas com anos de estrada, quando você está apenas começando, é como receber um norte para sua caminhada dentro da Seara Cristã. A abnegação de Divaldo, bem como suas palestras; a seriedade e preocupação com a pureza doutrinária, de Heloísa Pires e Raul Teixeira; a Humildade e a Caridade constante, na vida de Chico a quem também tive a oportunidade de visitar e ouvi-lo dizer da importância de Hugo Gonçalves para o Espiritismo do Brasil, além de dizer que lia "O Imortal".

Eurícledes Formiga, não conheci pessoalmente, mas ouvi palestras suas gravadas que Hugo guardava com carinho. José Soares Cardoso transformava as mensagens cristãs em hinos poéticos...

Inegavelmente, conhecer a todos esses excepcionais trabalhadores cristãos, cada um com sua característica, é como receber de Jesus os Talentos para serem multiplicados. Só me sustentaram na estrada que tenho percorrida, junto de minha esposa, em prol da divulgação da Doutrina dos Espíritos.

ALEX - Você entrevistou o Divaldo várias vezes, não foi? Ele dormia aqui? Lembra-se de algo especial que vocês viveram nesta casa?

JOSÉ ANTONIO - Na verdade, desde que comecei a frequentar a Casa Espírita, não me lembro de Divaldo pernoitar na residência de Hugo, creio que isso ocorreu mais no começo de suas atividades, quando passava por aqui.

Toda vez que por aqui passava, Hugo pedia que eu o entrevistasse para "O Imortal", ele se sentava bem aí onde você está. E pedia também que eu o apresentasse nas suas conferências, que se dava no Clube Harmonia, de nossa cidade.

Ao lado de Divaldo é difícil você não viver algo sublime.

Em 1998, no meio do ano, fui acometido de um infarto leve, que me levou a viver dias bastante inseguros, mas que enfrentamos apenas no ambiente doméstico, sem que ninguém mais ficasse sabendo. Como não houve intervenção cirúrgica, minha família manteve-se em silêncio. No final daquele ano, Divaldo veio para uma conferência aqui em Cambé, e quando almoçávamos aqui na casa de Hugo e Dulce, sua fiel companheira, esposa e amiga, algo muito significativo ocorreu. Almoçávamos em mais de sessenta pessoas, em uma mesa que foi preparada na forma de um “U”. Hugo, Divaldo e mais alguém da Federação Paranaense ocupavam a cabeceira. Eu estava bem na ponta, conversando com Astolfo, atual diretor de "O Imortal" e um dos coordenadores da revista eletrônica http://www.oconsolador.com.br/, de apresentação semanal, quando subitamente senti duas mãos sobre meus ombros. Olhei para trás e deparei-me com Divaldo, que já havia terminado seu almoço, sem que percebêssemos.

Ele cumprimentou-me e disse-me: "Meu caro Dr. Antônio, o espírito Cairbar Schutell acabou de passar por aqui e pediu-me que lhe um felicitasse. Disse-me que você passou por um problema cardíaco há alguns meses e que era para terminar com sua desencarnação poucos meses depois, mas que você ganhou uma moratória, e isso, devido ao seu esforço sincero em se melhorar". Virou-se e foi embora, sem mais nenhum comentário.

ALEX - E aquela história que você comentou sobre ter ido á Santo André e ele ter-lhe chamado de longe?

JOSÉ ANTONIO - Há dezoito anos, no mês de março de 1994, inauguramos uma Instituição Espírita em frente a um bairro bem pobre da cidade de Londrina, com o nome de "Belém, A Casa do Pão". Hoje, Núcleo Espírita Hugo Gonçalves. Quando Divaldo estava completando cinquenta anos de Mediunidade, houve uma grande confraternização na cidade de Santo André, em São Paulo, onde todo ano há um encontro com ele, a favor da mansão do caminho, encontro coordenado pelos também grandes trabalhadores, Miguel de Jesus Sardano e sua esposa, Dona Terezinha, a quem temos o prazer de privar da amizade.

Naquela época, nosso núcleo estava sendo testado espiritualmente e os trabalhadores mais sensíveis começaram a se melindrar, assumindo comportamentos que dividiam o grupo, foi muito difícil. E, na viagem para lá, com minha esposa, no caminho decidi: Vou deixar a Casa do Pão, será melhor para todos (sempre fui um dos dirigentes). Minha esposa achou prematuro, mas não discordou. Paramos em Itapetininga, cidade de minha família, onde nasci. Minha esposa ficou lá e meu irmão Ivan, também espírita dedicado, me levou.

Quando chegamos, aproximadamente ás 15 horas, havia dois auditórios, um para mais de mil pessoas, onde muita gente aguardava para a conferência que seria às 18 h, e outro menor, para umas trezentas pessoas, onde Divaldo autografava. Todos aguardavam sentados. Terminava um autógrafo, o próximo se levantava. Quando adentrei o recinto, com meu irmão, após cumprimentar Dona Terezinha e Miguel, vi que Divaldo olhava em minha direção. Em seguida, me acenou para que me aproximasse. Aproximei-me e, após os cumprimentos, perguntou-me porque eu estava tão longe de casa. E disse-lhe que era para participar daquele acontecimento importante em sua vida. Então, falou-me algo que me impressionou: "Meu caro doutor, pergunto isso porque, há dois dias, em Salvador, o espírito Cairbar Schutel me procurou pedindo que lhe desse um recado. E eu fiquei incomodado porque, como iria dar-lhe um recado, eu aqui na Bahia e você lá no Paraná? E agora, vejo-o aqui em minha frente. Ele pediu-me para dizer-lhe para não deixar aquela Casa do bairro onde vocês dão assistência. Disse que os problemas todos são de ordem espiritual e que eles vão resolver pelo lado de lá."

Olhei, indignado, para Divaldo, e falei: "Mas Divaldo, eu tomei essa decisão hoje!" Antes nem me passava pela cabeça. E ele veio dar o recado há dois dias?!?...

Livro do dr.José Antonio
ALEX - É a Espiritualidade com seus feitos não é doutor (risos)! Emocionante suas experiências com o nosso "Semeador de Estrelas". E com o nosso "Cisco", você teve “Um minuto com Chico Xavier” também? Ou dois, ou três, ou quatro...?(risos)


JOSÉ ANTONIO - Por mais de dez anos, sentindo que os casos sobre a vida de Chico nos ajudavam a elevar as vibrações, passei a transferi-los para o jornal O Imortal, com esse nome na coluna: Um Minuto com Chico Xavier. Havia percebido que um minuto ao lado do médium mineiro, fiel representante de Jesus e Kardec nas terras brasileiras, geravam luzes para muito tempo em nossas vidas.

Quando pensei em transformar em livro, essa coluna, juntei histórias de sua vida que muito me marcaram e acrescentei algumas inéditas, principalmente porque havia conhecido Dona Iracy Karpati, paulistana, e amiga pessoal do Chico, que as contou. E graças a ela, tive um dia de sábado, em Uberaba, sonhado por todos os Espíritas atuantes. Tendo sido apresentado por ela a seu filho Eurípedes, durante a peregrinação da tarde, em bairro carente da cidade, onde Chico e seu grupo levavam o Evangelho e o conforto assistencial para inúmeras famílias, o Evangelho era aberto pelo próprio Chico, lido por seu filho e quatro ou cinco pessoas comentavam três minutinhos. Fui convidado por Eurípedes para o comentário. À noite, após todos os trabalhos, também consentiram, na companhia de Dona Iracy, de adentrar a casa dele, para cumprimentá-lo. Foi ali que eu o ouvi falar de Hugo. Dona Iracy me apresentou dizendo: Chico, este é o Dr. José Antônio, de Cambé, no Paraná. Chico respondeu: Do Imortal, do Hugo. Grande trabalhador do Cristo é Hugo.

ALEX - Fale um pouco para nós sobre esta sua obra literária.


