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29 de maio de 2011

51 - ALEX entrevista SIDNEY FRANCEZ

Ele é orador e articulista espirita; Aposentou-se como gerente bancário depois de 30 anos trabalhando no Banco do Brasil; Foi advogado, chegou a dar aulas por 2 anos na Faculdade de Direito de Bauru e atualmente está ligado ao ramo empresarial de perfumes e cosméticos. Tem quatro filhos e quatro netos. É diretor e voluntário do CEAC (Centro Espirita Amor e Caridade, em Bauru-SP), estou falando de Sidney Francez Fernandes.

ALEX - Olá Sidney tudo bem? Como você conheceu o Espiritismo, ou melhor, como lhe apresentaram?

Sidney Francez Fernandes
SIDNEY - Tinha eu aproximadamente 10 anos de idade quando meu pai me encaminhou à primeira aula de evangelização infantil espírita. Lá encontrei João Durval Previdello, que iria se tornar meu mentor, incentivador e modelo dentro da vivência espírita. Nomeou-me "presidente" da Pré-Mocidade Espírita, com a obrigação semanal de ler uma página de Hilário Silva aos domingos. Durante a semana era uma preocupação muito grande com a "terrível" obrigação dominical. Lançou-me na locução de programas radiofônicos espíritas. Devo a ele a minha iniciação na oratória espírita.


ALEX - Que legal Sidney, e você conseguiu apresentar a Doutrina aos seus filhos e netos também?

SIDNEY - Meus quatro filhos participaram da evangelização infantil. Uma das minhas filhas, a mais velha, além de encaminhar suas filhas às aulas dominicais espíritas, hoje é diretora do Centro Obreiros do Bem de Araraquara. A segunda filha também está encaminhando meus netos à evangelização.

ALEX - Falando em crianças, quais seriam hoje os limites na educação e responsabilidade dos pais para com os filhos e vice-versa?

SIDNEY - Tenho um artigo denominado LIMITES, em que destaco algumas inversões de valores no relacionamento com os filhos. Tenho uma palestra com o título EDUCAÇÃO E RESPONSABILIDADE que discorre exatamente sobre o posicionamento espírita sobre vários fatores da educação. Principalmente com relação a crianças, nosso posicionamento é muito sério, considerando que nos foi outorgada uma verdadeira missão, aproveitando os primeiros anos de nossos filhos, quando ainda estão receptivos a mudanças de caráter, mormente às relativas aos defeitos trazidos de vidas anteriores. Deixar os filhos por conta própria, sem educação religiosa e sem limites é o maior crime que podemos cometer. Temos a obrigação de acompanhá-los e eles se ressentem da falta de limites. Responderemos por nossa displicência.

ALEX - E o que ocorreu recentemente com aquelas crianças na escola de Realengo, no Rio de Janeiro, como você enxerga aquela situação?

SIDNEY - Abordei esse assunto no meu artigo REALENGO, BULLYING E BIN LADEN. A sociedade de uma maneira geral tem dado tristes exemplos para a nossa juventude. A maneira como os jovens americanos comemoraram a morte do saudita demonstra que a LEI DE TALIÃO ainda vigora em todas as sociedades. Nós brasileiros também não damos bons exemplos. Que moral podemos exigir de nossos filhos se não agimos corretamente? Exigimos bom comportamento dos nossos políticos, mas na vida de rotina cometemos uma série de desonestidades que não nos habilitam a exigir bom comportamento dos nossos eleitos e dos nossos filhos. Lamentável a tragédia de Realengo. Mas, mais lamentável é a conduta da humanidade com tristes exemplos de violência.

ALEX - Você falou em Osama Bin Laden, eu li este seu artigo em que também se falava de bullyning e violência.

SIDNEY - A forma selvagem como foi ele executado não foi muito diferente dos seus atentados. Enquanto vigorar a lei do "olho por olho, dente por dente", continuaremos a fomentar a violência a nível internacional, a nível de pessoas e a nível familiar.

ALEX - É necessário nascer de novo? Também li um artigo de vossa autoria sobre este tema. Comente conosco.

