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14 de janeiro de 2012

Jerônimo Mendonça e o "Hino á Allan Kardec"


JERÔNIMO MENDONÇA RIBEIRO
e o  “HINO A ALLAN KARDEC”



Trabalho realizado em conjunto por Alex S. C. Guimarães, Geziel Andrade e Hélio Dias da Silva


Trabalho divulgado simultaneamente nos blogs:

http://www.alexscguimaraes.blogspot.com/

http://www.gezielandrade-espiritismo.blogspot.com/



O vídeo da execução da música executada pelo Coral foi postado, além desses blogs, também no Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=K2eU2dv1JvQ&feature=email




SOBRE JERÔNIMO MENDONÇA RIBEIRO

    Jerônimo Mendonça Ribeiro nasceu em Ituiutaba-MG, no dia 01 de novembro de 1939, na família simples de Altino Mendonça e Antonia Olímpia de Jesus.

    Passou a ter uma atuação notável no Movimento Espírita, desde jovem, quando se tornou espírita, após ter conhecido os princípios do Espiritismo.

    Mesmo suportando as complicações no estado de saúde, decorrentes de uma artrite reumatóide progressiva, a partir dos 18 anos de idade, que o obrigou a usar muletas, cadeira de rodas e ficar imobilizado numa cama ortopédica, não se sentiu impedido de se locomover e de trabalhar pelo ideal espírita.

    Além disso, não se sentiu detido nem pela perda gradual da visão, que o deixou cego, e nem mesmo pelos crescentes problemas cardíacos.

    Superando extremas limitações físicas e grandes dificuldades de todas as ordens, manteve sempre o bom ânimo, o bom humor, o riso e a alegria; jamais perdeu o gosto de conversar e de dar bons conselhos; continuou com afinco os seus estudos do Espiritismo; manteve a frequência assídua em reuniões espíritas; aceitou fazer palestras espíritas, mesmo tendo que viajar para cidades distantes; fundou Centros Espíritas e uma Creche e escreveu diversos livros.

    Em função disso, foi apelidado por amigos e ficou conhecido como “O Gigante Deitado”.

    Jerônimo Mendonça Ribeiro desencarnou na cidade em que nasceu, em 26 de novembro de 1989, deixando exemplos de vida e um legado importante para o Movimento Espírita.

    Nesta oportunidade, estamos divulgando o artigo abaixo, que mostra o gosto que Jerônimo Mendonça Ribeiro tinha pela música “Hino a Allan Kardec”. Em complemento a isso, estamos apresentando também a partitura dessa música, a letra da música e a execução da mesma pelo Coral da Mocidade Espírita de Mogi Mirim Alcides Hortêncio.

    Esperamos, dessa forma, registrar o gosto que esse notável vulto do Espiritismo tinha pela música e pelo canto.

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HINO A ALLAN KARDEC: A MÚSICA QUE JERÔNIMO MENDONÇA RIBEIRO E AMIGOS GOSTAVAM DE CANTAR

Por HÉLIO DIAS DA SILVA


AS REUNIÕES ESPÍRITAS EM ITUIUTABA-MG

    Nas reuniões espíritas que eram realizadas na casa do Bolivar Gomes Campos, na Avenida 13, esquina com a Rua 30, na cidade de Ituiutaba-MG, nos anos de 1958, 1959, 1960, 1961, participavam a Sra. Idalides e seu esposo Antonio Ribeiro, Sra. Aparecida e seu esposo Francisco, Sra. Lázara e sua filha Elza, Sra. Silas e seu marido Euclides, Srta. Leone Gonçalves, e outros companheiros como Jerônimo Tibúrcio Nogueira (Jeromão), o jovem Aramitan, Srta. Ruth Scobar, Jerônimo Mendonça Ribeiro, eu e alguns vizinhos cujos nomes no momento não consigo precisar.

    Todas essas pessoas a quem me refiro fizerem parte, na época, das reuniões doutrinárias da União da Mocidade Espírita de Ituiutaba.

    Esse grupo que se reunia na casa do Bolivar era muito unido e teve essa amizade construída nas reuniões da Mocidade Espírita de Ituiutaba.

    As reuniões da Mocidade aconteciam aos domingos, às 09 horas da manhã, no Grupo Espírita Amor Fraterno, localizado na Av. 7, entre Ruas 16 e 18, cujo salão foi gentilmente cedido pelo seu presidente Gabriel da Rocha Galdino, um dos grandes mentores do Jerônimo Mendonça Ribeiro, na sua iniciação ao Espiritismo e pessoa de forte atuação no Movimento Espírita local.


O GOSTO PELA MÚSICA ESPÍRITA

    Ninguém era músico, nem contávamos com a ajuda de qualquer instrumento musical.

    A cantoria acontecia sempre após as reuniões espíritas do culto do Evangelho no lar, de maneira espontânea e natural.

    Geralmente, quem puxava a cantoria eram, ora o Bolivar Gomes Campos, ora o Jerônimo Mendonça Ribeiro.

    Os dois eram os mais animados, os mais entusiastas e sempre puxavam a cantoria, enquanto os outros iam se juntando gradativamente.

    Nem sempre as músicas eram espíritas. Outras composições como “Foi Deus Quem Fez Você” e “Chuá Chuá” eram cantadas quase todos os dias. Essas músicas não são espíritas, mas são bonitas e profundas, principalmente, “Foi Deus Quem Fez Você”. Desta música o Jerônimo Mendonça não participava, mas ouvia com muita atenção e respeito.

    Eles tinham facilidade para iniciar a empolgação do grupo. Tinham voz mais afinada, cantavam melhor e mais bonito.

    As músicas espíritas “Alegria Cristã” e “Hino a Allan Kardec” ficavam muito bonitas quando havia a participação de todos.

    Quando eles começavam a cantar, se juntavam todos naquele clima de alegria e verdadeira fraternidade.

    As músicas que mais cantávamos eram realmente “Alegria Cristã” e o “Hino a Allan Kardec”.


OS LIVROS UTILIZADOS NAS REUNIÕES ESPÍRITAS

    As reuniões espíritas na casa do Bolivar aconteciam todos os dias, às 18 horas.

    Nelas, o Jerônimo Mendonça tomava parte participando dos comentários, juntamente com o Bolivar e a Geni, sua esposa.

    Outras pessoas presentes também participavam, manifestando opinião sobre o que entendiam do assunto tratado.

    Os livros utilizados nas reuniões eram “O Evangelho Segundo O Espiritismo”, “O Livro dos Espíritos”, “Agenda Cristã” e outros de mensagens.

    Esse hábito de oração foi cultivado pela família de Bolivar durante o tempo que morou em Ituiutaba.


A MUDANÇA DA FAMÍLIA DE BOLIVAR PARA GOIÂNIA

    Quando mudei para Ituiutaba, em 1958, a família do Bolivar já morava nesse local, Av. 13, com a Rua 30, e lá permaneceu morando durante muitos anos.

    O Bolivar era alfaiate e conhecido também como “Bolivar Alfaiate”. Ele mudou para Goiânia em meados da década de 60, quando vendeu sua Alfaiataria e alguns imóveis que possuía em Ituiutaba.


A MUDANÇA NAS REUNIÕES ESPÍRITAS

    Com essa mudança de Bolivar e sua família para Goiânia, houve mudança também em relação às reuniões espíritas que eram realizadas em sua casa.

    Elas passaram a ser, semanalmente, em casas diferentes, de cada um dos membros da família, já que todas as irmãs da Geni, esposa do Bolivar, mudaram também para aquela capital, acompanhadas de seus maridos e filhos.


MINHA VISITA A GOIÂNIA

    Quando estive em Goiânia, na casa do Bolivar, participei de uma de suas reuniões espíritas.
    Foi uma emoção muito grande, porque revivia um sentimento e uma vibração que durante muitos anos foi o clima da nossa convivência na cidade de Ituiutaba.
    Essa visita aconteceu em 1980, quando estive em Goiânia resolvendo assuntos profissionais.

    Desculpe se não respondi a todas às indagações.
    Um grande abraço!

    Hélio Dias

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LETRA DO HINO A ALLAN KARDEC

Letra e Música de CECÍLIA AMARAL ABREU



PRIMEIRA VOZ:

Allan Kardec bom mestre,

Vimos teu nome exaltar.

SEGUNDA VOZ:

Allan Kardec bom mestre,

Vimos te exaltar.

PRIMEIRA VOZ:

Te imploramos numa prece

Proteção espiritual.

SEGUNDA VOZ:

Te imploramos numa prece

Proteção.

PRIMEIRA VOZ:

Batalhador da verdade,

Da seara do Senhor.

SEGUNDA VOZ:

Batalhador da verdade,

Da seara do Senhor.

PRIMEIRA VOZ:

Guia a pobre humanidade,

Pra paz, pro bem e o amor.

SEGUNDA VOZ:

Guia a pobre humanidade

Pra paz e o amor.