JOSÉ ANTONIO - "Um minuto com Chico Xavier" foi o único livro que escrevi. Os demais trabalhos são pelo jornal "O Imortal", pela rádio e pela TV, onde participei por vários anos na cidade de Londrina.

ALEX - Fale um pouco sobre a sua participação em “O Imortal”, “O Consolador” e outros periódicos.

JOSÉ ANTONIO - Nesses vinte seis anos de jornal, iniciei com uma coluna chamada 'Em Poucas Palavras', que mantive por muitos anos. Depois, acrescentei o 'Um Minuto com Chico', em seguida, 'Estudando Kardec', mais adiante, 'Nos Passos do Evangelho', além das entrevistas que fiz por muitos anos. Hoje, sou responsável apenas coluna 'Histórias que nos Ensinam'.

Atualmente, a pedido do Astolfo, iniciei 'Um Minuto com Chico' na revista eletrônica semanal www.oconsolador.com.br .

ALEX - Falando agora de Jerônimo Mendonça, em seu depoimento enviado á nossa obra literária que estamos elaborando, você narra que Jerônimo em desdobramento, foi até o Umbral e entoou aquela música "Pica-Pau" aos espíritos que saiam da lama enquanto ele cantava, e que seu guia espiritual lhe disse: “Os soldados conhecem a voz do seu general”! Seria isto das encarnações anteriores que Célia relata em seu “Asas da Liberdade”?

JOSÉ ANTONIO - Essa história, que ele mesmo nos contou, marcou muito, pela profundidade dos ensinamentos. Ele disse ter-se percebido fora do corpo, durante um desdobramento espiritual, sendo convidado, por seu mentor, para um trabalho de resgate em zonas umbralinas. É do conhecimento da maioria que, encarnado, Jerônimo era cego, mas, o espírito, livre do corpo é também livre de seus obstáculos.

Na beira de um lago lamacento, em região obscura do umbral, percebeu que espíritos enfermos ali se encontravam, como que naufragados, e que colocavam sua cabeça para fora, gemendo, pedindo ajuda. Nessa hora, seu mentor pediu-lhe que cantasse. Ele, sem entender o porquê, começou a cantar a primeira música que veio em sua mente, que era um tipo de marchinha que sua mãe cantava para si, mas que, curiosamente falava do 'Pica-pau', o general da floresta. Indagou de seu mentor a intenção de sua cantoria e foi informado de que muitos daqueles que ali estavam reconheceriam sua voz, pois fora seu líder no passado.

Quanto a serem eles da época narrada no livro, não posso afirmar. Nós já vivemos muitas vidas. Nessa obra ele afirma ter sido Cambises II, um líder guerreiro, filho de Ciro, Imperador da Pérsia. É possível...

José Antonio e Alex em frente ao C.E. Allan Kardec em Cambé
ALEX - Você tem experiências com ele pós-túmulo?

JOSÉ ANTONIO - Sempre que pensamos espontaneamente nele, em horas importantes de nossas vidas, seja durante trabalho, ou mesmo em nosso consultório, queremos acreditar que ele esteja presente.

ALEX - E quando encarnado, ele cantava com você?

JOSÉ ANTONIO - Ele cantava sempre... Sempre muito alegre. Não deixava ninguém perceber que era doente fisicamente (tetraplégico, cardíaco, cego,...). Até porque, era muito saudável espiritualmente. Dizia-nos: Não entendo porque vocês falam em tirar férias... Há tanto trabalho por fazer!

ALEX - E no velório dele, você esteve por lá?

JOSÉ ANTONIO - Não. Fui surpreendido com a notícia de sua desencarnação. Senti muito por não poder mais encontrá-lo encarnado nesta existência, pois ele nos impulsionava, naturalmente, ao otimismo.

ALEX - E ainda nos impulsiona, "que beleza"! E em Londrina, você realiza um trabalho maravilhoso que é a "Casa do Pão - Belém", já citada nesta entrevista. Fale um pouco para nós sobre como se iniciou este labor e como se encontra hoje?

JOSÉ ANTONIO - “Belém, A Casa do Pão” surgiu de uma visita que fizemos em Sacramento, para conhecer os trabalhos de Eurípedes Barsanulfo. Lá conhecemos um empresário de São Paulo que havia fundado a primeira instituição com esse nome com o objetivo de levar o Espiritismo a assistência social à periferia da cidade. Identificamos-nos imediatamente com essa idéia e a trouxemos para nossa região.

Ela é um foco de luz incrustado na Terra. Ali sorvemos as bênçãos que provêm do alto enquanto aprendemos a servir nossos irmãos mais necessitados.

Graças a Deus ela encontra-se profundamente vitalizada, em pleno trabalho.

José Antonio em palestra
ALEX - Chegando aqui em Cambé, só ouvi elogios quanto á sua oratória, qual o motivo de tanto sucesso em suas palestras?

JOSÉ ANTONIO - Não há motivos para tantos elogios. Na verdade, Hugo Gonçalves é o grande responsável pela formação de todos os oradores desta casa. Ele é o pilar que nos sustenta a todos. Se tenho sido feliz quando falo, é porque aprendi a considerar esse momento um trabalho que não nos pertence, mas, à espiritualidade maior. Nosso dever é estudarmos a Doutrina e o Evangelho de Jesus para sempre termos material para que eles, os benfeitores, distribuam através da intuição, da inspiração.

Na hora das palestras sinto-me como os apóstolos diante da multidão faminta, quando procuraram Jesus perguntando como alimentá-los. Jesus lhes perguntou: O que tendes? Responderam que poucos pães e alguns peixes. E Ele, nosso mestre, os multiplicou.

Então, mesmo que me sinta detentor de pouco conhecimento, nesses momentos confio muito em Jesus e nos benfeitores e sei que não faltará o alimento para os que ali compareceram.

ALEX - E para encerrar, vou pedir á você encarecidamente que deixe uma mensagem aos nossos leitores. Aproveito também para lhe agradecer a visita, pois muito me agradou que você tenha vindo conhecer-me, pois esperava muito por isso. É um grande prazer poder vê-lo pessoalmente, se caso você não viesse até aqui na casa do paizinho, eu daria um jeito de ir atrás de você (risos), pois não poderia ir embora de Cambé sem conhecê-lo. Até breve meu irmão, obrigado pelo livro, pela entrevista e pela amizade verdadeira que agora deixou de ser virtual (risos). Que Jesus lhe abençoe!

JOSÉ ANTONIO - Há alguns dias, perguntaram-me porque eu deixei de ser católico para me tornar espírita. Pensei um pouco e respondi: Eu gostava de ser católico, mas o era apenas dentro das Igrejas. Tinha muita dificuldade para trazer o Evangelho de Jesus para minha realidade. O mundo era o espinheiro que me sufocava os ideais superiores.

Quando conheci o Espiritismo, encontrei-me com pessoas que, como eu, estavam cansadas das ilusões do mundo e que buscavam, do fundo de sua alma, a luz maior para suas vidas. E, com a Doutrina dos Espíritos finalmente entendemos o que Jesus queria dizer quando falava que o reino de Deus estava dentro de nós.

Ou, como disse certa vez Chico Xavier: "O Espiritismo é um farol de luz que ilumina o caminho por onde devo trilhar, ao mesmo tempo em que clareia todas as imperfeições que carrego dentro de mim e das quais devo me libertar". Obrigado, Alex.

PARA VER OS ARTIGOS de JOSÉ ANTONIO VIEIRA de PAULA
Acesse o site da revista eletrônica "O CONSOLADOR" e encontre ali também
o site do jornal "O IMORTAL", é só clicar em www.oconsolador.com.br

28 de abril de 2012

94 - ALEX entrevista CÉLIA XAVIER de CAMARGO

Dia 29 de abril - Meu aniversário natalício.
Dia 29 de abril - Aniversário de 148 nos de "O Evangelho segundo o Espiritismo", que quando lançado, ganhou o nome de "Imitação do Evangelho". 

