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22 de julho de 2011

65 - ALEX entrevista LUÍZA FREIRE

    Esta é a segunda postagem que estamos fazendo da "Série Jerônimo", ainda teremos mais uma e também existem mais duas postagens antigas que se pode encontrá-las todas no menu de busca deste blog.

     Hoje entrevistamos Luíza Freire, onde na postagem anterior contamos como ocorreu esta nossa conversa transformada em entrevista.

     Desde que eu nasci, há 30 anos, sou vizinho de Luíza e assim ficou bem prático para entrevistá-la, meus pais foram amigos dela e de seu saudoso marido Wanderley. Meus irmãos e eu, amigos de infância de suas filhas, sobrinhos e sobrinhas. Sua mãe, dona Benedita, sempre foi muito querida e requisitada por todos da vizinhança devido a sua ostensiva mediunidade. Luíza sempre foi exemplo de mulher caridosa desde que eu era criança, enquanto brincávamos na rua, víamos crianças e moradores de rua batendo palmas em sua casa com as mãos vazias e saindo dali com roupas e comidas. Esta espirita exemplar é a nossa entrevistada de hoje e até inspirei-me ao final desta postagem para fazer uma poesia dedicada á ela, espero que fique boa, iriei tentar escrever mesmo eu não sendo um poeta, pensador ou escritor.

     Luiza teve seu primeiro contato com a Doutrina Espírita Cristã no Grupo Espírita Anjo Ismael, no Jardim Satélite, em São José dos Campos-SP. Foi nesta época que ela e seu marido Wanderley conheceram Chico Xavier em Uberaba e atendendo recomendações do próprio médium mineiro, começaram a construir a Comunidade Espirita Maria João de Deus, que teve como seu fundador o Jerônimo Mendonça, cujo o casal o conheceram lá mesmo na casa de Chico em uma de suas visitas á ele. Luíza, Wanderley e a filha deles : Wanderléia, cuidavam do Gigante Deitado, inclusive viajavam com ele em suas palestras pelo Brasil e a nossa entrevistada está cheia de histórias como estas para contar!

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ALEX - Quando se deu seu primeiro contato com Jerônimo Mendonça?

LUIZA - O primeiro contato foi em 1979 lá no Chico Xavier, em Uberaba. Nós fomos falar com ele, por curiosidade de vê-lo lá na cama e apartir dali, nós convidamos ele para vir em casa tomar um cafézinho, até mesmo em brincadeira, pois não imaginávamos que ele viria, e quando foi em 1980, ele veio em nossa casa.

ALEX - Quando criança, recordo desta rua cheia de carros estacionados, cujos proprietários estavam todos aqui em fila para ouvirem Jerônimo, como eram esses dias?

LUIZA - Quando o Jerônimo vinha aqui em casa, a porta da minha sala ficava constantemente aberta. Haviam pessoas que passavam pela rua e ao saber que ele estava aqui, entravam e eu nem via elas entrarem e saírem (risos). Então, tinham dias que haviam mais de 50 pessoas aqui nesta sala para conversarem com ele. E isso era desde o primeiro dia que ele estava aqui até o último dia. Inclusive vinham pessoas de outras cidades aqui do Vale do Paraíba para vê-lo.

ALEX - Pois é, minha avó materna mesmo se locomovia da capital para cá para ouvi-lo e vê-lo, até dormia em casa...

LUIZA - ...Então, também vinham pessoas de lá, de Taubaté...

ALEX - Com que frequência Jerônimo se hospedava aqui em sua casa?

LUIZA - Ele nos visitava de 3 em 3 meses, ás vezes até antes, dependia das palestras que eram marcadas para ele, em São Paulo, em Campinas, no Vale do Paraíba...

ALEX - ...Por estarmos no eixo Rio-São Paulo...

LUIZA - ...Isso e assim ele sempre ficava aqui e daqui ele saía para fazer as palestras.

ALEX - Sua filha Wanderléia Cristina Freire, sempre prefaciava os livros de Jerônimo, vale lembrar também que ela escreveu 3 livros - Meu Pequeno Sol (1984), Na Passarela da Vida (1985) e O Amor Tudo Vence (1986) - e nota-se um especial dele para com ela, assim para com vocês, os pais dela.

LUIZA - Ele quando nos encontrou disse que nós tivemos um contato no passado, coisa de outra encarnação.

ALEX - Eram espiritos afins.

LUIZA - Isso, e de cobranças também. Então, ele disse que em um passado muito longíquo nós estivemos juntos e por isso tivemos que nos reencontrar : ele e nossa familia.

ALEX - E seu esposo, o saudoso Wanderley, também estaria envolvido?

LUIZA - Sim, quando o Jerônimo chegou aqui, em seu primeiro dia, ao vê-lo disse "É irmão! Nós temos que cobrar muito um do outro" (risos).

ALEX - Foi esse um dos motivos do Wanderley ter trabalhado tanto para a Doutrina Espirita Cristã.

LUIZA - Também. E nas palestras todos nós íamos juntos, nós ás marcavamos e não tinhamos hora para voltar.

ALEX - Maria Gertrudes Coelho Maluf, em seu livro "Jerônimo Mendonça - Sua Vida e Sua Obra", fala sobre isso que estamos conversando, "em suas andanças pelo país, Jerônimo reencontrou pessoas que faziam parte também, de seu passado delituoso, tornando-se amigos diletos". Que legal Luiza. E vocês podem até serem alguns personagens do livro do conde de Rochester (risos). E aquela famosa história que você conta no livro da Jane Martins Vilela, a dos "Três Cês"?

LUIZA - O Jerônimo foi lá no José Arigó, neste dia ele estava com muita dor e procurou ir até lá por causa disso, para aliviar a dor que ele estava sentindo naquele momento, não para ser curado, mas para aliviar a dor. Ele ficou esperando bastante e quando chegou a sua vez, a cama dele não passava pela porta, por ela ser muito estreita. Então Zé Arigó chegou até ele e falou "Meu irmão, você tem a doença dos 3 cês : Calma, Carma e Cama" (risos) e ele levou aquilo na brincadeira. Por não passar pela porta, ele foi atendido ali mesmo (risos).