SEGUNDA PARTE DA MÚSICA

PRIMEIRA VOZ:

Glória, Glória Allan Kardec.

Sublime emblema de luz.

SEGUNDA VOZ:

Glória, Glória,

Emblema de luz

PRIMEIRA VOZ:

Glória, Glória Allan Kardec.

Que nossas almas conduz.

SEGUNDA VOZ:

Glória, Glória

Nossas almas conduz, conduz.

PRIMEIRA VOZ:

Salve, Salve Allan Kardec.

Mestre de exemplo e de amor.

SEGUNDA VOZ:

Salve, Salve

Mestre de Amor.

PRIMEIRA VOZ:

Caminharemos seguindo

Teus passos até o Senhor.

SEGUNDA VOZ

Caminharemos seguindo

Ao Senhor.



RETORNO AO INÍCIO DA MÚSICA

PRIMEIRA VOZ:

Kardec mestre altaneiro,

Exemplo de caridade.

SEGUNDA VOZ:

Mestre altaneiro,

Exemplo de caridade.

PRIMEIRA VOZ:

És o fiel timoneiro,

Da nossa felicidade.

SEGUNDA VOZ:

És timoneiro

Da nossa felicidade.

PRIMEIRA VOZ:

Caminharemos contentes,

Sempre firmes, sem temor.

SEGUNDA VOZ:

Caminharemos contentes,

Sem temor.

PRIMEIRA VOZ:

E um dia alcançaremos

As moradas do Senhor.

SEGUNDA VOZ:

Alcançaremos as moradas

Do Senhor.

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A EXECUÇÃO DO “HINO A ALLAN KARDEC”,

PELO CORAL DA

MOCIDADE ESPÍRITA DE MOGI MIRIM ALCIDES HORTÊNCIO,

OCORREU EM OUTUBRO DE 2004,

EM COMEMORAÇÃO AOS 200 ANOS DO

NASCIMENTO DE ALLAN KARDEC.

O ARRANJO É DE

MARIA ANGELA MARCHIORO FINAZZI.


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PARTITURAS DA MÚSICA
 
 
 
 
 
 
 
 



29 de novembro de 2011

81 - ALEX entrevista SÉRGIO SANTOS

Ele nasceu no primeiro dia do ano de 1947, em Uberaba, Minas Gerais.
É músico há quase 40 anos.
Já gravou treze discos.
Seu nome é: Sérgio Santos

ALEX - Como foi o seu primeiro contato com a Doutrina Espirita Cristã?

SÉRGIO - Foi na cidade de Tanabi no Estado de São Paulo quando criamos um grupo de efeitos físicos. Foi onde comecei cantando as músicas do nosso irmão João Cabette. Mas logo em seguida, já começaram a vir as inspirações e iniciei as composições. Agradeço a Deus pela abençoada oportunidade de continuar participando e divulgando a mensagem através da música.

ALEX - Quando você gravou o seu primeiro disco? E é verdade que você tem cd´s infantis também?

SÉRGIO - Em 1996 gravei o primeiro CD intitulado "Sol Interior" e hoje já temos 13 CD's, inclusive dois CD's infantis intitulados "Cantando com Jesus" e "Além do Arco-Iris" para evangelização de crianças. Esses CDs são utilizados em diversas casas no Brasil.

ALEX - Como é essa história do médium Carlos Bacelli receber as psicografias de Eurícledes Formiga e você cantá-las?

SÉRGIO - Conheço o nosso irmão Carlos Baccelli desde criança por convivermos no mesmo bairro na cidade de Uberaba. Mas desde 1984, que nós participamos na mesma Casa, ou seja, no Bittencourt Sampaio e no Lar Espírita Pedro e Paulo, onde nós temos a abençoada oportunidade de dirigir as reuniões de psicografia aos sábados e domingos juntamente com nosso irmão. Durante as reuniões de desobsessão e no 'Pedro e Paulo', nosso irmão começou a receber os poemas para que eu pudesse cantá-las e gravá-las.

ALEX - E as de sua autoria? Não são psicografadas? Pois são lindas demais!

SÉRGIO - Algumas músicas são de letra e melodia de minha autoria. Porém algumas são psicografadas pelo nosso irmão Carlos Baccelli e transformadas em músicas.

ALEX - As músicas "Eu Voltei" e "Em Busca de Paz" são suas? Que melodia!

SÉRGIO - São músicas de nossa autoria que agradecemos muito a colaboração da espiritualidade maior.

Alex e Sérgio em Uberaba, 15 de novembro de 2011
ALEX - A música "Ai Li Li", o Jorge Reis e o Luiz Carlos divulgam muito ela por lá em nossa região, inclusive minha filhinha de 6 anos, pensa até que é deles a autoria da música (risos), quando na verdade até desconhecemos o autor dela, mas como surgiu esta música na sua vida, na vida de Chico...conte um pouco para nós, por favor!

SÉRGIO - Começamos a cantar essa canção por saber que o nosso Chico gosta muito e não sabemos quem é o autor da letra. A melodia é americana. Tomamos a liberdade de gravá-la no cd "Nossa Luz" colocando como autor desconhecido. Sempre quando tínhamos oportunidade cantávamos para nosso Chico.

ALEX - É este cd que o Jorge divulga por lá, muito bom! E quem foi Domingas pra você, citada na canção de Fausto Reis em que você canta neste disco!

SÉRGIO - Nossa irmã Domingas é realmente uma grande irmã do coração que tivemos a alegria de conviver com ela nas tarefas abençoadas no 'Lar Espírita Pedro e Paulo' onde tinha a sua participação como palestrante e também colaborando em diversas atividades nas casas espíritas de Uberaba, no 'Centro Espírita Jesus de Nazaré' onde fundou uma reunião para tratamento espiritual, trabalhando durante muitos anos como médium de cura.

ALEX - E Aparecida do Fogo Selvagem? O que você poderia dizer dela?

SÉRGIO - Dona Aparecida, amiga fiel do nosso Chico, fundadora do Hospital do Pênfigo – Fogo Selvagem, onde dedicou a sua vida inteira auxiliando aos nossos irmãos portadores do "fogo selvagem". Tivemos a oportunidade de participar durante 10 anos num trabalho de passe, levando nossa colaboração através da música espirita.

ALEX - Você já ouviu a canção que seu amigo Jorge Reis (Grupo Castelã) fez pra ela?

SÉRGIO - Recebi com muita alegria o CD com a gravação em homenagem a nossa irmã e achei muito singela, retratando fielmente o que foi a vida de nossa irmã Aparecida.

ALEX - Você conheceu Jerônimo Mendonça Ribeiro?

SÉRGIO - Infelizmente não tivemos muito contato com nosso irmão, a não ser, algumas vezes na Casa da Prece. Mas ele deixou sua marca de exemplo de aceitação.

ALEX - Ele adorava cantar, vocês chegaram a cantar juntos?

SÉRGIO - Apesar de nos encontrarmos na Casa da Prece, não cantamos juntos.

ALEX - Agora sobre o Chico, fale um pouco dele para nós, pois sabemos que você tem muito para contar.

SÉRGIO - Todos nós Uberabenses tivemos o privilégio e a felicidade de conviver com nosso irmão Chico por alguns anos. Até hoje não temos a mínima condição de avaliar quem foi esse espírito que passou pela Terra. O que pudemos aproveitar da sua presença não perdemos tempo, pois tivemos a oportunidade de cantar para ele em diversas ocasiões.

ALEX - E as atividades de materializações que você exerce no 'Centro Espirita José Horta', qual o objetivo delas?

SÉRGIO - Participamos do referido trabalho há 38 anos, eu e minha esposa Marlene. As reuniões são inteiramente realizadas com objetivo da cura dos irmãos desenganados pela medicina da Terra e a música auxilia para manter a vibração sempre elevada.

I Forum da Mediunidade no C.E.Uberabense, 15/11/11
ALEX - E como estão as suas apresentações musicais por aí?

SÉRGIO - Temos atendido muitos convites, eu e minha esposa Marlene, procurando auxiliar nas reuniões e nos eventos onde somos convidados.

ALEX - Para finalizarmos um Pinga-Fogo!

- Música – Alegria em nossa vida.
- Familia – Benção e uma oportunidade.
- Chico – Fiel amigo de Jesus.
- Kardec – Iniciou e voltou para continuar.
- Deus – A nossa inspiração maior.

ALEX - Quero agradecer a atenção e carinho Sérgio voltada á minha familia aqui em Uberaba. Que Jesus continue a abençoar esta linda voz que você tem.

SÉRGIO - Agradeço pela oportunidade, amigo Alex, e peço que leve o nosso abraço ao grande amigo Jorge Reis. Muita Paz e muita alegria.