Em 1º maio completará 1 ano que estamos publicando entrevistas neste blog e chegamos hoje á 48ª entrevista, que é um presente de aniversário á minha pessoa, pois a nossa entrevistada de hoje é mais do que especial, sinto-me honrado e feliz por ter conhecido esta escritora que sempre admirei o seu trabalho pela sua seriedade e comprometimento com a Doutrina.
Em comemoração á tudo isso, queremos também presentear á todos!
Assim sendo, hoje fizemos a entrevista de uma forma diferente: juntamente da entrevista escrita - como postamos de costume - hoje brindamos o querido leitor que nos acompanha nestes 365 dias - chegando á mais de 24.000 visualizações - com a entrevista também em video, que foi realizada na residência do quase centenário Hugo Gonçalves, o paizinho de Cambé, no Paraná.

A nossa entrevistada de hoje é escritora e palestrante requisitada.
Nasceu na Gália em São Paulo e reside em Rolândia, no Paraná.
Casada com o grande espírita Joaquim Norberto de Camargo.
Filha de Urbano de Assis Xavier, o grande amigo de Schutel.
Articulista de "O Imortal" e de "O Consolador".
Colaboradora no Lar Infantil João Leão Pitta.
Trabalhadora na S.Espirita Maria de Nazaré.
Psicografa livros desde 1980.
Meimei, Jesus Gonçalves e León Tolstói são alguns dos espíritos que escrevem por seu intermédio.
Dentre suas preciosas obras destacam-se: "Perdoa!", "Aves sem Ninho", "Em Busca da Ilusão", "Asas da Liberdade", "Perante Deus", "Os Sinos Tocam", "Céu Azul", "De Volta ao Passado", "Mamãe, estou aqui!", "A Eterna Mensagem do Monte", "Mansão dos Lilases", "Leon Tolstói por Ele Mesmo", "Só o Amor Liberta", "Comunicação entre Dois Mundos" e dentre outros.

Nossa entrevistada de hoje é: CÉLIA XAVIER DE CAMARGO






ALEX – Oi Célia tudo bem?

CÉLIA – Tudo bem Alex.

ALEX – Você é filha de Urbano de Assis Xavier, um companheiro e discípulo de Cairbar Schutel. E pergunto assim pra você: Como é ser filha de Urbano e o que ele relatava pra você acerca do “Bandeirante do Espiritismo”?

CÉLIA – Olha Alex, meu pai desencarnou há muito tempo. Eu tinha 15 anos na época. Nós sabíamos do relacionamento dele com o seu Schutel por minha mãe, mas eu soube muito mais através do livro do Leopoldo Machado, “O Bandeirante do Espiritismo”. E depois também através do livro do Eduardo Carvalho de Monteiro, um pesquisador, que já desencarnou.
   Eu sei que eles foram muito amigos. Não sei se você sabe, mas meu pai teve problemas de mediunidade logo no começo. Ele era muito jovem quando ele veio da Bahia para o estado de São Paulo. Ele fez o curso de odontologia e ele tinha um irmão que morava em Araraquara, este meu tio disse-lhe que ali no estado de São Paulo era um lugar muito bom para ganhar dinheiro e pediu que ele fosse para lá. Ele foi para uma cidade bem pequenina, que era Santa Ernestina. E quando ele conheceu a minha mãe ele era muito novinho, ele tinha 24 anos nesta época e ela tinha 17. Eles namoraram, noivaram e casaram em 6 meses. Os dois eram muito católicos: ele era presidente da Congregação Mariana lá em Santa Ernestina e minha mãe era Filha de Maria. Eles se casaram e como a cidade era pequena, eles foram morar do lado da igreja. Só que ele começou á ficar “tomado” á noite e ninguém sabia o que estava acontecendo, minha mãe tinha 17 anos, não tinham noção nenhuma. Ele punha-se á gritar e á falar alto, como se estivesse fazendo uma palestra ou alguma coisa assim. E minha mãe dizia que vinha gente lá do final da rua para saber o que estava acontecendo com ele, por que ele estava fazendo aquela gritaria toda?

  E no fim estava correndo uma notícia lá que o dentista da cidade estava ficando louco. Eis que então um dos conhecidos dele lá de Santa Ernestina falou assim: “Olha Urbano, acho que só tem uma pessoa aqui da região que pode ajudar o senhor, que é o farmacêutico ali de Matão” -  era o Cairbar Shutel - E meu pai tomando as informações, um dia ao acabar de atender os pacientes dele , fechou o consultório e com minha mãe tomaram um ônibus e foram para lá.
  Conversaram com o seu Schutel e ele o tranqüilizou dizendo que ele não estava ficando maluco, que aquilo era uma coisa natural, que era da mediunidade. Então dessa maneira ele começou a trabalhar lá com o seu Schutel. Sempre foram muito amigos, tanto é que quando seu Schutel desencarnou foi pelo meu pai que ele se comunicou antes do caixão sair ali do velório.

  Até eu fiquei sabendo pelo seu Hugo - o Hugo Gonçalves conta uma história muito interessante - não sei se você já ouviu!
  Que quando o Schutel estava falando pelo meu pai, ele pediu a presença do médico dele, o médico que sempre o atendeu há muitos anos...

ALEX - O doutor Hudson...
CÉLIA – É...Ele o chamou e pediu-lhe que observasse qual coração era aquele. O médico constatou que o coração que batia não era o do meu pai, era o do seu Schutel. Isso foi uma coisa extraordinária porque o povo que estava ali não era espírita, grande parte não era, ali tinham pessoas da região inteira, pois o seu Schutel era uma pessoa muito conhecida, ele tinha sido o primeiro prefeito de Matão. Então foi uma prova muito interessante. Nós ficávamos sabendo das coisas que aconteciam com meu pai mais por terceiros.

Alex entrevistando Célia em Cambé, no Paraná
ALEX - Em 1980 você começou a psicografar. Como foi o seu primeiro contato com esta mediunidade? Como iniciou-se?

CÉLIA – Eu recebi uma mensagem pequena. Foi em um domingo e eu ouvi alguém falar-me “Vamos escrever alguma coisa?” Pensei comigo “Mas, agora?”
   -  “Por que não, está tudo tranqüilo!”
   As crianças tinham ido ao cinema e o Joaquim estava assistindo um jogo na televisão.
   Eu fui para o meu quarto e escrevi uma mensagem curta: “Bendito sejas” - Nunca esqueço-me do nome - E o espírito deu-se o nome de Celso, mas eu nunca mais soube dele.

ALEX – E a mensagem você nunca á publicou?

CÉLIA – Não, não á publiquei e nem sei se eu a tenho mais. Pode até ser que eu tenha, porque eu guardo as coisas, mas nunca mais li a mensagem. Depois escrevi outras mensagens, histórias infantis, letras de música, poesias...E assim começou!

ALEX – E falando em primeiros contatos, como foram os seus diante de espíritos como León Tolstói, Paulo Hertz, temos o Marcelo também, o Eduardo...

CÉLIA – Eles são muito agradáveis e simpáticos. Esses: o Paulo Hertz, o Marcelo e o Eduardo fazem parte do grupo de jovens que trabalham na nossa casa, tem alguns que inclusive são ali mesmo da cidade de Rolândia que desencarnaram, como o Cézar Augusto Mellero – estou recebendo outro livro do Cézar Augusto agora, já é o terceiro dele – Tem o Irineuzinho, que não tem livros, mas que também aparece e fala-se dele nos livros.

ALEX – Ele é como se fosse um personagem...

CÉLIA – ...E que é ali de Rolândia...E outros também. Esses são os jovens e eles se comunicam nas reuniões. Já o León Tolstói ele é diferente (risos).

ALEX – Fico á imaginar...