ALEX - E como era na kombi do Pico (motorista que os levava para as palestras pelo Brasil)? Era realmente uma alegria total? Era como Jerônimo dizia : "Que beleeeeza"? (risos)

LUIZA - É verdade! Assim que terminava uma palestra, o Jerônimo sempre cantava uma música e depois ele falava "Que beleza" (risos). Era aquela alegria, ele ía cantando na perua e depois voltava cantando de novo (neste momento, os olhos de Luiza olhavam distantes, era como se ela voltasse no tempo e estivesse enxergando através dos olhos espirituais, o passado em que ela feliz se encontrava no interior da kombi. Seus olhos brilhavam e transpareciam a alegria vivida naqueles tempos, era como se apenas seu corpo ficara ali naquele instante a narrar para mim estes episódios e seu espirito fora buscar essas lembranças em seu mais íntimo ser). Não haviam distâncias, era Curitiba, Londrina, Porto Alegre, Florianópolis...onde o chamavam ele iria e sempre com a mesma disposição, tanto na viagem de ida, quanto na de volta. Nós viajávamos 16 horas quando íamos para estes lugares e sempre haviam "toneladas" de pessoas o esperando para conversarem com ele, mas Jerônimo sempre estava com aquela disposição e alegria, conversava com todos. E nós colocando izordil sublingual e fazendo massagens em seu peito.


Luiza Freire

ALEX - Você tinha contato com a mãe e a irmã dele?

LUIZA - Nós íamos muito lá na casa deles. O Wanderlei, eu e toda a nossa familia dormíamos lá na 6ª feira, no sábado e domingo. Almoçávamos juntos, passávamos o dia com o Jerônimo e com as pessoas que iam vê-lo cantar. Ele adorava cantar "modas-de-viola" : Chico Mineiro, Cabocla...

ALEX - E Antusa Martins, você a conheceu?

LUIZA - Diziam que ela era o "Chico Xavier de saia". Ela era deficiente visual e muda, mas a irmã dela transmitia nitidamente o que ela falava para nós.

ALEX - Tudo em pensamento, impressionante! Elas se entendiam.

LUIZA - O que ela "falava" era exatamente aquilo, que você podia assinar embaixo. Ela era uma pessoa muito espiritualizada, muito caridosa e antes de ela desencarnar fundaram um centro espirita colocando o seu nome, até hoje existe este Centro Espirita Antusa Martins. Ela também aplicava passes. Jerônimo ía muito lá e era muito aconselhado por ela, ela dizia (através de sua irmã) que ele iria desencarnar, mas que não ficaria muito tempo no plano espiritual não, logo iria retornar.

ALEX - Chico Xavier disse certa vez "Ah! Disseram que a barca de Horemseb (personagem do livro "Romance de uma Rainha" que fora Jerônimo Mendonça naquela encarnação) está voando pelo Brasil". E semanas depois, Jerônimo voava pela primeira vez de avião para proferir uma palestra. Chico sempre dava esses tipos de revelações pra vocês?

LUIZA - Sempre, ele revelou muitas coisas para Jerônimo sobre o passado dele, para que ele pudesse aceitar aquela cama, pois de início foi muito difícil para ele aceitar que aos 30 anos já havia passado por muletas, cadeira de rodas e enfim, a cama. Então, no começo ele se quis rebelar, mas o Chico mostrou muitos quadros dessas encarnações para ajudá-lo.

ALEX - Chico quando via Jerônimo até dizia "Todas as vezes que te vejo, eu tenho vontade de reler o "Romance de uma Rainha" (vale a pena ler este livro da médium russa Wera Krijanowrski, pelo espirito John Wilmot, conde de Rochester). E ainda falando de Chico e deste livro, ele falou que 75% dos personagens desta obra, encontravam-se reencarnados no Triângulo Mineiro. E ele afirma que este local é uma réplica da Mesopotâmia. Lá a fertilização da Terra era uma dádiva das cheias do Nilo e Eufrates, enquanto que no Triângulo Mineiro, a fertilização do solo é consequência do encontro dos dois rios : Rio Grande e Paranaíba, que drenam essas terras por baixo, tornando-se assim tão férteis. Alguma vez Jerônimo ou Chico, por saberem que vocês residiam no Vale do Paraíba, comentaram algo á respeito de nossa região?

LUIZA - A única coisa que ele falava aqui de nossa região era em relação á Doutrina Espírita, que ele não se conformava de as casas espiritas daqui terem férias e terem cursos tão longos. Ele dizia que um bom espirita com uma semana de Espiritismo, já tinha condições de trabalhar, dizia ele que nós aqui perdíamos muito tempo : 2 anos, 3 anos fazendo cursos, sendo que nós já poderíamos estar trabalhando.

ALEX - Coronel Ferrarini, o senhor Wilton Franco, o cantor e rei Roberto Carlos, dentre outros; eram amigos de Jerônimo, chegavam á doar milhões de cruzeiros para as obras de caridade. Porém, Roberto Carlos era o mais íntimo dentre eles. Fale um pouco para nós dessa amizade que ultrapassava encarnações.

LUIZA - Quando o Jerônimo estava aqui em casa, O Roberto Carlos ligava para ele constantemente para conversarem. Inclusive, ligava dos Estados Unidos e ficavam muito tempo se falando. Certa vez, ele ligou pedindo conselho ao Jerônimo para terminar a letra de uma música que ele iria gravar.
    Quando o Jerônimo ía no show do Roberto, ele ía no camarim dele e ficavam cantando, brincando e conversando muito, foi aí nesta amizade que o Roberto nos ajudou na doação dos bancos, todos os bancos de nossa Comunidade Espirita Maria João de Deus foram doados por ele. Era uma amizade de outra vida, era uma amizade muito linda que existia entre eles.
     O Coronel Ferrarini também, o Jerônimo chegou a fazer umas três palestras lá sobre alcoolismo. E o Wilton Franco, o Jerônimo chegou a ir no programa dele na televisão. Ele tinha boas amizades.

ALEX - Você falou sobre o Roberto pedir inspirações para criar músicas, em nossa conversa (antes de ligar o gravador) você citou canções como "A Montanha", "Jesus Cristo"...