CONTATOS PARA APRESENTAÇÕES E AQUISIÇÕES DOS CD'S:

E-mail: sergiosantosmusic@hotmail.com
Telefones: (34) 8808-5037 / (34) 3338-2129 / (34) 8827-9769

25 de outubro de 2011

77 - ALEX entrevista PAULA ZAMP

Ela acabou de se apresentar na abertura da 60ª Semana Espírita de Santo André-SP.
É Cantora profissional e faz shows pelo Brasil todo.
É Bacharel em Música com especialização em Canto Lírico.
É também Professora Universitária.
É Pós-Graduda em Arteterapia.
Já trabalhou com Musicoterapia e Cantoterapia no consultório Pineal Mind.
Já gravou 2 cd's: "Amai" e "Paz".
Desde criança se apresentou em programas na TV e trabalhou ao lado de Silvio Santos em alguns programas do SBT, como "Qual é a Música", "Gente que Brilha", dentre outros.
A portadora de tão abençoada voz é Paula Zamp.

ALEX - Como você se iniciou na Doutrina Espirita?

PAULA - Conheci o Espiritismo através de um ex-patrão, que me levou pra conhecer a Federação Espírita do Estado de São Paulo. Isso foi no ano de 1987, depois dessa primeira visita que me deixou encantada, me envolvi a tal ponto com o Espiritismo que até hoje continuo na FEESP.

ALEX - E na música?

PAULA - A música, certamente vem de outras encarnações, pois minha mãe diz que desde muito pequena eu já pedia para cantar em festinhas e, em casa ela conta que muitas vezes pegava um cabo de vasoura colocava uma latinha de massa de tomates na ponta e fazia de conta que estava com um microfone...coisas de criança.(risos)

ALEX - Em quais programas de tv você se apresentou? E por quantos anos você cantou ao lado de Silvio Santos no "Qual é a Música?"

PAULA - Aos oito anos de idade, meus pais me levaram para fazer um texte vocal para participar de um coral infantil de um programa do Silvio Santos, na época na TV Globo. Passei no teste, ganhei uma bolsa de estudos de música popular e, já passei a ser profissional na área da música desde cedo sendo que, de lá para frente não parei mais de estudar e de cantar.

Participei cantando em vários programas de TV. Na Bandeirantes trabalhei por dois anos no coral do programa do Bolinha. Depois no SBT, trabalhei com a Banda Santa Maria em vários programas, tais como: "Gente que Brilha", no coral do "Programa do Ratinho", "Qual é a Música?", "Código Fama", entre outros.

Ao todo trabalhamos ao lado de Silvio Santos por quase 3 anos.

ALEX - Que legal Paula. E como é ser professora universitária e cantora palestrante ao mesmo tempo?

PAULA - Sou professora Universitária na disciplina de música, canto coral e técnica vocal, tiro algumas horas uma vez por semana para esse trabalho, mas isso se torna fácil pra mim, pois me alimento da música em todos os momentos e já tenho tudo esquematizado. Como cantora profissional, tenho atividades geralmente nos finais de semana durante a noite e, as palestras me programo nos espaços livres. Se a música está presente em tudo, pra mim é sempre muito mais prazeiroso o trabalho.

ALEX - Como foi trabalhar 'Musicoterapia' e 'Cantoterapia' ao lado do dr.Sérgio Felipe de Oliveira?

PAULA - Não posso dizer que tenha sido um trabalho, mas sim foram momentos de muito aprendizado, estar em atividades lá no Pineal Mind, direcionadas pelo querido Dr. Sérgio Felipe de Oliveira. Só posso agradecer a ele por tanto aprendizado.

ALEX - Nós já entrevistamos o Allan Vilches e sabemos que ele é muito seu amigo. Quem é o Allan pra você?
Paula Zamp e Allan Vilches
PAULA - Allan Vilches é um cantor de um talento excepcional e um amigo para todas as horas. Agradeço a Deus por ter permitido que reencontrasse nesta existência esse Espírito, para que em muitos momentos possamos unir as nossas vozes em louvor ao Pai Criador.


ALEX - Lindo o que você disse! E fale um pouco sobre os dois programas que você tem na Rádio Boa Nova.

PAULA - Apresentamos todas as terças feiras as 23hs o programa "QUEM CANTA SUA VIDA ENCANTA", juntamente com Moacyr Camargo e Allan Vilches. É um programa que aborda a música e as artes em geral, dando enfoque a realidade do mundo espiritual.

E aprensentamos juntamente com Luiz Saegusa todas as quartas-feiras as 10hs, o programa "ENTRE AMIGOS", que é um programa de variedades, entrevistas e muitas informações, com a participação dos ouvintes.

Adoro participar desses dois programas e, já estou pensando em estudar locução, para caprichar um pouco mais, pois os ouvintes merecem o melhor.

ALEX - E os seus dois cd's?
 
PAULA - Temos dois títulos em CDs:

"Amai! " - que contém músicas voltadas a preces, e o
"Paz" - que carrega um trabalho voltado a musicoterapia, com músicas no período clássico e romântico.
Estamos em projeto do terceiro com a temática "Alegria", mas ainda não temos previsão de data para o lançamento.

ALEX - E o que você faz na FEESP?

PAULA - Na FEESP, eu trabalho desde 1994 na área de Assistência Espiritual, e desde 1996 na área de ensino, ministrando aulas nos cursos, Básico do Espiritismo e Educação Mediúnica.
Adoro estar na FEESP, pois foi o local em que despertei para a realidade do outro lado da vida.

ALEX - Como é se apresentar em um mesmo evento como este juntamente do Divaldo?


PAULA - Estar ao lado do querido Divaldo Pereira Franco é sempre uma emocão ímpar. Tenho Divaldo como um pai, aprendo sempre muito com ele e, cantar nas palestras dele, tenho certeza que Deus esta sendo condecendente comigo me cedendo a oportunidade de crescimento fazendo o que mais amo, louva-lo cantando!


ALEX - Você conheceu Chico Xavier antes de ele desencarnar?


PAULA - Em 1996, fui convidada para cantar no aniversario do Chico de 86 anos, eu estava acompanhada de um coral e cantamos no jardim que dava acesso a uma janela em que Chico ficou ouvindo nosso cantar. Ele mandava beijinhos para todos nos, foi muito emocionante. Cantamos Ave Maria de Gounod, porem, eu me lembro somente do comeco e do fim, foi tanta a minha emocao que nao me recordo o que aconteceu durante a música.

Essa foi a primeira e ultima vez que vi Chico enquanto encarnado, e nessa noite nao tive oportunidade de falar com ele, somente de cantar para ele.

ALEX - E Jerônimo Mendonça, você o conheceu também?


PAULA - É uma pena, mas não conheci Jerônimo Mendonça enquanto encarnado, mas admiro muito todo o trabalho que ele fez e ainda faz, agora na Pátria Espiritual.

ALEX - E como de costume, um rápido Pinga-Fogo antes de terminarmos a nossa conversa:

- Música - É o alimento da minha alma.

- Mediunidade - É o canal que nos une a eternidade.

- Silvio Santos - O homem sorriso.

- Chico Xavier - O homem paz.

- Allan Kardec - O professor da imortalidade.

- Jesus - O mestre da Luz.

- Deus - Pai de infinita bondade.

ALEX - Muito obrigado Paula pela entrevista, parabéns pelo seu trabalho e que Chico continue a lhe inspirar por todos os cantos do mundo em que você se apresentar.

PAULA - Alex, eu é que agradeço o carinho e o respeito com o nosso trabalho. É uma alegria participar desse trabalho de divulgação da nossa Doutrina. Rogo á Jesus cobrí-lo na paz e, que esse trabalho te traga muita alegria. Um forte e fraternal abraço.

ALEX - Não deixem de conhecer o trabalho de Paula no site www.paulazamp.com e www.paulazampcantora.com.br

14 de setembro de 2011

73 - ALEX entrevista LIRÁLCIO RICCI

     Ele nasceu em São Paulo, capital, e desde criança demonstrava inclinação para a música, tendo como principais incentivadores sua bisavó Maria Ferreira e seu padrinho João Lázaro Brás.
     Foi católico, mas depois de ganhar de presente "O Livro dos Espíritos" de um amigo, conseguiu as respostas que faltavam em sua vida e tornou-se espírita.
     Ele começou frequentando o Centro Espírita Francisca Souza, onde prosseguiu seus estudos, assistindo aos cursos que a casa oferecia e participando com entusiasmo das atividades doutrinárias da casa, passou também a visitar o Hospital Santo Ângelo, em Mogi das Cruzes, instituição voltada ao tratamento de hansenianos.
     Ele é diretor da Rádio Espírita na web http://www.radioespirita.net/ e também da Rede Visão  http://www.redevisao.net/ e possui seu próprio site http://www.liralcio.com.br/
      É músico espirita com cds gravados e além de desenvolver um belíssimo trabalho na música, profere palestras pelo Brasil.
     Estou falando de Lirálcio Alves Ricci.