CÉLIA – Eu estava terminando um livro do Erick – se eu não me engano era “Os Sinos Tocam” – E eu percebi ele chegar. Ao chegar - eu não vejo muito bem, não é sempre que eu vejo o espírito - eu mais o senti do que eu vi, a minha vidência é mais mental do que física. Eu não vejo assim como eu estou vendo você! Raramente acontece isso. E ele mandou uma mensagem dizendo que queria psicografar alguma coisa por meu intermédio, perguntou se eu aceitaria ou se haveria essa possibilidade. Mas eu fiquei preocupada, pois eu não conhecia nada de russo e não tinha ligação nenhuma com o país. Eu fiquei preocupada mesmo sempre ter gostado e lido os livros dele, aqueles psicografados pela Yvonne Pereira.Eu leio “Ressurreição e Vida”, é um dos livros mais lindos que tem na nossa bibliografia espírita...

ALEX – Nele fala do Zaqueu...conta em vários detalhes...

CÉLIA – Muito lindo! Aquele discípulo anônimo, eu cansei de fazer palestra com aquela história. Então, eu fiquei preocupada, com medo que eu tivesse que escrever sobre regionalismo russo e ele percebendo isso disse na mesma mensagem para eu não preocupar-me, porque ele tinha descoberto no meu passado uma reencarnação na Rússia e isso iria facilitar o nosso trabalho. Naquele dia mesmo para mostrar-me que não seria difícil, ele ditou a primeira historia do “Eterna Mensagem do Monte” que é “O Paralítico” e que eu acho uma história muito bonita. Então, daí por diante o relacionamento foi fluindo. E ele é muito terno, muito amorável, não tem aquela coisa de dar ordem “faça isso, faça aquilo”...

ALEX -  Não é difícil trabalhar com ele (risos)

CÉLIA - Não, é ótimo! Muito bom!

ALEX – E com o Jerônimo Mendonça, como que ele se apresentou na primeira vez pra você? 

CÉLIA – Olha! O Jerônimo, eu também já tinha lido muito sobre ele, mas a primeira vez que ouvi falar sobre uma possibilidade de ele escrever, foi um dia em que o seu Hugo falou-me isso.  Nós estávamos aqui no Centro Espírita Allan Kardec - eu e o Joaquim, meu esposo - e o seu Hugo falou que estava vendo o Jerônimo perto de mim e que não era a primeira vez. E que ele tinha impressão que o Jerônimo queria digitar alguma coisa por meu intermédio. Eu já me preocupei “Ai meu Deus, é um compromisso muito sério, uma responsabilidade muito grande”, mas demorou bastante, até que um dia ele apareceu e começou. Ele mandou uma mensagem antes e depois começou a escrever, mas há também um relacionamento muito bom com ele. Os espíritos bons não dão stress em nós, nem algo que possa causar um problema na mediunidade. Porque comigo se colocar muito medo já acaba, pronto!...

 ALEX - ...Já não trabalha mais!

CÉLIA - ...Eu não trabalho mais (risos).
   Eu não sou médium mecânica, eu sou intuitiva, quer dizer, eu ouço o que os espíritos falam – e nem ouço muito bem – então a coisa tem que funcionar direitinho.

ALEX – E enquanto você escrevia o “Asas da Liberdade”, este livro de autoria do Jerônimo, você via suas cenas?

CÉLIA – Via! Normalmente eu vejo as cenas, como eu vi também nos livros do Jesus Gonçalves...

ALEX – E você chegou alguma vez á ver cenas daquele livro do Conde de Rochester, “Romance de Uma Rainha”? Pois ali você comenta algumas coisas...

CÉLIA – Eu vi sim. É muito bonito e ao mesmo tempo é difícil.

ALEX – Tem umas partes bem cruéis da vida dele...

CÉLIA – É, mas aquelas partes mais cruéis eles não mostraram não! Mas tem momentos em que eu até paro de escrever, saio do meu escritório e naquele dia eu nem escrevo mais nada. Foi assim, por exemplo, no começo com o Jesus Gonçalves. Teve o livro “Aves sem Ninho” onde tinha imagens ali tão fortes, tão dolorosas e chocantes que eu tive que parar, eram imagens de guerra. Eu parava, depois eu voltava. No livro “Os Sinos Tocam” tem aquelas cenas da Noite de São Bartolomeu, e tem momentos que não há como nos segurar! É uma matança! Tem o rio ali que se tornou vermelho por causa do sangue...

ALEX – E este livro do Jerônimo durou quanto tempo para vocês o escreverem?

CÉLIA – Uns dois anos e pouco.

ALEX – O livro foi escrito em 2008. E de lá pra cá o “Pássaro Livre” – como ele é chamado – tem se comunicado com você?

CÉLIA – Ás vezes sim, mas constantemente não!

ALEX – Poderemos ter outras obras por intermédio dele? Pois ficamos com vontade de mais, de um número dois (risos).

CÉLIA – Eles escrevem alguma coisa, depois dão uma pausa...No momento estou recebendo um outro livro do Erick. E é assim, de repente alguém volta e eu não sei, vai depender deles!

ALEX – E como foi aceita essa obra por aqueles que o conheceram pessoalmente, porque aqui na região vocês divulgam muito o Jerônimo, nós sentimos isso, por aqui ele é bem falado...Como foi essa resposta das pessoas?

CÉLIA – Acho que foi muito boa, pelo menos o que eu senti. As pessoas tem um carinho pelo Jerônimo, ele passou por aqui, fez palestras pela região.

ALEX – Você chegou a conhecê-lo?

CÉLIA – Sim, ele chegou á fazer palestras lá em Rolândia, em Arapongas, aqui em Cambé – assistimos uma palestra aqui no pátio do Lar Marília Barbosa – estava uma noite quente, ficou tudo aberto e foi ali fora, estava muito gostoso!

João Leão Pitta (1875 - 1957)
ALEX – Você também é colaboradora no Lar Infantil João Leão Pitta, que é um outro vulto do Espiritismo e que aqui também é bem lembrado por já ter passado por aqui!

CÉLIA – Ele foi muito amigo do meu pai, do seu Piccinin que era de Rolândia e já está desencarnado, do seu Hugo...

ALEX – No livro da Jane que se comenta bastante deles...

CÉLIA – Então, ele ia muito em casa, o seu Pitta. Eu era criança e sentava no colo dele, ele com aquela barba...pra nós ele era o papai Noel (risos). Eu o adorava, ele estava sempre de terno com um colete - antigamente o pessoal era muito elegante - eu achava lindo ele ter aquele relógio de bolso com corrente. Nossa! Lembro muito bem dele!

ALEX – No Lar Infantil João Leão Pitta, como é desenvolvido o trabalho de vocês com as crianças?

CÉLIA – Lá eu sou tesoureira, o presidente que já está na segunda gestão é o Joaquim. É um trabalho que tem uma coordenadora, o Joaquim que está mais á frente disso, nós temos atualmente 120 crianças. Antigamente era regime de creche, hoje é centro de educação, uma escola mesmo, as crianças ficam lá enquanto suas mães trabalham. Hoje as creches se transformaram em centros de educação.

ALEX – Eram internos...

CÉLIA – Existiam os internatos, como no caso aqui do Marília Barbosa, mas no João Leão Pitta sempre foi uma creche.  

ALEX – E falando em crianças, você é conhecida como Tia Célia por todas elas. E sabemos que você já escreveu - desculpe se eu estiver errado - mais de 2.000 histórias infantis?

CÉLIA – Não! São 200 histórias...

ALEX – Mas já são muitas também...

CÉLIA – Devo ter umas 300 e tantas...

ALEX – E você também ás recebe da Meimei, eu estive vendo no “O Imortal”...