LUIZA - O Roberto Carlos falava assim "Meu irmãozinho, estou precisando de uma inspiração aqui". Os dois iam conversando, conversando e dali Jerônimo dava uma inspiração para ele, pois Jerônimo era uma pessoa muito sensível. Um exemplo? Se o Jerônimo estivesse aqui nesta sala e você já havia tido contato com ele alguma vez, ao entrar aqui nesta sala, antes de se aproximar de sua cama, ela já dizia seu nome. Isso aconteceu muitas vezes aqui em casa, pessoas que já tinham contato com ele, nós não precisávamos nem falar nada, a intuição dele já lhe falava.

 ALEX - Era a vista da alma! Mesmo sendo deficiente visual, ele enxergava. 

LUIZA - As pessoas ficavam até "bobas" : "Mas como ele sabe que eu cheguei aqui?"

ALEX - Um outro exemplo é quando ele dizia "Leia uma página do livro tal que está em sua mão, por favor". Sua vista espiritual alcançava objetos á distância.

LUIZA - Ele tinha muito desdobramento, ele se via em muitos lugares, ele tinha essa sensibilidade muito aguçada e falava coisas ás pessoas que elas se espantavam "mas como você sabe disso? Eu nem comentei nada com você!" e ele sempre brincava "Ah! Foi um passarinho que me contou" (risos).

ALEX - Você também conheceu Luiz Antonio Gasparetto?

LUIZA - Também, só que nós não tivemos um contato muito amplo com ele, foi apenas uma vez.

ALEX - E com o Divaldo?

LUIZA - Muitas vezes. Quando ele ía lá várias vezes no Chico Xavier.

ALEX - Mais alguém?

LUIZA - Raul Teixeira, Therezinha de Oliveira, de Campinas. Tínhamos muitos contatos com vários palestrantes através do Jerônimo, mas o que mais tínhamos contato era o Divaldo Pereira Franco.

ALEX - É verdade que todos os dias vocês faziam o Culto do Lar ás 19 horas?

LUIZA - Todos os dias na casa dele e quando havia alguém com ele, pedia para ler o Evangelho, dar alguma explicação do que leu. Sempre haviam vizinhos ou amigos que iam fazer o Evangelho no Lar com ele. Ele também fazia a Ave Maria pela rádio todos os dias ás 6hs da tarde...

Jerônimo na Rádio
ALEX - ...Na Difusora de Ituiutaba não é? Até os presos paralisavam suas atividades neste horário para o ouvirem. Que maravilha né Luíza! Ele sabia usar os meios para a divulgação.

LUIZA - Ele também fazia campanhas pelo telefone para arrecadar cestas básicas para os necessitados. Ele fez muitas campanhas pelo telefone. E fez várias palestras em presídios, inclusive em Araraquara e uma vez em São Paulo. Os presos tinham muito carinho por ele. Além de palestra, ele cantava para os presos, levava e distribuía mensagens para eles e nós chegávamos a ir com Jerônimo.

ALEX - Como era pra você ter que massagear e até colocar pesos sobre o peito de Jerônimo, para aliviar suas dores?

LUIZA - Quando ele dormia! Pois ele tinha anjina (uma dor muito forte no meio do peito) e ás vezes quando esta dor estava muito intensa, ele não dormia a noite toda. Tinha que sempre dar exordil e fazer massagens em seu peito para que pudesse ser aliviada a dor dele.

ALEX - Ás vezes ele pedia para que sentassem em seu peito?

Com o peso sobre o peito

LUIZA - Ele pedia para colocarem dois pesos de areia que ele tinha na casa dele e até levávamos estes saquinhos em nossas viagens, para quando a dor ficasse muito forte. Ele até brincava com sua irmã "Ah Eurídece, senta aqui no meu peito" e ela sentava (risos).

ALEX - Quando dormia, ele pegava no sono apenas de 40 a 50 minutos por dia. E sua pressão arterial era de 19x0?

LUIZA - Certa vez em Campinas ele teve nevralgia do trigêmeo (também conhecida como tic douloureux - Numa escala de dor, dizem que esta é a pior dor que um ser humano pode sentir), ele ficou internado vários dias lá e os médicos vinham visitá-lo para medir a pressão dele, até que um doutor chegou nele e disse "Jerônimo, você é a prova de que realmente Deus existe, porque não existe condição de um ser humano viver com a pressão arterial que você tem, sua pressão é zero!" Isto não existe e por 30 anos deitado em uma cama, ele nunca teve um escarne, uma ferida no corpo...

ALEX - ...Isto é o que eu iria lhe perguntar, sobre feridas.

LUIZA - Ele nunca teve nada, seu corpo era todo "limpinho".

ALEX - O que foi pra você cuidar de Jerônimo?

LUIZA - Foi uma experiência muito grande, inclusive agora eu cuidando de minha mãe 24hs por dia (ela aponta dona Benedita, que esteve durante toda a nossa conversa ao nosso lado, ali na sala deitada na cama) ás vezes eu até quero reclamar "Puxa! Eu não durmo." Aí eu lembro de quando eu ficava a noite inteira em claro com Jerônimo e ele era um amigo, já ela (aponta novamente para dona Benedita) é minha mãe.

ALEX - Jerônimo foi então uma espécie de preparação.

LUIZA - Sim. Uma vez eu estive no centro espirita da irmã dele, que era uma médium muito responsável e uma vez ao dar um passe em mim, ela falou "Coragem minha irmã, coragem! Pois suas mãos irão ser liberadas para o trabalho. Você vai precisar de muita coragem e muita força". Então talvez seja isto aí, né! Eu tinha que estar sempre junto dele nas palestras e ajudando-o.

Corpo em "S" de Jerônimo

ALEX - Minha mãe dizia que você constantemente limpava os olhos dele.

LUIZA - Limpava constantemente, escovava os dentes dele, cortava o cabelo, dava banho, fazia massagens, pingava colírio e inclusive uma vez foi muito interessante; ele pediu para eu colocar colírio nos olhos dele e aí ao invés de pingar colírio, coloquei remédio de dor, analgésico, aí ele falou "Nossa Lú - ele me chamava de Lú - os meus olhos estão estranhos, estão doendo". Aí eu percebi o que havia colocado e não queria falar para ele. "Mas eu coloquei colírio Jerônimo". Eu acordava com tanto sono durante a madrugada que ás vezes eu fazia dessas coisas por engano. Eu já escovei o dente dele com pomada ao invés de creme dental e assim por diante, fazia coisas extravagantes (risos).