* Entrevista realizada em 11/09/2011 via internet, para divulgar sua vinda á São José dos Campos-SP na semana seguinte, onde participará do programa "Vivência Espírita" e realizará uma palestra na AME *

ALEX - Olá Lirálcio, tudo bem? Você é um ouvinte assíduo do Programa Vivência Espírita na Super Rádio Piratininga. De onde vem este carinho todo especial pelo programa, mesmo sem conhecer pessoalmente os apresentadores? 

Lirálcio Alves Ricci
LIRÁLCIO - Olá, Alex. Comigo sempre está tudo bem, graças á Deus. Toda a história começou com um amigo em comum, também radialista e amante da arte espírita, o Renualdo Ferreira de Cachoeira do Sul - RS. No final do ano passado, eu e minha esposa decidimos passar nossas férias conhecendo o sul do país e, como sempre faço, aviso nas listas que participo sobre a viagem, visando conhecer os artistas locais, fazer apresentações, palestras e colher material para a Rádio Espírita. O Renualdo nos contactou pedindo uma palestra em sua cidade, que fica próxima a Porto Alegre, cidade onde iríamos encerrar nossa viagem e empreender retorno (nós fomos de carro). Aceitei o convite e fui conhecer o amigo Renualdo pessoalmente. Lá, conversamos muito sobre o movimento artístico espírita e que ele havia falado a meu respeito com um amigo radialista de São José dos Campos. De imediato me interessei, pois já tinha ouvido falar no trabalho do Jorge Reis e do Grupo Castelã, tendo inclusive recebido um e-mail dele solicitando se um dia pudéssemos ir a São José dos Campos para falarmos em seu programa de rádio. São José fica próximo a São Paulo e eu tenho um carinho muito especial pela região, pois minha família é do Vale do Paraíba - minha mãe, já desencarnada, nasceu em Guararema e a família de meu pai é de Mogi das Cruzes. Quando criança sempre vínhamos passear em Mogi, Guararema, São José, Taubaté, Jacareí e adjacências, então achei muito interessante saber mais sobre o trabalho. Quando retornei a São Paulo, coincidência ou não, recebi um e-mail anunciando que o programa do Jorge Reis havia mudado de emissora e anotei no meu caderninho para poder acompanhar na primeira oportunidade. O que fiz. Ao me conectar ao chat, inesperadamente, o Jorge citou meu nome e eu achei até que ele já havia visto que eu estava logado, mas depois percebi que não, foi sintonia fina mesmo. A partir daí, todos os sábados que posso, acompanho o programa, na maior parte do tempo apenas ouvindo enquanto faço outras atividades, mas, quando dá, corro ao chat para dar minha colaboração e volto aos afazeres.

ALEX - Eu também faço isso (risos) mas não consigo entrar no chat, pois enquanto ouço o programa estou dirigindo (risos). Trabalho com vendas na rua, fico com o ouvido esquerdo escutando o cliente e o ouvido direito escutando o rádio (risos). Você tornou-se conhecido por todos nós ouvintes do programa, por sempre ser divulgado o seu trabalho musical, a sua web-rádio www.radioespirita.net e por você sempre estar no chat ao vivo participando. Quais são as suas expectativas com respeito á sua vinda aqui para São José dos Campos-SP? Pois estamos ansiosos em conhecê-lo pessoalmente.
 
LIRÁLCIO - Alex, por onde vou, á trabalho ou á passeio, faço esses contatos. O objetivo é sempre o mesmo: conhecer os trabalhos locais, ampliar o acervo da Rádio Espírita e divulgar o nosso trabalho junto a Arte Espírita. E tenha certeza, ninguém está mais ansioso do que eu, para conhecer pessoalmente amigos tão queridos e rever esta bela cidade, que deve ter mudado muito desde a última vez que aí estive, quando tinha 19 nos, para acompanhar um festival de dança folclórica durante o período junino. Eu adoro ver os grupos de catira, essa dança que tem tanta energia, e as modas de viola caipira que fazem parte da história do Vale do Paraíba.

ALEX - Fale um pouco sobre o tema de sua palestra que será realizada aqui na AME, no dia 24 de setembro de 2011, "A Educação vem de Berço".

LIRÁLCIO - Alex, há bastante tempo eu venho trabalhando a questão da educação para um mundo melhor. Mesmo antes de me tornar espírita - eu fui católico praticante até os 21 anos, tendo atuado até em celebrações como casamentos, batismos, missas, encontros de jovens etc. -, quando eu fui definir o curso que faria no ensino médio, disse a meu pai "Quero ser professor". Meu pai perguntou: "Por que?", eu respondi "porque eu quero fazer a diferença, recebi muito e acho que tenho que colocar isso para ajudar o mundo a melhorar e não vejo forma mais abrangente do que sendo professor". Então eu, aos 19 anos, entrei para uma escola de magistério, que antigamente se chamava "normal". Durante 4 anos eu era um dos poucos homens em sala, chegando a ser o único em alguns períodos, contra 40, 50 mulheres. As outras turmas, haviam outros cursos na escola, sempre debochavam, mas eu recebia muito insentivo dos meus professores que entendiam e me apoiavam bastante. Quando comecei a estudar a Doutrina Espírita, ai então foi que entendi o valor do conhecimento e desde então tento conciliar educação formal (conhecimento) com educação espiritual (moral). E tenho visto que o mundo precisa muito da educação moral, o Homem (homem/mulher) em busca do "ter" tem relegado a educação de seus filhos e passado esta responsabilidade para a sociedade, o que é um grande erro. Por isso, dentro da Doutrina Espírita, tenho trabalhado este tema, pois é uma filosofia mais racional, onde conseguimos colocar idéias, que para uns ferem e incomodam, com menos rejeição.

ALEX - Ainda não saindo do tema "A Educação vem de Berço", vejo que você tem um carinho todo especial para com seu pai, fale um pouco dele para nós e a sua importância na Doutrina Espirita Cristã?

LIRÁLCIO - Meu pai é minha referência de homem, em todos os sentidos. Meu pai nunca nos forçou a ter nenhuma religião, eu é que sempre estive envolvido com estas questões. Fui batizado aos 11 anos de idade, porque escolhi meus padrinhos e pedi a eles que me batizassem. Fui eu que procurei uma igreja para fazer a primeira comunhão, sem nenhuma imposição. Meu pai era um "livre pensador", na verdade ainda o é, pois ainda está encarnado, mas quando era criança e adolescente ele tinha o hábito de nos reunir após o "Fantástico" para discutirmos as informações que o programa acabara de transmitir. Falávamos de tudo, absolutamente tudo. Meu pai não era repressor, mas era rígido. Hoje eu acho que ele amoleceu (risos). Ele me ensinou que homem chora, porque tem sentimento; que homem ajuda em casa, porque é preciso cooperação; que homem tem que ter honra e que sua palavra vale mais do que qualquer dinheiro que alguém possa te oferecer; que homem, que é homem, respeita e valoriza sua companheira, pois juntos vão construir uma família. Graças a ele, eu sou o que sou. Não tivemos moleza, não tínhamos dinheiro. Desde os 9 anos eu trabalho para ajudar no sustento da família. Todos nós ajudávamos e isso era um orgulho para mim. Quando me casei, por problemas de minha cabeça em confusão, acabei me distanciando de meu pai, com bastante raiva no coração. Houve momentos de ódio mesmo, preciso ser honesto. Fiquei anos sem falar com meu pai. Mas a vida tem suas lições e eu aprendi uma no dia em que meu primeiro filho nasceu. Entendi o que era ser pai e que as coisas que o meu pai um dia havia feito foi por me amar e querer o melhor para mim, do jeito dele. Podia não ser o que eu queria, mas era o melhor dele. Então naquele dia 08 de julho de 1987, no quarto da Maternidade Santa Joana em São Paulo eu abracei meu pai e lhe pedi perdão pela minha ignorância. Não me reaproximei totalmente, mas não tinha mais aquele sentimento ruim dentro de mim. Algum tempo depois, meu pai em segundo casamento, nos informa que iria ser pai novamente. Foi uma alegria para todos, porém as coisas acabaram complicando. Lucas nasceu com problemas congênitos, um cromossomo com "defeito" fez com que os principais órgãos do seu corpo não tivessem as divisões corretas e ele viveu aproximadamente 10 meses dentro do CTI no isolamento, recebendo sangue diariamente, doado por nós, especialmente eu, meu irmão e a irmã da esposa de meu pai, pois éramos os únicos compatíveis. Esse tempo de aflição e de luta pela vida do Lucas fez com que nos aproximássemos de vez e foi então que descobrimos que, cada um individualmente, os cinco filhos - eu sou o mais velho - e ele mesmo haviam se convertido ao Espiritismo. Foi impressionante. Logo depois, meu pai fundou uma instituição de amparo e assistência espiritual intitulada "Casa de Lucas".

ALEX - Que linda história Lirálcio, é de emocionar! E Roberto Ferreira, quem é ele e quão importante ele é para você?