CÉLIA – Na verdade Alex, eu sempre senti a presença desde o começo de uma moça, e ela que ditava-me as histórias, e eu escrevia. Só que no primeiro dia, ao escrever a história no papel, eu perguntei quem iria assinar e ela disse seu nome, aí eu falei “Ah! Não faz isso comigo!” (risos) Porque o Chico estava encarnado, a Meimei só escrevia pelo Chico...Eu falei “Não dá! Como eu vou colocar o nome “Meimei”? Ela disse “O nome não tem importância alguma, coloque qualquer um! Coloque o seu nome mesmo!”. Então eu coloquei “Tia Célia” por que para mim ela parecia ser uma outra entidade, uma outra pessoa...

ALEX - ...Era um pseudônimo! (risos) E você comentou sobre Chico Xavier, você chegou a conhecê-lo pessoalmente?

CÉLIA -  Sim, nós estivemos algumas vezes lá! O Chico é sempre uma referência em tudo, por termos conhecido ele e estarmos lá quando ele estava escrevendo ainda no pleno gozo das faculdades dele. Depois ele estava mais doentinho, mais debilitado...Eu achava até uma pena! Porque o pessoal corria lá, mas ele não tinha mais condições, e daí já não fomos mais!

ALEX – Tem um livro seu que eu até o trouxe para você autografá-lo, eu o possuo desde 1998, quando eu ainda nem era espírita e vou fazer uma pergunta ‘em cima’ do que eu senti quando o li, que é o “Mamãe, estou aqui!”. Eu adorei este livro mesmo não sendo espírita, porque ali você consola quem têm seus filhos desencarnados em tenra idade...Você poderia-nos dizer alguma coisa com respeito á essas crianças que desencarnam em tenra idade?

CÉLIA – Com certeza, eu acho que a coisa mais dolorosa é o fato dos pais “perderem” uma criança, um filho, ainda mais assim pequenos. E talvez é a dor maior que existe. E o Marcelo teve uma delicadeza em trazer as histórias das crianças, pois elas também freqüentam a nossa casa, assim como freqüentam outros centros. Elas vão e se comunicam, sempre que tem reuniões em determinados dias da semana elas comparecem e sentimos a presença delas. Na ocasião em que eles visitam as famílias, muitas delas são da região. Esse livro causou um certo impacto nos leitores, porque depois dele eu comecei á receber telefonemas de longe. Recebi certa vez um telefonema lá de Belém do Pará, de uma mãe que havia lido o livro e queria saber se era isso mesmo que acontecia. E eu falei “Lógico, pode ter certeza! Seu filho continua vivo” Isso aconteceu com muitas pessoas, que telefonavam e queriam saber, queriam até que eu recebesse mensagens. Eu falei “Olha! Não é a minha finalidade” Ás vezes até acontece de receber mensagens, mas é muito difícil.

ALEX – É que o livro já serviu de um consolo ali, eu emprestei o meu para várias e depois não voltou! (risos) Tive que comprar outro, por que é um livro bom!

CÉLIA – Ele aborda casos diversos, situações bem diferentes umas das outras e isso atinge o problema de cada um. Por isso que a Doutrina Espírita é consoladora por excelência!

ALEX – E para terminar eu gostaria de fazer uma pergunta utilizando-me do nome da casa em que você realiza seus trabalhos, pois eu achei interessante: Sociedade Espírita Maria de Nazaré.  Gostaria que você falasse um pouco sobre este carinho que o espírita pode ter também com a Nossa Mãe, a Mãe de Jesus, que o Chico tinha tanto carinho por ela: a Maria de Nazaré.

CÉLIA – A Maria de Nazaré é uma criatura de muita elevação e isso nós já percebemos desde o Evangelho, na passagem de Jesus aqui na Terra. Alguns dizem que em determinados momentos do Evangelho está demonstrado que ela não seguia Jesus, mas eu acho o contrário, acredito que ela até se “encolheu” um pouco, pois era o momento de Jesus, ela ali era só uma coadjuvante, porque o brilho total tinha de ser pra Ele. E Jesus é realmente o espírito mais elevado que nós podemos conhecer aqui na Terra. O nosso carinho por Maria é plenamente justificável. O que fez Jesus depois quando já estava na cruz, antes de morrer, dizendo “Eis tua mãe e eis o teu filho”, era para João ter aquele carinho por sua mãe e ela por ele, pois eles estavam precisando. O trabalho que eles continuaram depois lá em Éfeso, tudo isso foi muito importante. Naquele livro extraordinário da grande mulher Yvonne Pereira, “Memórias de um Suicida”, podemos ver que o Hospital Maria de Nazaré é dedicado aos suicidas, que são os maiores sofredores que existem. E quando nossa casa começou, o doutor Luiz Carlos Pedroso e a dona Luzita, que eram dois baluartes ali da cidade e que também estavam começando, eles resolveram fundar um centro. Havia um grupinho que eles já trabalhavam juntos, faziam o evangelho e naquela época era no Centro Espírita Emmanuel, que fica ali na Vila Oliveira, em Rolândia. E um deles viu, numa noite em que estavam fazendo uma reunião, uns cavaleiros chegando com aquele estandarte de Maria. E eles se emocionaram muito com isso e apartir daí eles deram o nome á casa de Sociedade Espírita Maria de Nazaré, em seguida eles constituíram realmente uma sociedade, criaram um estatuto e nós em todos os momentos percebemos que realmente ela está a nos ajudar.

Alex, Célia, Joaquim, Rogério Leite, Hugo Gonçalves e Marli Mansini.
ALEX – E antes de você deixar as suas considerações finais, eu quero agradecer pela entrevista e por vocês terem vindo até aqui. Agradeço de coração e estou muito honrado de vocês terem vindo, obrigado Célia.

CÉLIA – É um prazer estar aqui com você e falando sobre todas essas coisas. Eu gostaria de lhes dizer que a mediunidade é uma benção que Deus nos concede, mas como um compromisso de nós podermos realizar alguma coisa de bom e de útil á favor das pessoas. Nós sabemos que é um compromisso, porque reflete o nosso atraso, a necessidade que nós temos de reparar os danos que nós cometemos no passado. Geralmente – Emmanuel mesmo diz isso – os médiuns não são privilegiados, eles são os mais necessitados, porque são os mais devedores. Quando nós precisamos ajudar muitas pessoas, com a mediunidade é a forma de nós fazermos isso. Por que como é que nós faríamos isso na nossa casa? Recebendo dois, três espíritos, cinco, dez?...Dez espíritos para quem deve muito não significa nada! É pouco demais! E com a mediunidade temos a oportunidade de alcançar um amplitude maior de uma forma até anônima. Nós fazemos isso nas câmaras de passes, quando nos doamos sem que as pessoas saibam quem somos nós ou o que fazemos. Esse é o nosso trabalho e nós vamos “levando” até quando pudermos.


17 de abril de 2012

93 - ALEX entrevista MARCUS DE MÁRIO

Nosso entrevistado de hoje sempre lutou pela unificação espírita.
Aos 22 anos, em 1977, ele mudou para o Rio de Janeiro, onde participou da fundação da Instituição Espírita Pedro de Camargo e iniciou o seu trabalho como escritor e educador.
Ele viaja pelo Brasil todo realizando palestras, treinamentos e seminários.
Foi Assessor de Comunicação Social Espírita da USEERJ (União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro).
É diretor e criador do IBEM (Instituto Brasileiro de Educação Moral) onde desenvolve vários projetos.
É intregrante do GEPE (Grupo de Estudo e Pesquisa Espírita).
Na Rádio Rio de Janeiro ele é produtor e apresentador do Programa "Destaque na Imprensa Espírita".
Junto com outros amigos do IBEM, ele organizou e foi um dos palestrantes do 1º Seminário "Novo Rumo para a Educação", realizado em Serra Negra-SP, no dia 10 de março de 2012, onde estiveram os oradores Cleide Arantes, Ronaldo Gomes e José Pacheco (da Escola da Ponte, de Portugal).
O nosso entrevistado também fez sua preleção no evento e seu nome é MARCUS de MÁRIO.