ALEX - Eu sei bem o que é isso (risos), já escovei os meus dentes com hipoglós (risos). E voltando á falar de Chico Xavier, o que ele e Jerônimo deixaram em seu coração?


Jerônimo com Luíza na Tv Manchete
LUIZA - Pra mim, o Chico Xavier depois de Jesus, foi o espírito mais evoluído que passou na Terra, pois quando você chegava perto dele, pensava mil coisas para dizer á ele, mas ao se aproximar não era necessário dizer nada, ele falava tudo pra você.
     Se eu fosse contar todas as histórias que eu tenho de Chico Xavier, as fitas deste gravador (aparelho que utilizamos nesta conversa) seriam poucas. Eu tenho muitas histórias e passagens do Chico que eu presenciei por visitá-lo muito lá em Uberaba. Todos iam embora e nós ficávamos até de madrugada com aquela "turminha" conversando com ele. E Jerônimo foi um espirito também muito evoluído que me ensinou muito, vou dizer particularmente á mim, porque antes de conhecê-lo, eu não sabia nem quem era Jesus, digo isto com toda sinceridade, pois eu era muito materialista e nem sabia o que era caridade. Então, graças á Jerônimo que eu aprendi o que é o Bem, o que é Jesus. Existe a Luíza antes e a Luíza depois, por isso agradeço até hoje pelos ensinamentos que ele deixou para mim.

ALEX - Agora um Pinga-Fogo com você vizinha :

Espiritismo - É tudo na minha Vida, é Chico Xavier, é Jesus.
Reencarnação - Acredito plenamente.
Jerônimo - Que beleza! (risos)
Chico - Depois de Jesus, é ele.
Deus - É Amor, é Carinho, é Presença Amiga em todos os momentos de nossa Vida.

ALEX - Para finalizarmos nossa conversa, deixe aí uma mensagem aos leitores de nosso blog.

LUIZA - Todos nós temos que ter um caminho na Vida, uma Religião. Acreditar em alguma coisa, seja qual for a religião, nós temos que acreditar. Só assim teremos um pouco de paz, felicidade e fé. Temos que ter Deus no coração. Mas não adianta apenas ter religião, mas também ler bastante para se instruir. Então, principalmente os jovens, busquem isso, o que é Deus? Quem é Jesus? O que é fazer caridade? O que é ter Luz no coração? Senão iremos parar no meio do caminho ao invés de seguir em frente. Tenham muita fé e muita confiança em Jesus.

Alex Guimarães e Luíza Freire


Em homenagem á Luíza Freire e Jerônimo Mendonça

SER ESPÍRITA, QUE BELEZA!

Eu não era Espírita


Mas quando criança, lembro da rua de casa,
Carros enfileirados, até sobre a calçada,
Uma fila enorme de gente,
Tinha católico, idoso e doente,
Todos queriam receber um amparo
de um homem apelidado "Gigante Deitado"


Eu não era Espírita


E minha avó também não era,
A mãe de minha mãe Vera,
Lá da capital se locomovia,
Para fazer de nossa casa hospedaria,
Para no dia seguinte ouvir uma palavra,
Do Jerônimo que ao lado de nossa casa,
Muito bem acolhido por nossa vizinha,
Passava longos dias com a Luíza.


Eu não era Espírita


Mas aquela mulher se fazia exemplo
De cristã quando ao relento
Havia um homem batendo á sua porta,
Barbudo e de cobertor nas costas,
Ele não ganhava apenas roupa e pão,
Mas uma Palavra ao coração.
Era comum ver sua campainha tocando
E depois um mendigo saltitando,
Pela caridade ali recebida
Da filha da dona Benedita.


Eu não era Espírita


Mas fui crescendo e aprendendo,
Sempre olhando aquele lar,
Que acolhia os pobres e o Gigante,
Que também chegou á morar,
E quando eu tinha 8 anos,
Jerônimo veio á desencarnar,
Luíza, Léia, Wanderley, a família toda,
Foram no seu enterro em Ituiutaba,
E eu por ser muito criança,
Hoje não lembro de nada.
É uma pena! Pois com toda a certeza,
Seria tão bom recordar dele falando-me : Que beleza!


Eu não era Espírita


Até padre eu queria ser,
Mas na reencarnação eu não deixava de crer.
Os espíritos sempre foram parte de minha vida,
Então, que católico eu seria?
Até que comecei á ler e estudar,
E a Doutrina Espírita comecei á amar:
Kardec, Chico, León Denis,
Emmanuel, Meimei, André Luiz.


Agora eu sou Espírita


Li os livros de Jerônimo,
Seus ensinamentos deram-me novo ânimo,
Minha mãezinha, minha irmã e Luíza,
Também falaram muito dele para mim,
E como que buscando algo nos arquivos da alma:
Até que éramos espiritos afins.


Agora eu sou Espírita


Jerônimo mesmo deitado,
Mostra que não é um coitado,
E a Fórmula da Felicidade,
É o que Luíza fez nesta caridade,
De cuidar deste homem acamado,
Que por Jesus fora tão apaixonado.


Agora eu sou Espírita


Á cada dia que aprendo algo novo,
Apaixono-me mais,
É como se descortinasse um horizonte,
Que eu não enxergasse jamais.


Agora eu sou Espírita


Mas lendo as obras do Gigante,
E analisando sua biografia,
Vejo quão é importante,
Tudo aquilo que ele dizia.


Agora eu sou Espírita


E se eu viver como ele vivia?
Eu daria seu exemplo de ser cristão?
Suportaria tudo sem rebeldia?
Eu diria de ante-mão,
E até me atreveria
Do fundo do coração,
Á dizer que eu ainda...


Não Sou Espírita.