Lirálcio, Roberto Ferreira e Telma
LIRÁLCIO - Eu sempre adorei cantar, desde criança ouvia minha bisavó dizer que eu aprendi a cantar antes de começar a falar, ela foi uma das minhas principais incentivadoras. Em casa sempre cantávamos em grupo, com meus irmãos e tios tocando violão. Na adolescência participei de um coral em Mogi das Cruzes. Quando comecei a frequentar uma casa espírita, comecei a tocar violão e a cantar músicas religiosas que eu havia aprendido na Igreja, meu primeiro cd tinha estas músicas, como Roberto Carlos, Padre Zezinho, etc. Um dia, durante uma aula do curso de 2º ano de Aprendizes do Evangelho, um de meus alunos me deu de presente uma fita K7 pedindo para que eu ouvisse com carinho. A fita, produzida de forma caseira, tinha várias músicas lindas: "Parafuso", "3º Milênio", "Obrigado, Senhor" entre outras, às quais me apaixonei. Perguntei a ele de quem eram as músicas e ele me disse que eram de um grupo de São Bernardo do Campo (SP) chamado Grupo Vocal União e Harmonia. Por coincidência, este grupo iria se apresentar em um estádio em São Caetano para lançar o seu terceiro disco e esse meu aluno estava programando para ir e me convidou. Aceitei prontamente. Lá, adquiri todos os discos do grupo e acompanhei, maravilhado, a apresentação daquele belo coral. Não resisti e procurei, ao final da apresentação, o responsável pelo trabalho, Roberto Ferreira. Conversamos por alguns minutos, mas pareceu que já nos conhecíamos há muito tempo. Comecei a cantar as suas músicas e a divulgar o trabalho deles. Quando decidi gravar o segundo cd, resolvi que teria que ser músicas exclusivamente espíritas e procurei o Roberto para lhe pedir autorização para gravar algumas de suas músicas. Ele recebeu a mim e a meu pai e colocou à nossa disposição todas as mais de 800 músicas, àquela época, hoje são mais de 1500, que a espiritualidade o haviam inspirado. O cd "Quero ser ponte" é o resultado desse encontro, 12 músicas selecionadas entre as centenas que ele nos ofereceu. Hoje sou considerado um "afiliado", embora eles tenham como afiliados apenas outros grupos corais. Roberto Ferreira é pessoa maravilhosa, com uma capacidade gigantesca de se doar. O seu trabalho precisa e merece ser conhecido pelas pessoas do Movimento Espírita. Ele não é só importante para mim, ele é importante para o Espiritismo.

ALEX - Comente algo a respeito de seus cd's e de seu mais recente, o "Quero ser  Ponte".
 
 LIRÁLCIO - Como eu disse, meu primeiro trabalho, chamado "Aprendizes", tinhas algumas músicas de fora do espiritismo, embora também tivesse algumas conhecidas no meio, como "Quanta luz", da médium carioca Cenyra Pinto, e "Hino dos Aprendizes do Evangelho", de Edgard Armond. Mas era um material produzido sem as devidas autorizações, que eu mesmo duplicava no computador e vendia. Quando decidimos produzir o segundo, com ajuda financeira de meu pai, queríamos que fosse todo legal, com registro nos órgãos competentes, prensagem em indústria fonográfica, etc. O cd levou 2 anos sendo produzido, na base do “juntou, gravou”, ou seja, à medida em que tínhamos o dinheiro íamos ao estúdio, pagávamos e gravávamos, faixa por faixa. Depois do material pronto veio o momento da prensagem e foi outra dificuldade, pois não tínhamos dinheiro para fazê-lo. Só 3 anos depois é que o Roberto Ferreira, vendo a nossa dificuldade, assumiu pela 'Fundação Grupo Vocal União & Harmonia' a impressão de mil unidades do cd. Com esses 1.000 cds é que venho trabalhando, visando guardar fundos para a divulgação e a produção de um novo álbum, que já estamos em fase de seleção.

ALEX - Como surgiu a sua rádio espírita na web?

LIRÁLCIO - A Rádio Espírita é fruto dessa minha dificuldade em conseguir produzir e também de divulgar meu cd. Infelizmente, o Movimento Espírita tem ainda uma certa ojeriza em relação à arte, especialmente a música – que, graças a Deus vem mudando de uns tempos pra cá, mas ainda está muito longe do ideal. Por causa disso procurei formas alternativas de divulgá-lo, inclusive pensando em outros tantos artistas que, como eu, passavam pelo mesmo problema. Inicialmente, a idéia era fazer um programa semanal de arte espírita em rádio ou televisão, com entrevistas, vídeo clipes e muito bate-papo. Há quase 6 anos, procurei o Alamar Regis Carvalho, com quem já tinha amizade há muitos anos, e que estava lançando a Rede Visão, sistema web de transmissão de rádio e TV, ao vivo e on demand, me colocando para produzir esse programa. Imediatamente ele abraçou a idéia, mas me questionou se não seria melhor, diante das minhas exposições – eu lhe expliquei a minha intenção em ser um divulgador ferrenho da música espírita -, ele me questionou se não seria melhor um veículo específico, 24 horas: uma rádio. Naquele momento, eu fiquei chocado, a idéia era maravilhosa, mas será que eu tinha condições de fazê-lo? Ele me explicou que não seria complicado, já que os requisitos mínimos – um computador conectado à internet e um programa de gerenciamento – não seriam problemas. Então eu topei e no dia 12 de janeiro de 2007 entrou no ar a web-rádio “Rádio Espírita”, focada essencialmente na difusão da mensagem doutrinária através da arte. Agora em janeiro vamos completar 5 anos de existência. Atualmente são 169 artistas espíritas sendo divulgados com pouco mais de 3.000 músicas. Mas ainda falta muito, o trabalho está apenas começando. É preciso que o artista espírita saiba de nossa existência e nos enviem seu material para que possamos divulgá-lo. Eu sei que tem muita gente boa por esse mundo a fora fazendo arte espírita e que precisa de espaço, para isso nós estamos aqui. Por muito tempo eu cuidei sozinho da Rádio Espírita e foi bem difícil, mas graças a bondade e misericórdia de Deus, uma linda pessoa se uniu a mim para fazer com que esse trabalho cresça, floresça e frutifique: Telma, minha esposa. Sem ela, a Radio Espírita já teria deixado de existir.

ALEX - Recentemente você fez o cd "Coletânea Rádio Espírita – Volume I", incluindo canções de alguns grupos de nossa região, como o 'Anima' e o 'Castelã'. Como foi organizar este trabalho? E teremos a realização dos números 2, 3, 4...?

LIRÁLCIO - A coletânea é uma orientação dos espíritos que dirigem este trabalho e faz parte das comemorações de aniversário de 5 anos da Rádio Espírita. Ele visa a divulgação dos artistas entre si, já que alguns nem se conhecem e um acabará divulgando o outro, e também a arrecadação de fundos para a manutenção e sustento da arte como um todo. Como eu disse anteriormente, sofri muito em meu projeto de divulgar a Doutrina Espírita através da música, o Movimento Espírita tem um problema sério quando o assunto é dinheiro, os grupos e instituições formais constituídos têm grande dificuldade em apoiar projetos que tratam da Doutrina como um todo e, infelizmente, focam exclusivamente em si, na manutenção dos seus próprios trabalhos. Sempre que procurei algum empresário espírita a dificuldade era a mesma: eles achavam o material lindo, que ele deveria sim ser divulgado e que eu deveria doá-lo, integralmente, para que eles o divulgassem. Nunca, nenhum deles me perguntou quanto custou para produzir aquele trabalho, quais foram os sacrifícios que empreendi para que ele fosse a termo. Queriam o trabalho para eles, graciosamente, esperando que eu ficasse feliz apenas em ser conhecido, em aparecer... Meu objetivo não é ficar famoso, não é viver da Doutrina Espírita, mas é preciso ser justo: há custos envolvidos em uma produção como esta, especialmente se ela for feita visando a qualidade que, eu acho, a Doutrina Espírita merece. Eu não sou rico, muito pelo contrário. Então, hoje, quando eu parto para uma empreitada como esta, também penso no que passei e, assim, decidimos que toda a arrecadação conseguida com a venda deste material será dividida igualmente entre todos os artistas envolvidos. Ou seja, a renda da venda do cd “Coletânea Rádio Espírita” irá ajudar a manter a Rádio Espírita no ar, a colocar novos projetos de divulgação da arte espírita, como shows e eventos culturais que pretendemos fazer, e também ajudar financeiramente os artistas espíritas que tanto precisam para poder fazer a sua arte. Acho que qualquer trabalho tem que ser realizado em um processo simbiótico, onde um ajuda o outro e assim crescem juntos. De outra forma, o que existe é apenas um processo parasitário, onde apenas um dos envolvidos se beneficia do outro, graciosamente, sem contrapartida. Não há uma preocupação com a sobrevivência da outra parte, se aquela deixar de existir, não tem problema, simplesmente se arruma outro “hospedeiro”. Isso eu jamais farei.