Sidney sendo entrevistado.
SIDNEY - Recentemente um pastor americano foi demitido de suas funções porque ousou discordar da existência do inferno. Muitos modernos filósofos e religiosos não aceitam mais, como diria Paulo, Apóstolo, em sua única comunicação anotada por Allan Kardec em "O Livro dos Espíritos", essa ideia de fornalhas ardentes e caldeiras ferventes, considerada, quando muito, um fantasma para assustar criancinhas, enquanto pequenas e ingênuas. Há uma coisa muito mais forte do que todos os exércitos reunidos. A força de uma ideia cujo tempo é chegado. Essa frase de Victor Hugo resume o momento da ideia da reencarnação. Chegou o seu tempo!

ALEX - E falando nisso, há uma palestra que você irá proferir para nós, cujo tema é "Vida Além da Vida", comente um pouco sobre este tema.

Dia 11 de junho de 2011, ás 15:30hs no Pátio dos Trilhos, em Jacareí-SP (8º Encontro de Espiritismo)

SIDNEY- Trataremos da morte. Conclusões da ciência atual que não consegue explicar as chamadas EQM - Experiências de Quase Morte, com os mesmos "sintomas" do transe da morte já anunciados por Kardec e seus sucessores desde 1854. Depois, através de slides, uma "reportagem" de um morto, Irmão Jacó, que no livro "Voltei" tem autorização do plano espiritual para descrever passo a passo o seu desencarne. Tentaremos também trabalhar a pergunta: O ESPIRITISMO SERÁ A RELIGIÃO DO FUTURO?

E a extraordinária resposta de Léon Denis: O ESPIRITISMO SERÁ O FUTURO DAS RELIGIÕES. Aliás, com a permissão do mestre Denis, já está sendo.

ALEX - Estes slides em que falou eu tive a oportunidade de vê-los, do Américo Sucena, são maravilhosos, embelezam a palestra. E o que você poderia nos dizer sobre o que seria a Verdadeira Cura?
SIDNEY - Somente encontraremos os equilíbrios físico, emocional e espiritual, quando nos educarmos. Segundo Allan Kardec, a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos (LE 685). Sem a educação moral, todo o resto perece. As doenças do passado voltam. E as decorrentes das incorreções da vida atual tem campo aberto à manifestação. Temos que criar condições para que se manifestem nossos genes benéficos. Em o livro "Libertação", André Luiz afirma que: “Dirija um homem a sua vontade para a idéia de doença e a moléstia lhe responderá ao apelo, com todas as características dos moldes estruturados pelo pensamento enfermiço...” O ser humano não tem somente o dom da auto cura, mas também da auto doença. A verdadeira cura vem da nossa cura interior.

ALEX - Fale um pouco sobre a sua mediunidade.

SIDNEY - É apenas intuitiva.

ALEX - E o CEAC, conte um pouco para nós sobre esta casa tão iluminada e conhecida no Brasil todo.
CEAC de Bauru - SP

SIDNEY - Hoje o CEAC é uma das maiores casas espíritas do Brasil. Não apenas no campo assistencial, com seu albergue noturno funcionando desde 1951 e, com sede nova inaugurada provavelmente no mês de junho, como por todos seus setores e projetos nas periferias de Bauru. Mas, principalmente no campo doutrinário. A CEAC Editora hoje está com títulos respeitáveis e não apenas de autoria de Richard Simonetti. Temos quase 100 grupos mediúnicos em funcionamento. Quase 1000 voluntários. A partir da mudança do albergue noturno para a sede nova, iniciaremos um processo de reforma do prédio atual, visando o fortalecimento dos nossos estudos e sessões doutrinárias.

ALEX - Você falou em Richard Simonetti, quem seria ele para você?

SIDNEY - Além de amigo, companheiro de Doutrina Espírita de longa data. Já falamos juntos, viajamos juntos e partilhamos dos mesmos ideais. Deverá ser o meu orientador nos lançamentos dos meus primeiros livros. Eu falo às segundas e quartas-feiras ao lado de Richard Simonetti (meia hora cada um) e atualmente faço parte de um grupo que está organizando os preparativos para o lançamento do 50º livro de Richard Simonetti, que vai se denominar O PLANO B.