Alex S. C. Guimarães, junho de 2011


   

21 de julho de 2011

64 - SÉRIE JERÔNIMO

     Olá irmãos e irmãs, apartir de hoje iremos fazer uma série de postagens sobre Jerônimo Mendonça, nesta primeira iremos falar resumidamente sobre o Gigante Deitado, exatamente como foi falado na gravação do video que fizemos sobre ele no quadro "Aconteceu na História do Espiritismo" do Programa Visão Espírita na TV. Este video em que estamos comentando irá ao ar no dia 31 de julho de 2011, no Canal Net, ás 10:30hs da manhã (Canal 3 e 95) e ás 22hs (Canal 10 - São José dos Campos e Jacareí; Canal 21 - Taubaté e Caçapava), mas o video já está postado abaixo, confiram :


    
     A segunda postagem da série será uma entrevista que fizemos com Luíza Freire, amiga íntima que cuidou de Jerônimo e viajou com ele pelo Brasil todo, ela é moradora do Jardim Satélite, São José dos Campos-SP. E na terceira postagem será outra entrevista, com o escritor e orador espirita Jamiro dos Santos Filho, autor do livro "Chico Xavier e Jerônimo Mendonça - A Fórmula da Felicidade".

     É bom também ressaltar que entre as 10 postagens mais vistas entre as quase 70 que temos, estão duas que postei no último dia de outubro/10 e no primeiro dia de novembro/10, que são sobre o Jerônimo. Na primeira fizemos uma breve biografia dele, citando livros e fotos, na outra disponibilizamos ao leitor uma palestra raríssima em video que o médium fez em Maringá-PR. Vale a pena conferir clicando nos links

2 - http://alexscguimaraes.blogspot.com/2010/11/19-palestra-de-jeronimo.html

     SOBRE O PROGRAMA DO JERÔNIMO

     Em maio de 2011 fui convidado pelo casal amigo Nelson e Rosana Borges para estrear no programa 'Visão Espírita' um quadro novo, chamaria-se "Aconteceu na História do Espiritismo" e eu deveria desenvolver um texto com imagens sobre algo que ocorreu na história espírita ou sobre um vulto da Doutrina. Elaborei três textos, um sobre o caso das Irmãs Fox, outro sobre Bezerra de Menezes e um terceiro sobre o Batuíra, até que o quarto eu senti que deveria ser especial, não o diferenciando dos demais, mas percebi que deveria elaborar melhor do que os 3 primeiros, pois eu achava que ainda não estava bom e que talvez não atenderia as expectativas dos produtores com o texto que havia feito nos primeiros, pois eu havia conseguido poucas imagens sobre os temas e quando pensei em fazer um quarto tema sobre o Jerônimo Mendonça (alguém que eu sempre tive um carinho todo especial, depois de Chico Xavier), logo lembrei "dele possuo um vasto material de informações e imagens, este tema será melhor para elaborar". Peguei alguns livros e comecei a analisar as fotografias contidas em suas páginas, mas naquele momento senti uma necessidade em lê-los novamente, mesmo sendo que o quadro teria apenas poucos minutos para se falar sobre ele e assim sendo teríamos pouco tempo para passar tais informações, mas mesmo assim quis relê-los. Comecei com "O Gigante Deitado", de Jane Martins Vilela, depois li um do próprio Jerônimo, o "Crepúsculo de um Coração" e depois desses dois livros, pensei em minha vizinha Luiza Freire que sempre o hospedou em sua casa quando o Gigante viajava no eixo Rio-São Paulo, ela como grande amiga e irmã de Jerônimo, que cuidou dele por tanto tempo e com tanto carinho, poderia falar um pouco mais dele para mim.
    
     Dia seguinte : Amanheceu, era uma quinta-feira de maio e não lembro ao certo o que havia sonhado naquele noite, mas recordo da imagem de Jerônimo deitado em uma cama com a Luiza ao seu lado, cuidando dele, eu entrava em sua casa e ambos sorriam para mim, ele estava sem óculos e seus olhos eram normais, ao olharem para mim eu percebi que eu era o Alex de hoje, não aquele menino de 8 anos que o visitava com minha mãe e minha avó. Não consegui recordar de mais nada ao acordar, mas senti ao longo do dia uma sensação de paz e conforto, seria o encontro com eles? Na noite anterior eu pensara muito se eu iria falar com ela ou não. Seria por isso que sonhei com ela? Eu desde pequeno nunca conversei com ela sobre Jerônimo, seria incômodo falar com ela agora sobre isso? Deixei de ficar indagando comigo mesmo e fui até sua casa, ao chamá-la contei-lhe que desejava falar sobre o Jerônimo no programa e que gostaria de falar com ela algumas coisas sobre ele, para não equivocar-me sobre nada. Ela marcou comigo para o sábado á tarde e emprestou-me um livro, o "Jerônimo Mendonça - Sua Obra e sua Vida" de Maria Gertrudes, falou que enquanto não conversávamos, eu poderia lê-lo. Aceitei-o e pensei comigo "acho que é para eu reler todos os livros sobre o Jerônimo mesmo" e assim o fiz.
    
     Sábado cheguei do serviço e fui até sua casa, havia "engolido", ou melhor "digerido" o livro emprestado, além de outros sobre o Jerônimo naqueles dois dias de intervalo entre nossa conversa. Chamei novamente a Luiza e comigo eu levava meu gravador que já havia sido um grande companheiro em conversas com outros médiuns, rendendo-me boas entrevistas, poderia sim de nossa conversa ali naquela tarde gerar uma entrevista para o blog. Após chamar-lhe pela segunda vez ela aparece na porta, pede para que eu entre e ao passar pelo portão senti algo diferente, era uma vibração muito boa subindo-me dos pés á cabeça. Ao entrar em sua casa, a primeira coisa que ela disse foi "aqui estão alguns livros", mostrando uma prateleira na entrada da casa e ao chegarmos na sala, onde pediu-me para sentar-se ao seu lado, eu senti uma presença conosco, seria Jerônimo? Não sei, era muito boa e fazia o ar ficar leve. Ao sentar-me avistei dona Benedita, a mãe de Luiza, deitada numa cama próxima da janela, era a mulher que tanto ajudara-me em minha infância com seus conselhos e preces, minha mãe sempre levava-me até sua casa. Agora a centenária Benedita estava "presa" á uma cama e Luíza estava ao seu lado cuidando dela, aquela cena lembrou-me o Gigante e minha vizinha, é uma pena que esta imagem foge de minha mente, pois as únicas coisas que eu lembro dos tempos em que Jerônimo visitava nossa rua, são os carros enfileirados e estacionados nas calçadas, filas de gentes entrando na casa da Luiza e minha mãe com minha avó, vinda de São Paulo, comentando algo sobre o médium.
    