Quando recebemos a orientação do plano espiritual para desenvolver este trabalho, comunicamos os artistas espíritas através das listas, fóruns e grupos existentes e os convidamos a fazer parte do empreendimento. Muitos artistas imediatamente se prontificaram e começamos então a seleção. Alex, você não faz idéia como foi difícil, pois há muita coisa linda produzida e nós tivemos muita dificuldade para escolher as músicas que comporiam o material. Para você ter uma idéia, eu mesmo quase fiquei de fora. (risos) O certo é que muita gente acabou não entrando, pois um cd comporta apenas 74 minutos de gravação, e assim vamos ter que fazer o volume II, III, IV etc. Mas é claro que isso depende muito da aceitação do público, se este primeiro for um fracasso, é óbvio que não teremos como investir em outras produções.

Esta é a relação, em ordem alfabética, dos artistas e suas músicas, que comporão o volume I:

• Alma Sonora (PR) - Tempo de amor
• Ana Ariel (SP) - Chico 100 anos
• Clayton Prado (SP) - Essência infinita
• Clésio Tapety (SP) e Adolfo Lino (PI) – Herdeiro
• DaNNilu (SP) - Ave Maria
• Flávio Fonseca (DF) - Nova madrugada
• Grupo Änïmä (SP) - Novo tempo
• Grupo Castelã (SP) - Em busca de luz
• Grupo Mensageiros (GO) - Homem de bem
• Grupo Vocal Vinha de Luz (SP) - Nosso querido professor
• Jackson e Alana (RS) - Seja, então feliz
• Jean Charlles (DF) - O chamado
• Júnior Vidal (RJ) - Com Jesus
• Lirálcio (SP) - Efeito bumerangue
• Merlânio Maia (PB) - Palavras do Cristo na beira do mar
• Preté (SP) - Vivenciando o amor
• Roberto Ferreira (SP) - Operário do amor
• Sergio Sachi (SP) - Amigos do outro plano
• Sílvio Sodré (SP) - Belo porvir
• Thiago Brito (RJ) - Podre Rico
• Tim e Vanessa (MG) - Médiuns

ALEX - Os dois mais recentes entrevistados em nosso blog foram os cantores Vansan e Allan Vilches, um pouco antes deles entrevistamos Elizabete Lacerda de Brasília. Você os conhece? O que diria do trabalho deles?

LIRÁLCIO - Sim, conheço os três e os três integram o “play list” da Rádio Espírita. Allan Vilches é um grande amigo e excelente cantor, seu trabalho é magnífico, com uma qualidade impressionante. Tive oportunidade de assistir ao vivo alguns shows com ele, além de suas palestras musicais. Um primor! Vansan eu conheço apenas o trabalho, já há bastante tempo. Ele é de Mogi das Cruzes. Elizabete Lacerda conheci seu trabalho há pouco tempo, apresentado por um amigo, Silvio Sodré que também é artista espírita de Brasília, que me deu de presente um cd dela. Hoje, somos amigos no Facebook. São todos trabalhos lindos que precisam e merecem ser divulgados.

ALEX - Fale um pouco mais sobre a sua relação com a Rede Visão do Alamar?

LIRÁLCIO - Como eu disse lá atrás, conheço o Alamar há mais de 15 anos. Eu era voluntário em grupo de divulgação espírita nas salas de bate-papo (antigamente chamadas de chat) usando um programa chamado IRC – Internet Realy Chat. Tínhamos duas salas em duas redes de IRC, as mais usadas chamadas BrasIRC e BrasNet. Esse trabalho, pioneiro na utilização da internet para divulgação da mensagem espírita, começou a crescer e de repente nos vimos necessitando de espaço para divulgá-lo. Foi então que surgiu o Alamar, que na época morava em Salvador, apresentava um programa semanal de televisão via Embratel, chamado "Espiritismo via satélite", e editava uma revista mensal, chamada “Visão Espírita”. Para manter tudo isso, Alamar tinha uma empresa, a SEDA – Sociedade Espírita de Divulgação e Assistência, que tinha um site e um provedor, àquela época algo muito caro. Ele, que freqüentava nossas salas constantemente, nos ofereceu espaço no servidor da SEDA, hospedou nosso primeiro site e divulgava o nosso trabalho em sua revista, sem nada cobrar. Nossa amizade, e respeito, vêm desta época. De lá para cá, meu respeito e admiração só aumentaram. Sei que algumas pessoas não gostam do Alamar, devido ao seu estilo franco e direto, mas eu o respeito e sei que acima de tudo ele é uma pessoa honesta e sincera, não afeita à "elevação de faixada" e à "bondade de aparência". Alamar é o que é, a qualquer hora e em qualquer lugar, e isso eu admiro muito. O IRC-Espiritismo cresceu tanto que hoje mudou de nome, chama-se agora Espiritismo.Net (www.espiritismo.net) e usa programas mais modernos para fazer aquele mesmo trabalho de divulgação que era feito nas salas de IRC, como o PalTalk, um software que além do texto também permite usar voz e imagem. Alamar hoje mora em São Paulo, pertinho da minha casa, e procuramos fazer um trabalho de divulgação da Doutrina Espírita usando a tecnologia disponível para isso. A Rede Visão (www.redevisao.net) mantém um servidor próprio nos Estados Unidos, pois é muito mais barato e seguro que o serviço brasileiro, e segue acreditando que “divulgar a Doutrina Espírita é a maior caridade que podemos fazer por ela”.

ALEX - Você acha que os espíritas de uma forma geral deveriam explorar mais a mídia para a divulgação da Doutrina?

LIRÁLCIO - Não tenho a menor dúvida com relação a isso. Se Kardec estivesse encarnado, com certeza absoluta usaria destes recursos para aprimorar e difundir o seu trabalho. Não há como fugir disso, a tecnologia existe e veio para ficar. Cada dia mais elas se integram ao nosso dia a dia e precisamos nos adaptar, aproveitar o que elas tem de bom e utilizá-las ao máximo em nosso benefício. Eu vejo muitas pessoas que se afastam da Internet, por exemplo, dizendo que há muita porcaria por lá. É verdade, há sim, mas também tem coisa boa, é procurar. Também ouço há muito tempo dizerem que a televisão é o mal do século. Ok, a televisão é mal explorada, é um meio massificante, “emburrificante”, mas isso porque aqueles que podem fazer alguma coisa de bom se afastam, deixando para os mal intencionados o espaço livre para atuarem. Isso acontece com todas as mídias. Rádio, cinema, teatro, televisão, jornal, revista e internet, são apenas meios com os quais se transmitem idéias, mensagens, se forem usadas de forma inteligente podem fazer muito pela humanidade. Mas é como disse o Espírito Verdade na questão 932 de “O Livro dos Espíritos”: o mal prolifera porque os bons são tímidos e o mal é intrigante e audacioso; quando os bons quiserem, o bem dominará.

ALEX - E a qualidade e conteúdo doutrinário nas músicas espíritas atuais?

LIRÁLCIO - O movimento artístico espírita ainda está engatinhando, ainda se discute o que é ou não arte espírita, incluída ai a música. Temos muito que fazer para termos uma arte uniforme e que atinja realmente a sua finalidade: colocar o bom e o belo a serviço do bem. A música espírita precisa crescer, o músico espírita precisa compreender o seu papel no contexto doutrinário. Há, ainda, um ranço, muito triste por sinal, em relação à arte dentro do Movimento Espírita, que muitos confundem com o que é feito por outras denominações religiosas. Quando se fala em investimento, então, a coisa complica muito. Dentro do próprio meio ainda não há consenso, pois há muitos que acham que não se pode cobrar, outros entendem ser necessária a cobrança, cada qual com seus ene número de argumentos pró e contra a “comercialização da arte espírita”. A questão da qualidade da arte, invariavelmente, passa pela questão do investimento. Vivemos em um mundo material, onde as coisas têm custo e precisamos entender isso. Para se fazer as coisas de modo amador, claro, qualquer pessoa de boa vontade pode fazê-lo, bancando de si os custos para isso, que são relativamente pequenos, mas quando falamos em produção com qualidade não tem como não esbarrar na questão financeira. Aí é um deus-nos-acuda!