ALEX - Vamos para o Pinga-Fogo agora?
 
- MÍDIA - Seu atual posicionamento tecnológico está começando a dar espaço para as idéias espíritas. Sorte nossa que falar de reencarnação, EQM’s, vida além da vida, esteja dando audiência. Nunca a Doutrina Espírita foi tão falada e divulgada como em 2010 e no presente momento.

- FAMÍLIA - Berço do espírito. Fator fundamental para o processo evolutivo.

- ESPIRITISMO - Parafraseando Léon Denis: "Faz 150 anos que os espíritas sabem o que a ciência hoje pretende descobrir". Temos que honrar a responsabilidade desse conhecimento.

- KARDEC - Venceu os momentos de solidão. E teve a humildade de se intitular o coordenador e não o criador do Espiritismo. Conheceu os fenômenos espíritas com 50 anos. Em menos de 15 anos consolidou a revivescência do Cristo.

- DEUS - Como pode, um minúsculo ser relativo, definir o absoluto?

ALEX - Muito obrigado pela entrevista Sidney, aguardamos ansiosos sua presença no 8º Encontro de Espiritismo e que DEUS continue a lhe iluminar nesta sua caminhada tão abençoada.

SIDNEY - Agradeço a oportunidade e a inteligência nas perguntas. Espero poder contribuir com tão organizado encontro.
Sidney, Alex e Monteoliva em Jacareí-SP

29 de abril de 2011

44 - VISITA ao túmulo de WELINGTON

     Quem ainda não está abalado pelo o que ocorreu na escola em Realengo, no Rio de Janeiro?
     Não gostaria de comentar sobre este caso aqui em nosso blog, mas é que achei curiosa uma matéria publicada em um site protestante, o Gospel Mais, onde eles colocaram no título "Espíritas visitam o túmulo do atirador de Realengo para orar pelo assassino", acompanhe-a abaixo:


     Publicado por Renato Cavallera (perfil no G+ Social) em 24 de abril de 2011
 
     O túmulo de Wellington Menezes de Oliveira, assassino de 13 adolescentes em Realengo, recebeu a visita de cinco pessoas após ter sido enterrado. Deixando flores brancas na cruz 7708 (foto), a de Wellington, os visitantes oraram no túmulo do atirador antes de irem embora.

     Segundo um dos coveiros do cemitério São Francisco Xavier, onde o assassino foi enterrado, o grupo seria de espíritas kardecistas como teria relatado uma das pessoas para ele, porém, ele não soube informar ao jornal O Dia se essas pessoas teriam algum tipo de parentesco com Wellington.

     O corpo foi enterrado no dia 22, sexta-feira santa, após autorização da justiça já que nenhum parente foi ao IML reconhecer o corpo.

     Neste sábado, 23, outro espírita visitou a cova rasa onde Wellington foi sepultado: “Sou espírita e acredito que ele mereça essa prece para poder se arrepender dos seus pecados”, disse o pintor Paulo Cézar Ferreira, 41 anos.

     Em sua carta suicída, o atirador deixou uma série de regras a se seguir para a realização de seu enterro, entre os pedidos estavam a presença de um “fiel seguidor de Deus” para orar por sua alma e encaminha-la ao paraíso.

     Fonte :  http://noticias.gospelmais.com.br/espiritas-visitam-tumulo-atirador-realengo-orar-19090.html

     Ao fim desta matéria, encontram-se vários comentários, nota-se que muitos ali estão apenas escrevendo por escrever, atacando os espiritas e também o Welington, mas convem copiar aqui pra vocês, o primeiro dos comentários, que achei o mais feliz nesse caso, é o de uma leitora não-espirita que parabeniza os espiritas pela atitude, que deveria ser a mesma de todos nós, ao invés de dizermos como ouvimos por aí "que arda no inferno", que ele possa ter uma nova chance, pois sabemos como está a situação dele neste momento, onde talvez ele esteja ou o que esteja sofrendo. No dia seguinte do massacre, eu vi centenas de comunidades atacando-o no orkut, o povo se revoltou, ato normal no caso, mas é momento de nos interiorizarmos e vibrar positivamente para que não ocorram mais casos como estes. Voltemos então ao comentário que citei á pouco :
     Que notícia boa!!!!! Estamos lembrando a morte de Jesus nesta páscoa, mas estamos nos esquecendo dos pedidos Dele para nós……”perdoar sempre”…..”amar os inimigos”…..”tudo que fizerdes ao menor de meus irmãos é a Mim que estareis fazendo”…….”não faça aos outros o que não quer que vos faça”……etc……parabéns espíritas!!!! Ser cristão é ter atitude cristã…..
 