     Voltando á visita á Luiza, ela sentou-se ao meu lado e estendeu a mão em minha direção dizendo "este é um presente pra você", era um livro de Jerônimo, o "Cadeira de Rodas", não era um livro re-editado, era do ano de 1989, estava até com o cheirinho de tempos passados, eu diria como Jerônimo "que beleza!". Como um simples presente tornou-se para mim uma riqueza e alegria imensa, eu fiquei muito feliz com aquele livro, ele tinha tanto significado para mim naquele momento. Emocionado ainda com aquele livrinho em mãos, Luíza pega outro livro e diz "este vou emprestar para você, é o "Chico Xavier e Jerônimo Mendonça - A Fórmula da Felicidade", ali percebi que algo estava ocorrendo por de trás de toda esta preparação para o programa sobre o Jerônimo, pois algo dizia para eu reler os livros dele ou sobre ele. Ao mesmo tempo pensava comigo "por que estou fazendo tudo isso se o programa terá menos de 4 minutos? É só eu resumir sua biografia e pronto!" mas uma força maior empurrava-me a buscar cada vez mais maiores informações acerca de sua vida e sua obra, o interessante é que cada página que relia, era como se fosse a primeira vez, pois muitas vezes não recordava de já ter lido aquilo um dia, a cada linha do livro eu sentia-me preenchido por uma alegria e uma paz que há tempos não sentia, era como se a própria Paz em espírito fazia-me companhia naqueles instantes.
    
     Voltando á casa da Luíza, começamos a conversar e nosso diálogo foi se extendendo, liguei o gravador e começamos á registrar tudo (o resultado de muito do que falamos estará na próxima postagem, onde á transformamos em uma entrevista), enquanto conversávamos era como se Jerônimo quieto e de canto á nos observar, nos escutava feliz por ver o nosso carinho com o qual falávamos dele, algo irradiante pairava sobre nós e o tempo não foi visto passar enquanto ficamos sentados ali naquele sofá. Até que chega sua filha Wanderléia, alma tão querida e amiga que Jerônimo sempre falava, e que fazia questão de que ela prefaciasse seus livros, a vibração aumentou mais ainda com aquela presença e o assunto ali naquele momento passou a ser minha mãezinha desencarnada, quanta emoção sentida, era como se estivéssemos todos reunidos, até mesmo Wanderley, o marido desencarnado de Luíza que tanto colaborou com Jerônimo e na obra da Comunidade Maria João de Deus, de São José dos Campos-SP. Mas foi chegada a hora de despedir-se e saí dali "volitando" pela rua, cheguei em casa e com o mesmo carinho que até então preparava todo o programa do Jerônimo, peguei uma caneta, um caderno e comecei a ouvir a nossa conversa gravada á pouco, copiando assim para a folha o que eu ouvia no gravador. Após copiar tudo, antes de deitar-me comecei a reler os livros que Luíza emprestara-me e o outro que ele me deu, dormindo assim em paz e com muita luz no coração.
   
     É chegado o dia da gravação, dias antes já havia enviado todo o texto elaborado ao casal Nelson e Rosana Borges, eles adoraram e por ser a primeira vez em que eu estaria de frente á uma câmera de televisão, ali sozinho falando de algo em que se pedia tanta responsabilidade, confesso que estava muito ancioso e com medo, lembrei-me de Chico Xavier quando estava se preparando para ir ao Pinga-Fogo na Tv Tupi, naquele momento ri de mim mesmo "O Chico estava indo para a Tupi, ao vivo, estaria cercado de entrevistadores, teria que responder as mais variadas perguntas, seria posto á prova...que comparação! Por que estou com medo?" Naquele momento fiquei mais tranquilo, mas durante o dia todo até chegar a hora de locomover-me ao estúdio da gravação, tudo que se podia ocorrer para atrapalhar minha ida até lá ocorria, muitos obstáculos apareceram pelo caminho, mas durante o dia todo sentia uma presença amiga comigo, como que a encorajar-me e dizer-me "Paciência". Até minutos antes de sair de casa, exatamente quando fui escovar os dentes, já vestido com a camisa que iria estrear justamente na gravação, derramei toda a pasta de dente nela, fiquei apavorado e aquela vozinha dizia "Paciência", era como ela estivesse calma e "tirava sarro" de meu nervosismo, mas tentava ajudar-me. Ao chegar na rua do estúdio eu não encontrava lugar para estacionar e antes de ouvir novamente a voz eu disse "Já sei, paciência" e rindo da situação desci do carro e subi correndo ao estúdio, ao passar pela porta de onde seriam feitas as filmagens, pedi á aquela voz que me acompanha-se para que eu ficasse tranquilo e que nada de errado ocorrese, pois ao ver as câmeras posicionadas, minhas pernas deram uma "cambaleada".

     Nas primeiras gravações eu ainda estava um pouco eufórico e falei o texto rápido demais, mas deu tudo certo e quando chegou o quarto texto (o de Jerônimo) senti algo diferente no ar, uma paz invadiu meu ser e antes de começar a falar, olhei para o lado direito das câmeras, onde se encontrava o casal, e ao olhar para o Nelson, senti que havia algo á mais ali naquele momento, o Marcos deu-me as últimas instruções e comecei a falar, eu não sei explicar o que eu sentia naquele instante, mas era algo diferente, uma emoção muito forte e sabia que ali estava sendo muito bem amparado por alguém e ao término da gravação senti uma vontade de chorar, era como que se Jerônimo estivesse ali e agradecesse pelo carinho que prestei durante a preparação daquele singelo quadro dedicado á ele, que ali estava se concretizando e se finalizando depois de semanas de leituras, textos, pesquisas, conversas...realmente fora tudo preparado com muito respeito, carinho, seriedade e responsabilidade.

     Ao tirar o microfone da camisa, olhei para o Nelson e ele estava chorando, a Rosana também estava emocionada e ao dar um abraço bem apertado no Nelson, sem que eu dissesse nada do que ocorrera comigo em todos os dias anteriores, ele falou-me ao pé do ouvido "Jerônimo está aqui, eu sinto isso" a emoção tomou conta de novo e fiquei muito feliz com aquele comentário, enquanto tentávamos falar mais algo, senti como se ele havia passado por entre nós e Nelson antes de abrir a porta afirmou novamente balançando a cabeça "ele esteve aqui, pode ter certeza" e sem palavras saímos do estúdio.