Sinceramente, eu não vejo problema em se cobrar ingresso para se assistir uma bela peça teatral, produzida por grupo espírita, com conteúdo espírita, voltada para a comunidade espírita e simpatizantes. As pessoas “comuns” não fazem isso para ver peças de gosto duvidoso e de conteúdo chulo? Eu não vejo problema em ir ao cinema para assistir a um belo filme produzido por uma instituição espírita, focada nas bases doutrinárias e que vai acrescentar algo à minha vida. Os cinemas não enchem de expectadores para ver filmes de violência e sexo dando bilhões aos seus produtores? Por que para nós tem que ser de graça? Por que para nós tem que ser mal feito? Qual o problema em se pagar por um cd de músicas edificantes, harmonizantes, que vão nos trazer paz e bem-estar? Por que é espírita? Espírita é menos? Em quê Roberto Carlos é melhor que Vansan? Luciano Pavarotti é melhor que Allan Vilches? Paula Toller é melhor que Elizabete Lacerda? Grupo Sensação é melhor do que o Grupo Vocal União e Harmonia? Não, absolutamente não! Isso sem falar em material fonográfico muito pior que hoje tomam conta das mídias e que tocam em autos volumes por esse Brasil afora, insitando nossos jovens ao sexo e às drogas. Não é melhor que o dinheiro venha para o Movimento Espírita, auxiliar na manutenção de trabalhos edificantes e de assistência social e espiritual do que para pessoas que só pensam na fama e na fortuna a qualquer custo? Sim, eu dou de graça o dom de cantar, mas tenho despesas que não dá para pagar com passe e água magnetizada. Acho que ainda não entenderam quando Jesus disse “a César o que é de César, a Deus o que é de Deus”.

ALEX - Agora uma pergunta que eu deveria ter feito no início: Como você conheceu a Doutrina Espírita?

LIRÁLCIO - Como já disse, eu tenho formação católica, vivia dentro da Igreja, participava ativamente na comunidade. Porém, sempre fui bastante questionador, muitas coisas que eu lia e que os padres e freiras tentavam me passar ficavam como grandes indagações. Quando eu perguntava a eles coisas como “se Deus perdoou Noé e disse que abençoava a ele, seus filhos e seus descendentes, sendo que só haviam sobrado eles na face da terra, por que eu tinha que pagar por um erro cometido por outras pessoas antes disso? – o pecado original – Afinal, eu era mais filho de Noé do que de Adão!” as irmãs do convento onde eu estudava ficavam horrorizadas com minhas perguntas, viviam chamando meu pai na diretoria, pedindo a ele que me educasse melhor e coisas assim. Um dia “briguei com o mundo”, não queria saber de mais nada, me afastei totalmente das atividades da Igreja e coloquei estas questões em segundo plano. Foi quando um amigo muito querido me deu um livro de presente. Eu olhei aquele livro e me arrepiei. “Credo, tira isso daqui, esse negócio de espiritismo não é coisa de Deus!” disse eu ao meu amigo que acabava de presentear com um exemplar de “O Livro dos Espíritos”. Ele não se ofendeu e disse “Deixa ele por ai, quem sabe uma hora você resolva dar uma folheada e entenda que as coisas podem ser diferentes do que você pensa que são”. E ele ficou lá, na mesa, por dias, talvez semanas. Uma bela hora, de curiosidade, abri-o e comecei pelo começo, ou seja, pelas explicações de Kardec. O texto era claro, conciso, escrito por alguém que parecia apaixonado pelo que havia feito. Não consegui parar de ler. Passei então a questão nº 1 “Que é Deus?”. Essa pergunta tinha alguma coisa estranha, não se pergunta “o que é Deus”, o correto seria “quem é Deus”, pensei eu. A resposta foi ainda mais bombástica: “Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”. A partir dali, minha vida teve um novo significado, a cada pergunta formulada pelo autor, que pareciam ser as minhas, uma resposta me iluminava e me fazia voltar a compreender Deus. Fui atrás de mais. Li, estudei, esmiucei tudo o que tinha direito, mas sempre com reservas, tudo em casa, sem nunca ter ido a uma instituição espírita, pois ainda guardava muito preconceito sobre as mesmas. Foi quando conheci minha segunda esposa. Eu já estava separado havia algum tempo e quando começamos a nos relacionar ele me convidou para conhecer uma casa espírita que ela freqüentava. No início fiquei arredio, mas cedi e fui. Ao chegar lá, uma surpresa enorme: vários amigos e colegas estavam naquela casa. O presidente da instituição, que eu conhecia desde a infância, e era professor como eu, me recebeu e me abraçou dizendo “Seja bem-vindo, irmão”. A partir de então, passei a frequentar a casa, fiz todos os cursos disponíveis e comecei a trabalhar como voluntário, fazendo palestras, dando cursos, participando ativamente das atividades da casa.

ALEX - Como foi o seu primeiro contato com a música espírita?

Lirálcio e esposa
LIRÁLCIO - Nesta instituição que citei acima, de nome Centro Espírita Francisca Souza, em São Miguel Paulista, zona lesta de São Paulo, quando comecei a freqüentar o curso de “Aprendizes do Evangelho” uma música era cantada em todo início de aula, o “Hino dos Aprendizes do Evangelho” de Edgard Armound, que as pessoas popularmente chamam de "Pai Celeste” porque é a primeira frase da música. A casa também tinha uma música particular, de autoria da mentora espiritual, D. Francisca Souza, chamada “Caridade”. Eu mesmo, quando comecei a cantar na casa, usava várias músicas que havia aprendido na Igreja, até que conheci as músicas do Grupo Vocal União & Harmonia. Desde então, procuro trabalhar músicas exclusivamente doutrinárias, até porque há uma quantidade imensa de músicas dentro do movimento espírita que não justificaria, ao menos na minha visão, trabalhar mais com música de fora.

ALEX - Você teve contato com o médium Francisco Candido Xavier?

LIRÁLCIO - Há 18 anos, em uma das instituições em que lecionava e era diretor de ensino doutrinário, o Centro Espírita Lar Verdade Amor e Caridade, um casal de alunos promoveu uma excursão até Uberaba. Inicialmente eu não me prontifiquei a participar da mesma, mas como eles insistiram e me deram a viagem de presente acabei indo com eles. Foi uma viagem rejuvenescedora, conheci Peirópolis, o sítio do Sr. Langerton, médium homeopata que tratara o Chico, fomos a Sacramento, onde tive a oportunidade de conhecer o Colégio Allan Kardec, instituição fundada por Eurípedes Barsanulfo, e o centro espírita fundado por ele e mantido pela família até hoje. Em Uberaba, tive a oportunidade de fazer uma palestra e cantar em um dos centros espíritas frequentados pelo Chico e tive a honra de poder beijar-lhe a mão e o “desconforto” (afinal, quem sou eu para ter tal merecemento?) de ter a minha mão beijada por ele. Foi uma experiência única, da qual jamais vou me esquecer.

ALEX - O que você poderia nos dizer á respeito de Jorge Rizzini?

LIRÁLCIO - Conheci muito pouco deste emérito trabalhador da Doutrina Espírita. Sei que recebia músicas de poetas famosos desencarnados, que fez o primeiro programa espírita da televisão brasileira, chamado “Em busca da Verdade” aqui na TV Cultura de São Paulo, e que escreveu vários livros sobre diversas personalidades espíritas. Eu gostaria de ter tido contato mais próximo com ele, pois foi um grande desbravador das mídias e eu teria muito a aprender com ele. Infelizmente, para mim, Rizzini desencarnou em 2008 aos 84 anos de idade, mas seu legado é grande e há muito ainda pra se aprender com o que ele deixou.

ALEX - Para finalizarmos um Pinga-Fogo :

- Violão – Companheiro, há algum tempo desprezado (risos).
- Mídia – Um meio que precisa ser aproveitado para o trabalho do bem.
- Família – Fonte de sustentação, base para o meu crescimento.
- Kardec – O pedagogo.
- Deus – Tudo!

ALEX - Muito obrigado pela entrevista virtual (risos), esperamos ansiosos a sua vinda e que Jesus continue a lhe iluminar nesta caminhada. Um forte abraço e são suas as considerações finais:

LIRÁLCIO - Eu que agradeço, Alex, pelo seu interesse em meu trabalho. Não sou perfeito, estou muito longe disso, só quem me conhece de perto sabe dos meus erros, dos meus defeitos, mas eu busco a cada dia me melhorar e faço isso com afinco. Também tento ajudar aqueles que estão à minha volta, aqueles que queiram me ouvir, seja através de minhas palestras, das canções que interpreto ou do trabalho que realizo. Tenho certeza que o mundo se tornará melhor quando todos entendermos as lições morais deixadas por Jesus e as colocarmos em prática em nosso dia a dia, não apenas dentro da casa espírita, mas na família, no trabalho, no trânsito, na escola ou onde quer que estejamos. Um planeta de regeneração nos aguarda o concurso e depende de nós que a Terra rapidamente se torne esse planeta, onde a felicidade ainda não será plena, mas será muito bom pra se viver. Muito obrigado e que Deus nos abençoe, hoje e sempre.