ALEX - Olá Marcus, tudo bem? Como você iniciou-se na Doutrina Espirita?

MARCUS - Iniciei ainda pequeno, no início da adolescência, pois meus pais eram espíritas e começaram a me levar para o Centro Espírita, onde tomava o passe, lia os livros e ouvia as palestras públicas. A convivência com pessoas espíritas que frequentavam nossa casa era normal, assim posso dizer que o Espiritismo entrou na minha vida já desde o nascimento, ou antes, como aprendemos com a doutrina, crescendo em mim de forma bem natural. Tudo isso ali pelo final da década de 1960, na cidade de São Paulo, frequentando a Associação Espírita Jacob, no bairro do Tatuapé.

ALEX - Qual a sua ligação com as federações espíritas?

MARCUS - Vivendo em São Paulo, onde naci, minha ligação sempre foi com a USE - União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Depois, com 22 anos, transferindo residência para a cidade do Rio de Janeiro, sempre trabalhei ligado ao CEERJ - Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro.

ALEX - Fale um pouco sobre os seus livros.

MARCUS - Tenho cinco livros publicados: É Preciso Amar (estudos do evangelho); Visão Espírita da Educação (educacional); Espiritismo e Cultura (estudos); Vida e Felicidade (auto-ajuda) e Além das Aparências (contos). Ainda este ano serão publicados: O Homem de Bem (estudo do evangelho) e Pedagogia da Sensibilidade (educacional).

ALEX - Agora nas perguntas seguintes, irei utilizar-me de temas de algumas de suas palestras, pode ser?

MARCUS - Vamos lá!

ALEX - Para ser feliz, somente vivendo o Amor?

MARCUS - Sim, com certeza. é o que aprendemos no estudo do Espiritismo e com as mensagens dos Benfeitores Espirituais. Por isso Jesus resumiu tudo no "amai-vos uns aos outros", pois Deus é amor, tudo está vivificado no amor, o maior dos sentimentos. Estamos reencarnados para continuar a aprendizagem do amor, que nos leva à auto-iluminação e à prática da caridade, deixando nossa consciência em paz, e portanto, fazendo com que alcancemos a felicidade.

ALEX - E para crescer interiormente, é necessário ter autoconhecimento?

MARCUS - É o único caminho asseverado em todas as obras da codificação espírita, e que está magistralmente estudado por Allan Kardec e os Espíritos Superiores na questão 919 de 'O Livro dos Espíritos', quando da abordagem do "conhece-te a ti mesmo". na verdade ninguém pode nos ensinar, pois o processo de aprendizagem é íntimo. Recebemos estímulos, mas somente o indivíduo pode acionar seu potencial interior, pode querer.

Marcus em palestra
ALEX - O Essencial é invisivel aos olhos?

MARCUS - Sim, pois a matéria não é essencial. A alma é essencial. Valores e virtudes são essenciais. Nada disso pode ser visto pelos olhos do corpo, ou tocado pelas mãos, ou sentido pela pele. Tomo o tema emprestado ao Pequeno Príncipe, essa obra maravilhosa de Saint-Exupéry. Ainda estamos fazendo muito a viagem exterior: comprar, ter, acumular, quando precisamos fazer a viagem interior: conhecer-se como alma imortal.

ALEX - "Provações: por que comigo?"

MARCUS - Porque ainda estamos num mundo de expiações e provas e nada acontece por acaso. Tudo está em harmonia com a lei de causa e efeito, lembrando que existem duas causas para nossas aflições: as causas atuais, por conta da nossa imprevidência, orgulho, etc; e as causas anteriores, por conta do que fizemos em existências passadas. Não adianta ficar se queixando de Deus ou seja de quem for. Precisamos reconhecer que tudo o que nos acontece tem uma causa justa, e de tudo podemos tirar valiosas lições. Lembremos o que disse Jesus: "a cada um é dado segundo suas obras".

ALEX - Como entender os transtornos mentais?

MARCUS - Como desequilíbrios da alma refletidos na atual encarnação. As causas são diversas, mas é a alma, ou Espírito, que está doente, está em desequilíbrio. Naturalmente esse desequilíbrio pode ser agravado por processos obsessivos e traumas vividos nesta existência, mas a cura, que pode levar muito tempo, só acontecerá se atingirmos a alma, por isso os chamados tratamentos espirituais, com a dinâmica do passe, da água fluidificada, do atendimento fraterno, da desobsessão e da prática da caridade são muito importantes.

ALEX - E como aplicar a pedagogia da sensibilidade?

MARCUS - Deve o educador, antes de tudo, aplicar-se a a sentir a si mesmo e o outro. Deve humanizar-se para poder humanizar. Deve educar-se para verdadeiramente educar. A Pedagogia da Sensibilidade é desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Educação Moral - IBEM, organização educacional sem fins lucrativos, do qual sou Fundador e Diretor. Recomendo a todos acessarem www.educacaomoral.org.br, para conhecer essa proposta pedagógica que visa equilibrar desenvolvimento cognito com desenvolvimento afetivo, renovando o olhar sobre a educação e as práticas pedagógicas, pois o fundamento é a aplicação do amor.

ALEX - Comente um pouco sobre "Familia, um espaço de convivência".

"Além das Aparências"
MARCUS - Tema fascinante e profundo. Sou muito requisitado para falar sobre ele, aliás já tenho um livro a ser publicado onde desenvolvo o conteúdo abordado nas palestras e seminários. Faço uma abordagem que traz a história da formação da família através dos tempos humanos, da idade primitiva até os dias atuais, pontuando sua elaboração, seus problemas, sempre através da ótica espírita, destacando ao final a chamada família ideal e como consegui-la, através desse espaço privilegiado de convivência que é a família, onde nos reencontramos, pois os laços que nos unem são eternos.

ALEX - E para melhor educar os filhos diante dos desafios do mundo?

MARCUS - Só escrevendo um livro para responder, mas ele está a caminho. Importante é ler o capítulo final de A Gênese, onde Allan Kardec trata dos sinais dos tempos e das novas gerações. E, claro, várias questyões de O Livro dos Espíritos que tratam da educação das crianças. Importante é doar amor, ter paciência, distribuir tarefas, dar responsabilidades, colocar limites, incutir a responsabilidade do cumprimento dos deveres. Em tudo, dar o próprio exemplo, pois não adianta falar, gritar, colocar de castigo, se fazemos o contrário do que exigimos dos filhos. Devem os pais manter diálogo aberto, construtivo, sabedores que trabalham a edificação moral da alma imortal, missão sagrada confiada por Deus a eles, e da qual terão de prestar contas.

ALEX - Na escola, onde existem conflitos, limites e indisciplinas. O que o professor deve fazer?

MARCUS - Deve ser o amigo dos seus educandos, o dialogador por excelência, procurando sempre dar o melhor exemplo, permitindo a participação deles no processo ensino-aprendizagem. Se tiver amor ao que faz e àqueles que estão com ele em caminho, será ponte para resolução dos conflitos naturais da conviência humana na infância e na adolescência.

Marcus de Mário na Rádio Rio de Janeiro (á direita)
ALEX - Agora um rápido Pinga-Fogo contigo:

- Educação - Amor.
- Escola - Sentimento.
- Livros - O Livro dos Espíritos.
- Chico - Exemplo.
- Kardec - Gratuidão.
- Jesus - Mestre.
- Deus - Pai.

ALEX - Marcus, grande educador, obrigado pela entrevista e parabéns pelos projetos que desenvolve, que Jesus lhe abençoe cada vez mais!

MARCUS - Agradeço a oportunidade e deixo aos leitores uma mensagem de paz e amor, lembrando que devemos, todos, nos unir, pois somos irmãos, filhos de Deus, procurando realizar todos os esforços para domar nossas más tendências e realizarmos as conquistas morais que nos levarão, mais cedo do que imaginamos, para a conquista da perfeição espiritual.