     Agora escrevendo estou emocionando-me de novo, não sei o que você caro leitor possa estar pensando de tudo o que acabara de ler nestas tantas linhas que escrevi sem parar, mas para mim tem um significado muito grande tudo isso e é algo que irei guardar para o resto de minha existência, pode ser que até assistindo ao video você não sinta nada, mas gostaria que você ao ler sobre Jerônimo, ao ouví-lo, ou ler algo que ele escreveu, possa sentir essa mesma emoção e que lembremos sempre do exemplo que ele deu enquanto aqui esteve e que á sua maneira consigamos também ajustar nossos débitos de outras existências, que seguindo seus passos consigamos quitar as nossas dívidas anteriores também nesta encarnação. E que no final de tudo digamos assim como ele : Que beleeeeza!

     Perdoe-me ter escrito tanto. Abaixo está o texto em que eu fiz para a gravação sobre sua vida e sua obra, mas o resumi no programa pelo pouco tempo disponível que tínhamos. O início do texto não é meu, foi-me enviado por um amigo que pesquisou na internet e encontrou este belíssimo primeiro parágrafo. O legal do video é que foram colocadas várias fotos do que se diz no texto. Um abraço fraterno á todos vocês.

Alex S. C. Guimarães

    
     Imagine você, um homem totalmente paralítico, num leito há mais de trinta anos, sem mover nem o pescoço, cego há quase vinte anos com terríveis dores no peito, necessitando o peso de quilos de areia para suportar as dores.
     Esse homem foi Jerônimo Mendonça, mais conhecido como o “Gigante Deitado”,  um homem que devido as dores dormia de 40 a 60 minutos por dia, sendo um desafio á Medicina, por ter sua pressão arterial medida em 19 por 0, provando assim que realmente Deus existe.
     Perambulou o Brasil todo proferindo palestras, atendendo pessoas, incansavelmente e sem reclamar. Sua própria mãe dizia “Meu único filho que não anda, é o que menos para em casa”. Muitas vezes visitava São José dos Campos, onde se hospedava na casa de Luisa Freire, uma colaboradora da Comunidade Espirita Maria João de Deus, fundada pelo próprio Jerônimo.
     Nascido em Ituiutaba, Minas Gerais, no primeiro dia de novembro de 1939, ele cresceu como uma criança qualquer, mas já sentia algumas dores nos ossos. Tornou-se protestante e realizava lindas pregações evangélicas, mas entre seus 14 e 15 anos, sua avó materna desencarnou e ele não se conformava com o que sua Igreja dizia em relação ao destino dos mortos. O Pastor explicava-lhe que somente os que serviam a sua religião, entrariam no reino dos Céus. Sua avó querida estaria condenada para sempre? Se Jerônimo continuasse sua trajetória na Igreja Presbiteriana, seria um ótimo pastor, mas questionador como era, o jovem Jerônimo foi buscar respostas com um amigo vizinho chamado Gabriel da Rocha Galdino, que o levou ao Grupo Espirita Amor Fraterno, lá ele encontrou suas respostas e começou a fazer parte da mocidade, onde realizava peregrinações, mesmo com seus tornozelos inchandos.  Certo tempo depois, ele começou a se encontrar com Chico Xavier, que lhe advertiu para que se preparasse para sua missão na Terra, através da evangelização, mas que aos poucos, perderia todos os movimentos do corpo e também a visão, e que fizesse bom uso das palavras. Então, eis que não demorou muito e ele se viu em uma cadeira de rodas. Em seguida a cama ortopédica, que acompanhava o contorno de seu corpo cada vez mais deformado, chegando a formar um “S”. Mesmo assim ele continuava sua missão, escreveu 6 livros (Crepúsculo de um Coração, Quatorze Anos Depois, De Mãos dadas com Jesus, Nas Pegadas de um Anjo, Escalada de Luz e Cadeira de Rodas), gravou dois discos, "Intimidade Espírita" e "Obrigado Senhor", este último até inspirou o cantor Roberto Carlos, o Rei e amigo íntimo de Jerônimo, a gravar a música “A Montanha”.
     O Gigante Deitado também tinha um programa de televisão, o "Atualidade Espírita" e uma de rádio na Difusora de Ituiutaba, o "Ave Maria" onde centenas de presos na cadeia pública paralisavam suas atividades todos os dias, ás 18horas para ouví-lo.  Além de fundar várias obras pelo Brasil, destacamos a Casa da Sopa Jerônimo Mendonça em São José dos Campos e em  sua cidade o Centro Espirita Seareios de Jesus, a Gráfica Cairbar Schutel e por fim seu grande sonho, a creche “Lar Espirita Pouso do Amanhecer”.
     Em 26 de novembro de 1989 ele cumpre sua missão, resgatando todos os seus débitos de encarnações anteriores, ele tornara-se um Pássaro Livre.

     Um livro interessante sobre suas vidas anteriores é o "Asas da Liberdade" que foi escrito pelo próprio Jerônimo Mendonça, porém em espírito, pois este é seu primeiro livro póstumo e que ele enviou do além-túmulo através da psicografia da respeitada médium Célia Xavier de Camargo, no livro fala do mesmo Cambises, que também é relatado no livro "Romance de uma Rainha" do espirito John Wilmot, conde de Rochester, e que o próprio Chico Xavier revelou á Jerônimo que ele fora os personagens principais deste romance escrito pela médium russa Wera Krijanowrski , que psicografou esta obra há tanto tempo. Fatos como estes relataremos na próxima postagem em entrevista com Luiza Freire que comenta sobre essas conversas dele com Chico. Maria Gertrudes Maluf Coelho em seu livro também dedica um capítulo especial ás encarnações anteriores de Jerônimo.

     Jerônimo teria sido o príncipe Horemseb? Depois teria voltado como Emil, Cambises, Luis II? Quem seria Tadar, Richard Wagner, Aménofis, Najla...? Chico Xavier, Roberto Carlos, Luísa Freire, Wanderley? Estes personagens se reencontraram nesta encarnação para se quitarem entre si? E aqueles á quem ele fez tantas maldades: Ahmin, Nefert, Esmérdis, Botijo, etc...acompanhariam-no nas sucessivas reencarnações? Maria Gertrudes escreve em seu livro que Jerônimo "sentia assédio de espiritos que lhe cobravam as dívidas do passado remoto...o espirito daquela que nunca o perdoara, jamais lhe deu tréguas. O fluído desta entidade se manifestava no calor anormal que ele sentia, principalmente na face esquerda, obrigando-o a ficar com o ventilador sempre ligado, mesmo durante o inverno."