O NOSSO ENTREVISTADO ESTARÁ EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-SP
NO DIA 24 DE SETEMBRO (SÁBADO)
NO PROGRAMA "VIVÊNCIA ESPÍRITA", ACOMPANHEM PELA RÁDIO (750 AM) OU AO VIVO PELO SITE (www.superradiopiratininga.com.br) E Á NOITE ESTARÁ REALIZANDO UMA PALESTRA COM O TEMA "EDUCAÇÃO VEM DE BERÇO" NA AME (ASSOCIAÇÃO MATERNAL ESPIRITA), NA RUA OSCAR STRAUSS, BOSQUE DOS EUCALIPTOS, ÁS 19:30hs

Alex Guimarães e Lirálcio Ricci na AME - São José dos Campos/SP

5 de setembro de 2011

72 - ALEX entrevista VANSAN

Ele nasceu e reside em Mogi das Cruzes-SP
É músico profissional. Violonista, cantor e compositor com 25 cd's e 1 dvd gravados.
Ele canta em vários idiomas, em diferentes ritmos e estilos musicais.
É formado em Comunicação Social e Artes.
Pós graduado pela Universidade de Mogi das Cruzes.
Realiza mais de 300 palestras por ano com suas músicas pelo Brasil e no exterior, além de shows e eventos.
Admirado por muitos devido á sua voz e maneira em que se dedica á música, ele é VANSAN.

No dia 10 de agosto de 2011, em plena quarta-feira, em uma simples casa espírita que como no nome já diz "Pequeno Templo da Caridade", várias pessoas se acomodavam preenchendo todos os bancos e dependências do local para ouvir a voz que ecoou por toda aquela praça...Foram lindas canções, já começando com "O Homem" de Roberto e Erasmo Carlos, e que no decorrer da apresentação "Terapia Musical do Amor" só nos fez chorar de emoção, eram músicas que nos faziam voltar no tempo, ir á outras esferas, somente quem já ouviu Vansan cantar saberá entender e sentir o que estou tentando descrever. Ao término da palestra, conseguimos algumas palavras deste músico abençoado e que agora compartilharemos com você leitor, obrigado!

ALEX - Olá Vansan, que maravilha de palestra, ainda estou anestesiado e flutuando. O que é esta Terapia Musical do Amor que acabamos de experimentar?

VANSAN - Obrigado pelas doces palavras.
A Terapia Musical é um trabalho espiritual.
Resultado de anos de afinidade com a equipe espiritual que foi nos orientando através de diversos médiuns, de diversos lugares na formatação e nas mensagens que as músicas deveriam conter.

ALEX - Você com as canções cantadas fez-me voltar aos tempos em que junto de minha mãezinha, cantávamos felizes na época de Igreja. Você também no início da palestra citou sua mãe, o que você poderia nos dizer sobre ela?

VANSAN - Minha mãe foi sempre exemplo de amor, de humildade e de fé.
Criou, embora sem muitos recursos financeiros 11 filhos com muita dignidade. E sempre tinha alguma coisa para dar a quem precisasse.
Sempre procurava antecipar os sofrimentos alheios e a ajudar as pessoas nas suas dificuldades.
Foi um presente de Deus em minha vida. E hoje faz parte da equipe de espíritos nesse trabalho que realizo.

ALEX - E sobre o seu primeiro contato com o Espiritismo?

VANSAN - Foi em torno de 1980. Eu sofria de crises de enxaqueca, passei pelo médico e ele constatou que eu não tinha qualquer problema físico. Ele mesmo me recomendou procurar uma casa espírita.
Lá nosso orientador me disse que eu não tinha problema de saúde, mas uma tarefa a desenvolver como médium.
Comecei a me interar e aprender sobre a doutrina, a trabalhar nas obras assistenciais da casa, a estudar, e logo já estava trabalhando nos passes e nos trabalhos mediúnicos.

ALEX - Você teve contato com Chico Xavier?

VANSAN - Pouco! Durande seis anos minha familia : esposa, filhas e sogros, visitavam mensalmente o Chico. Eu trabalhava como músico nessa ocasião e não podia estar sempre com eles, mas fui algumas vezes, apenas como um visitante, mas para Chico cada visitante era especial e foi assim que me senti cada vez que lá estava. Sempre agraciado pela vibração amorosa de Chico.

ALEX - Adoro sua música "Vem", conte a história dela para nós, por favor!

VANSAN - O autor dessa música é João Cabete. Um médium compositor espírita que viveu bastante na região de Santos. Possui muitas composições mediúnicas.
Especificamente sobre essa canção "Vem", contam que foi enviada pelo espírito de Livia em retribuição poética àquela famosa poesia "Almas Gêmeas" contida no livro "Há dois Mil Anos".

ALEX - E a música "Prece" que tanto adoro, também é dele?

VANSAN - Também é de João Cabete.

ALEX - Você tem idéia de quantas músicas já compôs e quantas já gravou?

VANSAN - Tenho muitas composições, algumas centenas, mas todo ano componho pelo menos uma, que é o tema para o encontro anual RGA - Reunião Geral da Aliança, reunindo confrades de diversos paises.
Tenho 25 cds gravados, acredito que totalizam umas 400 músicas.

ALEX - Fale um pouco sobre sua participação anual na RGA (Reunião Geral da Aliança Espírita Evangélica) e demais eventos, com Divaldo, em Congressos...

VANSAN - Em 2005 fui convidado a participar na harmonização do RGA. Então, os dirigentes foram intuidos a me convidar para ser o compositor dos temas músicas desse encontro, o que vem ocorrendo desde 2006. Os organizadores me passam o tema central de cada ano e eu faço o tema musical, intuido pela espiritualidade.
Meu contato com nosso querido Divaldo é pouco, algumas vezes tive a alegria de fazer as harmonizações de suas palestras, e de participar de alguns congressos em que fomos agraciados pelas suas maravilhosas palestras.

ALEX - E como foi se apresentar no exterior? Em Portugal e Estados Unidos?

VANSAN - Uma experiência enriquecedora, porque pude perceber que as necessidades são semelhantes.
Se não há às vezes necessidade material, há a afetiva e moral, percebi também que há bondade, fraternidade e amor em qualquer lugar do planeta. Cada um com seu jeito próprio de dar carinho. E finalmente, a grande difusão da doutrina espírita, graças ao empenho especialmente de companheiros brasileiros que vâo semeando nossa amada doutrina pelo mundo afora.

ALEX - Á pouco enquanto conversávamos, brinquei contigo sobre você ter sido um "italianinho com bandolin na mão" em encarnação passada (risos). Você acredita que talvez você foi um músico em outra existência? Pois é impressionante esta história de você ter nascido sabendo tocar e ao vê-lo dedilhar o violão, confesso que enxergamos além daquilo que se vê fisicamente, é muito lindo, é extraordinário o modo em que você se apresenta.

VANSAN - Tenho certeza que fui um músico em outras vidas, pois desde menino já imaginava os arranjos musicas para as músicas que ouvia. Punha músicas para tocar na vitrola e procurava o som no violão. E não me contentava com pouco, sentia falta de uma orquestra, por isso desenvolvi essa técnica no violão.
Mas fui um músico que por algum motivo, certamente por excesso de orgulho, tornei-me um grande devedor.
E Deus me Deu a graça de poder ir quitando o meu débito, da forma mais amena possível, cantando...
Embora eu não faça as apresentações envolvido, a participação e inspiração da Espiritualidade torna a nossa tarefa com uma vibração amorosa, o que sensibiliza tanto encarnados, quanto os desencarnados.

ALEX - Finalizando nossa conversa, vamos fazer um Pinga-Fogo e iniciarei citando ela que está aqui contigo :

- Esposa - Companheira, amiga, orientadora, simbolo de carinho e amor.

- Violão - Extensão de mim mesmo. É um membro do meu corpo que posso guardar num estojo.

- Música - Presente de Deus para a Humanidade. Grande parte da essência da minha vida. Alimento da alma.

- Televisão - Excelente meio de comunicação. Se fosse usado apenas para o Bem e para disseminar as coisas positivas, seria uma maravilha.

- Kardec - O grande codificador de nossa amada doutrina - exemplo de paciência e de dedicação. Instrumento de Deus para nos trazer aquilo que necessitávamos saber, na hora certa.

- Maria - Doce mãe de Jesus. Chico a chamava por MÃE SANTÍSSIMA e é assim que eu a sinto, pois a simples lembrança de seu nome nos enche o coração de alegria, de fé e de esperança. Consola as nossas almas.

- Deus - Todo Poder, Bondade e Amor. Pai Criador e Força suprema. Fonte de energia, sabedoria e paz.

ALEX - Vansan, muito obrigado pela entrevista! Que Jesus lhe abençoe cada vez mais, não somente sua voz, mas essa sua missão de emocionar as pessoas com as vibrações emanadas de suas canções e palavras, até a próxima!

VANSAN - Gostaria de agradecer a oportunidade. E espero reencontrá-lo muitas outras vezes.
Fique com Deus

ALEX - As palestras musicais de Vansan não são filmadas, mas achamos uma apresentação dele no YouTube e pedindo autorização ao próprio músico, ele nos permitiu exibir esse video onde ele interpreta a canção "Pai Nosso", assista abaixo!