     Ela foi feliz, não foi? E acompanhem agora o que o nosso amigo jornalista Carlos Abranches postou em seu blog no VNews, dia 08 de abril, sobre este caso. E por falar em Carlos Abranches, não esqueçam de ver a próxima postagem, será a primeira de uma série de entrevistas que farei com jornalistas, escritores, atores, músicos, artistas em geral...ligados ou não ao Espiritismo, mas em nossas entrevistas, sempre comentaremos algo relacionado á Doutrina Espirita. O primeiro entrevistado por mim foi Carlos Abranches e esta entrevista exclusiva estará no ar amanhã aqui no blog. Enquanto isso desfrutem dos belos pensamentos que irão ler á seguir deste nosso abençoado irmão: 

O SILÊNCIO FORÇADO DOS INOCENTES

     Qualquer crime, por mais hediondo que seja, fica mais grave ainda quando provoca o silêncio forçado de uma criança.

     No quadro sinistro, desenhado a sangue e tiros, dentro de uma escola pública do Rio de Janeiro, foram muitas as vítimas, além das doze que até agora perderam a vida.


     Quando o psicopata esquizofrênico fuzilou os estudantes, em sua maioria meninas, estava tentando dilacerar em fragmentos o próprio passado, marcado violentamente por uma sucessão de abandonos, rompimentos e transtornos, expostos de forma cruel e impiedosa.



     Eis o impacto mais doloroso da esquizofrenia, em seu perfil mais agressivo. A doença que psicotiza a percepção da realidade autoriza, no ângulo mais grave de seu espectro, o inautorizável - a matança de quem estiver pelo caminho.

     A cada criança morta, não apenas um universo de possibilidades se perdeu, mas também o fechamento precoce de um ciclo de sonhos, de esperanças e realizações. Em cada uma, um pouco da beleza da vida se dissolveu.



     Depois dessa tragédia, que nos atingiu fortemente a todos, surge das sombras um grito embrutecido, vindo exatamente dos pedidos de socorro não escutados do assassino, de apenas 23 anos.

     No nascimento, o primeiro adeus - à própria mãe, que o entregou a outros braços.



     Na infância, o silêncio e o recolhimento. Irmãos e colegas de escola afirmam que raras foram as vezes em que ouviram sua voz, já mergulhada na profundidade das próprias indagações.


     Na adolescência, as marcas sempre difíceis do bullying. Colegas de sala disseram que ele era constantemente humilhado, sobretudo por meninas, que zombavam de seu modo de se vestir. O cenário? A mesma escola, onde o assassinato coletivo se perpetrou.


     No começo da vida adulta, o fim. Acossado pelos próprios monstros, ele não só desejou, mas arquitetou, planejou e alimentou o plano sinistro.

     Depois de tudo, o silêncio de perguntas não respondidas. Por que matar, para tentar resolver seus dilemas? Por que ferir crianças? Que faceta da propria infância ele quis destruir nos crimes que cometeu? Por que fazer da sua escola o cenário da matança?



     São muitas as dúvidas que ficam, depois de tudo isso.


     O que nos cabe registrar agora, em meio aos escombros deixados por imagens tão crueis, é esperar que o contágio psíquico, provocado por crimes como esse, não contamine outras mentes enfermas.


     Que sejamos fortes para calar na base a tragédia de tantas mortes. E que tenhamos maturidade coletiva o bastante para transformar tanta dor em uma escalada definitiva, rumo a patamares mais elevados de compreensão da dor e da felicidade humanas.