ENTREM no site www.almadolivro.com e www.marcusdemario.com.br

7 de abril de 2012

92 - ALEX entrevista ANDRÉ MAROUÇO

Ele nasceu em São Paulo, em 1970.
Ele é diretor e roteirista formado em marketing pela Universidade Paulista.
Com experiência em televisão, passou pelo SBT, Tv Cultura e Rede Globo.
Esteve à frente do projeto Mundo Maior de Cinema, que ofereceu condições a jovens cineastas de filmarem oito curtas-metragens.
Estreou em longas com "O Filme dos Espíritos" (2011), ao lado de Michel Dubret.

Nossa entrevista foi realizada em 2011, mas somente agora estamos publicando, um dia após o filme ter conquistado mais um prêmio, na qual veremos no final da entrevista.
O nosso entrevistado de hoje é André Marouço.

ALEX- Olá André tudo bem? Como você se iniciou na Doutrina Espirita?

ANDRÉ - Eu sou nascido e educado em colégio católico e ainda criança desenvolvi a mediunidade na umbanda, tendo passado ainda na adolescência pelo candomblé. Aos 16 anos de idade afastei-me por completo de religião e aos 20 estava passando por um processo delicado de recuperação após um acidente automobilístico onde minha noiva tinha se machucado bastante, nesta época eu trabalhava na TV Cultura e tinha um amigo, o Alberto de Freitas companheiro de trabalho, espírita, e ele era a pessoa que me trazia paz para aquele momento de vida. E, na casa de minha mão um livro colocado na estante perseguia-me, há anos aquele livro chamava-me, tratava-se de "Os Mensageiros" de André Luiz e Chico Xavier, a partir deste contato com o Alberto e os esclarecimentos que ele me trazia, tive coragem de abrir o livro, um novo mas conhecido mundo abriu-se para mim, procurei o Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, onde estou até hoje.

ALEX - Você conheceu pessoalmente Chico Xavier?

ANDRÉ - Eu tive esta alegria no ano 2001, fui até Uberaba e assisti uma reunião no Grupo Espírita da Prece, foi um dos momentos mais especiais de minha existência, estar no mesmo ambiente do apóstolo da mediunidade foi marcante, ao final da reunião fui até a fila de pessoas que desejavam cumprimentá-lo, ao chegar na sua frente beijei sua mão. Ele não disse nada, mas disse tudo sem proferir qualquer som. A esta altura ele já não mais psicografava, pois estava com a saúde muito debilitada, durante toda a reunião ele era amparado por seu filho Eurípedes e outros trabalhadores, mas sua presença é inesquecível.

ALEX - E quando despertou em você a vocação para ser cineasta? Você era da tv não era?

ANDRÉ - Eu nasci em um lar televisivo, meu pai, Luiz de Souza Marouço, trabalhou nos maiores canais de TV do país, desde 1967, ainda criança ele me levava aos estúdios da TV Tupi, o cinema nasceu para mim em um dia em que fui acompanhar meu pai em uma reunião sindical, ele chegou muito cedo na reunião e para passar o tempo fomos até uma sala de cinema. O filme que assistimos foi "Viagem ao Centro da Terra"eu devia ter uns quatro anos, sequer era alfabetizado sendo assim impossibilitado de ler as legendas, meu pai dormiu o tempo inteiro da sessão e, eu fiquei acordado totalmente hipnotizado pela magia do cinema, dali para diante tornei-me um cinéfilo e ansiando pelo dia que o Senhor me permitisse trabalhar na sétima arte.

ALEX - Como e quando surgiu a idéia de fazer "O Filme dos Espíritos"?

ANDRÉ - Um amigo, o Eduardo Dubal que trabalha conosco na Fundação Espírita André Luiz estava fazendo um curso de cinema na Academia Internacional de Cinema e ele trouxe-nos a informação de que, os jovens matriculados no curso ao longo do mesmo eram preparados quanto as técnicas artísticas e administrativas da indústria de cinema, porém estes jovens, naquele curso não educados quanto a importância de produzirem peças cinematográficas que dignifiquem a humanidade, assim quase sempre, seus filmes eram quase que movimentos poéticos em prol do suicídio, da sexualidade desregrada, e das drogas. Assim, iniciamos o Projeto Mundo Maior de Cinema que daria a oportunidade a jovens estudantes da sétima arte de produzirem filmes de curta-metragens, o projeto consistia em oferecer uma verba, equipamentos e recursos humanos para estes jovens filmarem seus curtas, desde que estes curtas explicassem em formato de ficção 8 capítulos de "O Livro dos Espíritos". A próxima etapa do projeto seria reunir estes curtas em uma nova trama, um novo roteiro para um novo filme, nasceu assim "O Filme dos Espíritos".

ALEX - E o que você tem a dizer sobre "O Livro dos Espíritos"?

ANDRÉ - Se Allan Kardec tivesse lançado apenas e tão somente "O Livro dos Espíritos", seu trabalho já teria sido um marco na filosofia espiritualista do planeta. Ali encontram-se os grandes enigmais existenciais humanos, a divisão sábia do livro nos traz respostas para praticamente tudo na vida. Sem dúvida alguma, reencarnaremos algumas vezes até termos capacidade intelectual e espiritual para compreender tudo o que há nas entrelinhas deste compêndio.

ALEX - Voltando á falar da Mundo Maior Filmes, o que vocês já produziram em apenas dois anos de funcionamento?

ANDRÉ - Eu atuei em audiovisual espírita como voluntários desde 2003, auxiliando a Fundação Espírita André Luiz em seus projetos de TV, em 2005 a FEAL contratou-me para planejar e dar início nas operações da TV Mundo Maior, já a Mundo Maior Filmes foi quase que uma consequência natural do trabalho de TV, ou seja, havia um núcleo de TV, era necessário criar um de cinema, assim planejamos e iniciamos esta produtora que jé tem em seu curriculum de apenas dois anos de funcionamento 8 curtas metragens e 1 longa metragem.

André Marouço
ALEX - E o que é a Mar Revolto Produções?

ANDRÉ - 'Mar Revolto Produções' é a minha produtora audiovisual, a partir de 2012 estaremos trabalhando, se o Senhor nos permitir, em um longa-metragem para cinema e uma minissérie para TV, todo o conteúdo desenvolvido por esta produtora será para projetos cinematográficos, televisivos, peças audiovisuais onde a temática espírita e espiritualista esteja presente colaborando para o Mundo de Regeneração.

ALEX - Que o Senhor permita então! Será maravilhoso! Você acredita que os filmes espíritas recentemente lançados, colaboraram para o sucesso de "O Filme dos Espíritos"?

ANDRÉ - A espiritualidade é sábia, e os espíritos superiores trabalham sempre dentro de muito profissionalismo e planejamento estratégico, nada é acaso, certamente as produções anteriores, cada uma ao seu tempo, contribuíram para o filme sucessor, e entendo que a nós produtores do audiovisual Espírita, nos cabe a produção de peças em maior quantidade e especialmente melhor qualidade, não abrindo mão em tempo algum do profissionalismo e evitando a todo e qualquer custo projetos amadores.

Nelson Xavier e Reinaldo Rodrigues em cena do filme
 ALEX - De quem foi a idéia e como o ator Nelson Xavier reagiu ao saber que não representaria o "Chico Xavier" neste filme? Foi muito interessante! Pois quando eu vi o teaser pela primeira vez, achava que ele estava representando o Chico (risos).

ANDRÉ - O Nelson é um craque, ele tem condições de interpretar a "santos" ou "demônios" com a mesma dedicação e qualidade técnica-artística. Nós nos aproximamos dele quando fizemos a Mostra Mundo Maior de Cinema, ocasião em que exibimos os 8 curta-metragens realizados pelos jovens cineastas capitaneados pelo Projeto Mundo Maior de Cinema, neste dia o Nelson foi um dos artistas que nos prestigiou com a sua presença. Ele havia acabado de filmar "Chico Xavier - o Filme" que por esta ocasião sequer havia estreado nas telas de cinema. Assim que terminamos o roteiro de "O Filme dos Espíritos" enviei para ele que apaixonou-se pelo personagem e aceitou faze-lo de pronto.