     O próprio Chico disse certa vez para Jerônimo parar de se achar o "coitadinho" e depois de uma conversa entre ambos, o Gigante entendeu o porque de estar ali deitado naquela cama e assim cumpriu sua missão com paciência e resignição, completando-a de forma magnífica, tornando-se assim em realmente : o Pássaro Livre, libertando-se da cama, da cegueira, da imobilização, das dores e dos débitos! 

Algumas fotos de Jerônimo:


Casa Espirita em que ele iniciou seus trabalhos ainda jovem

Ainda jovem com os tornozelos inchados
Na Cadeira de Rodas
Quase cego


31 de outubro de 2010

18 - O GIGANTE Deitado

     Recordo-me de minha avó materna chegando de São Paulo para dormir em nossa casa, em São José dos Campos, pois no dia seguinte juntamente de minha mãe iriam até a casa de nossa vizinha : Maria Luiza Freire (a Lú) e sua mãe Dona Benedita, ver e ouvir Jerônimo Mendonça, exemplo de paciência e amor ao próximo, coragem e determinação no bem.
     
     Paralisado numa cama ortopédica por 30 anos, movendo apenas a boca e os olhos – embora também cego – tornou-se conhecido como o Gigante Deitado, face ao tamanho de seus exemplo e à extensão de suas obras em torno do ideal espírita e do amor ao próximo. Embora com extrema limitação física publicou vários livros, fundou instituições e percorreu o Brasil proferindo palestras, concedendo entrevistas em rádio e televisão, consolando almas e fazendo amigos; nossa vizinha foi uma dessas que ele conquistou, acabando por acompanhá-lo e cuidá-lo nos últimos anos de sua vida aqui na Terra, que foi em 26 de novembro de 1989, 25 dias depois de completar 50 anos.

     Luiza, a mesma da 1ªfoto desta postagem (durante uma entrevista de Jerônimo á extinta Rede Manchete) e sua mãe, é nossa vizinha até hoje e é uma pena que quando o "Gigante Deitado" desencarnou, eu possuía apenas 8 anos e não tenho nenhuma memória dele, apenas uma vaga lembrança dos automóveis e pessoas chegando em nossa rua, mas dou graças á Deus por mesmo sem recordar, tê-lo conhecido pessoalmente, pois hoje sou um admirador de suas obras e ensinamentos (na próxima postarei publicaremos um video raro dele proferindo uma palestra em Maringá-PR).

     Este vulto espírita fundou diversas casas e obras por todo o Brasil, iremos relacionar aqui apenas algumas : uma é a Comunidade Espirita Maria João de Deus (onde Luíza participa) e a Casa da Sopa Jerônimo Mendonça (ambas em São José dos Campos-SP). Em Ituitaba-MG, sua terra natal, destacamos o Lar Espirita Pouso do Amanhecer, o Centro Espirita Seareiros de Jesus, a Gráfica Espirita Cairbar Schutel e dentre outros.

     Sobre os livros, foram seis : Crepúsculo de um Coração, Cadeira de Rodas, Nas pegadas de um Anjo, Escada de Luz, De mãos dadas com Jesus e Quatorze anos depois (em co-autoria). Por sua vez, Jane Martins Vilela publicou a importante obra biográfica "O Gigante Deitado", pela Editora 'O Clarim', onde cujas 3 fotos desta postagem foram retiradas deste livro. E Maria Gertrudes assinou "Jerônimo Mendonça – Sua Vida e sua Obra", tendo organizado também "Flores do Coração", de autoria de Jerônimo. Recentemente, a Petit Editora lançou o excelente "Asas da Liberdade", na psicografia de Célia Xavier Camargo e assinado pelo mesmo e querido Jerônimo, continuando sua missão além túmulo.



      O escritor e palestrante Jamiro dos Santos Filho, de Araguari-MG, lançou mais uma obra alusiva a esse expressivo vulto do movimento espírita: "Chico Xavier e Jerônimo Mendonça – a Fórmula da Felicidade", pela Mythos Books. Para aquele em que a felicidade seria virar de lado (em resposta à pergunta sobre o que seria a felicidade para ele), a obra apresenta a fórmula da felicidade, revelada por Chico Xavier a Jerônimo, quando ambos ainda se encontravam encarnados, e que este último citou numa palestra. Agora o escritor Jamiro publica a fórmula no referido livro.


     Sua voz forte, seu ânimo inquebrantável, apesar das dores que sentia em função de problemas cardíacos e da própria paralisia total dos membros, fizeram-no conhecido, respeitado, querido e sempre requisitado para palestras e diálogos com grandes ensinamentos, incentivando obras de causas sociais e de divulgação do Espiritismo.
    
     Para qualquer pessoa que o tenha conhecido, tornou-se impossível esquecê-lo, especialmente porque a bondade de suas palavras, a confiança em Deus que transmitia, os exemplos de fé sempre foram contagiantes.

     Neste mês de novembro onde se tem as datas de seu nascimento e desencarne (01 e 26), queremos mostrá-lo á quem ainda nunca ouviu falar dele e relembrar áqueles que talvez esqueceram de que existe um "Gigante Deitado" no mesmo patamar evolutivo espiritual de muitos espiritas exemplares por aí que sempre são comentados em nosso meio, com apenas uma diferença : ele não movia nem o pescoço, paralisado por 30 anos e cego por quase 20 anos.

     É de muita utilidade relembrar sua biografia, sua história, seus exemplos e seus livros para que o público mais jovem e mais recente no movimento espírita tenha conhecimento desse vulto extraordinário que esteve conosco e que em tão pouco tempo retornou, agora livre das amarras de um corpo em dificuldades.

     Muitas instituições o homenageiam com seu nome, em justa homenagem. Eis o momento de novamente divulgar e relembrar os feitos e exemplos de um homem incomparável.

   ACESSEM 
www.gigantedeitado.blogspot.com