ALEX - E a Luciana Gimenez, como ela entrou no elenco? Ela é simpatizante de nossa doutrina?

Luciana Gimenez com maquiagem de mulher idosa
ANDRÉ - A Luciana desejava muito fazer cinema, um amigo o Ricardo Rihan, produtor executivo de cinema e TV, sabia desse desejo dela, e eu tinha a necessidade de uma atriz que fizesse uma participação especial no filme, ocorre que este papel era para um mulher de mais de 60 anos de idade, ou seja, seria necessária uma caracterização, expus o papel a ela que aceitou de pronto, pois teria oportunidade de despir-se do papel que comumente interpreta na RedeTV e mesmo como modelo internacional que fora, teria enfim uma chance de mostrar que tem talento para interpretar outros papéis, como por exemplo de uma mulher simples da terceira idade.

ALEX - Foi dificil gravar as externas? Fiquei imaginando a cena do viaduto!

ANDRÉ - O grau de dificuldade em todas as filmagens foi grande, especialmente em função do pouco tempo e dinheiro que dispúnhamos, porém fomos tão ajudados pela espiritualidade que todos os obstáculos foram removidos naturalmente.

ALEX - Qual a mensagem final que o filme trouxe á equipe ao término das filmagens?

ANDRÉ - Que com profissionalismo, planejamento e fé é possível realizar qualquer sonho.

ALEX - E como você está vendo o retorno (feedback) do público após as exibições dos filmes no cinema e agora em dvd?

ANDRÉ - Estamos muito emocionados com o carinho que recebemos do público, chegam as centenas os emails, mensagens no Facebook de pessoas que nos falam de suas emoções e até de suas transformações após terem tido contato com o filme. O que os espíritos superiores conseguiram tendo-nos como trabalhadores é impressionante, pois o nosso filme contou com escassos recursos, para divulgação e propaganda posso dizer que, fora um trabalho praticamente feito pelo movimento espírita, levar mais de 320 mil pessoas aos cinemas não dispondo de verba para propaganda em rádio e TV é quase um feito inédito na cinematografia brasileira.

ALEX -  Mundo Maior pretende gravar mais filmes do gênero? 

ANDRÉ - A Mundo Maior Filme é uma empresa da Fundação Espírita André Luiz, esta fundação acabou de trocar seus diretores para o triênio 2012/13/14, ou seja, caberá a estes novos diretores recém empossados definir os rumos da produtora.

ALEX - André, muito obrigado pela entrevista, que os Espiritos continuem a lhe inspirar na 7ª Arte para poder sempre nos proporcionar emoções como estas neste filme. São suas as considerações finais.

ANDRÉ - Que Jesus esteja sempre a guiar os nossos caminhos, sabemos que a divulgação da doutrina espírita por todos os meios disponíveis é uma urgência para a Regeneração da Terra, obrigado pela oportunidade e conte sempre conosco.


Marouço (á esq) ao lado de profissionais como Caio Blat, Selton Melo, Paulo José e outros...

Trofeu conquistado pelo "O Filme dos Espíritos"

Após receber o Prêmio da Mostra Internacional de Pilotos no Rio de Janeiro, "O Filme dos Espíritos", recebe um importante Prêmio no Festival Cine Sesc com o melhor roteiro de 2011. ( lembrando que foram produzidas 99 peças Cinematográficas no Brasil em 2011 e no ranking final o filme ficou em 11º Lugar ).
   
TEXTO de AGRADECIMENTO
 
 
   Em nome de toda a equipe, agradecemos ainda, a todos aqueles que participaram, que abraçaram e acreditaram nesse projeto desde os primeiros passos. Da ideia inicial, a obtenção de recursos e a realização,foi um longo caminho: o apoio do Conselho Diretor das Casas André e seus conselheiros, da Fundação Espírita André Luiz, o concurso para a escolha e premiação dos curtas metragens, a criação e realização do longa metragem, , o envolvimento dos atores e voluntários, a edição e finalização, a participação dos distribuidores, os co-produtores, os realizadores, os parceiros, os apoiadores promocionais , os produtores executivos e a justa homenagem a " O Livro dos Espíritos" no mês de aniversário de Allan Kardec e ao belo trabalho realizado pelas Casas André Luiz (agora com reconhecimento mais amplo, perante a sociedade brasileira e as comunidades espíritas fora do Brasil)



   A campanha nas Federativas e Casas espíritas, o trabalho incansável dos divulgadores espalhados pelo Brasil, da mídia espírita, da imprensa aberta, dos críticos, dos formadores de opinião, os simpatizantes que incentivaram o público e seus amigos que foram aos cinemas na estréia e na primeira semana (foi decisivo para a continuidade das exibições) e ainda levando outros para assistirem o filme nos cinemas. Depois as campanhas promocionais, o interesse do público,o fenômeno nas redes sociais, o boca a boca, o reconhecimento daqueles que votaram no filme em diversos sites, que responderam aos críticos, que participaram de todas as maneiras, compartilhando material, o combate a pirataria e finalmente nos ajudando a fazer um grande trabalho que se transformou no sucesso que o filme alcançou.

   Apesar de poucos recursos para investir na divulgação em grandes veículos de comunicação, o filme permaneceu em cartaz durante 4 meses percorrendo o Brasil. Recebeu o Prêmio Internacional da Mostra de Pilotos, ganhou destaque na 1ª Mostra de Cinema com a temática Espírita de Londres, é um dos indicados na Academia Brasileira de Cinema em 2012 e agora recebe o importante Prêmio do Festival Sesc de Melhores Filmes de 2011.


   O trabalho de todos, em conjunto com outros sucessos cinematográficos produzidos como "Bezerra de Menezes, o Diário de um Espírito", "Chico Xavier"," Nosso Lar ","As Mães de Chico Xavier", O " Filme dos Espíritos"e mais um filme espírita, aguardando confirmação para agosto " E A vida Continua" psicografado por Chico Xavier pelo espírito André Luiz.Outro lançamento que chega aos cinemas dia 13/04 é o Filme Area Q, aborda a temática espiritualista, mas contém princípios da Doutrina espírita e uma grande mensagem para um Mundo Melhor)


   O cinema Brasileiro definitivamente passa a incorporar a temática da reencarnação ( hoje somos considerados como 'forte tendência no mercado brasileiro de cinema"), o tema a vida além da vida, a reencarnação, a campanha a favor da vida, a existência e comunicação dos espíritos entre outros princípios doutrinários, ganham aos poucos o respeito na mídia,a simpatia do público em geral e o apoio incondicional dos espiritas e espiritualistas. Mas os desafios ainda são muitos.


   O mais importante será levar o homem a conhecer esses princípios, independente de suas crenças e através do entretenimento possa levar esperança, consolações, fé raciocinada , a mensagem do Amor e do Bem através da arte. Contribuindo com o processo de renovação das consciências que já deu início há muito tempo atrás , estimulando o encontro com a essência e a realidade do espirito.

   Que venha outros projetos cada vez melhores, que a Espiritualidade inspire os homens de boa vontade, encarnados e desencarnados, ajudando a concretizar esse sonho de um Mundo Melhor aqui na Terra.


   Lembrando que a nossa união fez a grande diferença até aqui, vamos continuar acreditando e apoiando esses projetos do Bem que chegam às salas de cinema, contando sempre com o apoio de todos !

   Muito Obrigada..


   Muita Paz!


   Magali Bischoff


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   Premio Sesc: http://www.youtube.com/watch?v=N9HiCP0N-Ho&feature=youtu.be