27 de maio de 2012

96 - ALEX entrevista LASZLO JOSEF MATRAI

O entrevistado de hoje é um amigo de Taubaté-SP.
Mas ele nasceu em Ribeirão Pires-SP, em 1961.
Ele é filho de imigrantes húngaros, funcionário público municipal, casado e tem 4 filhos.
Aos 9 anos de idade sentiu as primeiras manifestações da mediunidade.
Aos 18 anos ele participou do primeiro curso de educação mediúnica.
Ele participou de cursos ministrados pela USE-Sto André, USE-SP, FEESP e FEB.
Foi aluno e depois dirigente do curso Aprendizes do Evangelho, na AEE.
Recentemente estudou e aprofundou-se também em conhecimentos de Umbanda.
Seu lema é "Busque conhecer bem antes de falar a respeito de alguém ou de algo".
Pela Lúmen Editora ele publicou o livro "Ratinhos Brancos".
O nosso entrevistado chama-se Laszlo Josef Matrai.

Laszlo Josef Matrai
ALEX - Olá Laszlo, tudo bem? É um prazer entrevistá-lo meu amigo! 

LASZLO - O prazer é meu e quero agradecer essa oportunidade que me foi oferecida por você.

ALEX - Conte para nós como foi o seu primeiro contato com o Espiritismo.

LASZLO - Meu primeiro contato com o espiritismo ocorreu por intermédio de meu padrinho que me conduziu a uma casa espírita, nos moldes da famosa "mesa branca", isso quando eu contava com nove anos de idade.

Nessa época, a mediunidade em mim se expressou ostensivamente através da incorporação mecânica, fato que se deu pela primeira vez na casa de meus padrinhos, quando lá passava eu alguns dias em férias.

Nessa ocasião, um espírito que jamais soube a identidade, manifestou-se algumas vezes, sempre à noite e com muitas pessoas em volta, pois a casa de meus padrinhos era bem frequentada por muitos de seus amigos, eu ficava totalmente inconsciente, vindo a despertar altas horas da madrugada com todos despedindo-se de mim, esse detalhe é a única lembrança que retenho na memória desta época e do ocorrido.

Essa entidade não se furtava a dar esclarecimentos diversos e aconselhamentos a todos os que o questionavam, nos mais diversos assuntos.

Eu tomei plena consciência desses fatos apenas muitos anos depois, quando em conversação com uma prima, esta relatou-os a mim, e depois tive a confirmação dos mesmos, feita por diversas outras pessoas.

ALEX - Aos 18 anos você fez um curso de educação mediúnica no Centro Espírita Maria Amélia? Que casa linda!

LASZLO - Foi no Centro Espírita Maria Amélia, em São Bernardo do Campo, uma casa que infelizmente não visito há mais de 25 anos, mas que foi preponderante na minha educação mediúnica.

Lembro-me que passei por algumas entrevistas e finalmente fui convidado a participar de um grupo de estudos e trabalhos avançados de assistência espiritual a desencarnados. Já nessa época eu possuía uma tal base doutrinária que facilitou meu ingresso nesse grupo.

Lá permaneci por alguns anos participando do socorro espiritual, em que muitos espíritos, especialmente os que desencarnaram em virtude do consumo de tóxicos ou álcool, eram assistidos, tratados através do choque anímico via incorporação e orientados por um "doutrinador" encarnado.

Coloquei a palavra "doutrinador" entre aspas, pois já naquela época eu percebia que não era o objetivo daquele trabalho, doutrinar espírito algum de molde a "convertê-lo" ao espiritismo, mas sim orientá-lo quanto a sua situação e as possibilidades de que ele disporia dali para frente no sentido de resgate de sí mesmo.

ALEX - Muito lindo isso! E eu soube que você sempre leu muito os livros de Kardec, desde os 9 anos de idade. Fale um pouco á respeito desta nova geração de espíritas que acabam esquecendo os livros de Kardec.


LASZLO - Talvez devêssemos considerar que o esquecimento na verdade possa não ser dessa nova geração, mas sim dos que a orienta...

ALEX - Concordo...

LASZLO - Quando iniciei ativamente no Espiritismo, qualquer um que almejasse ingressar no quadro de colaboradores de uma casa espírita, cumprindo seja que papel fosse, desde um médium, um orientador, um doutrinador, passista e principalmente os atendentes, tinha que preencher um requisito básico, conhecer a doutrina espírita através da participação do estudo sistemático das obras da codificação. A exigência, ou condição ‘sine qua non’ era do estudo de no mínimo duas obras básicas, "O Livro dos Espíritos" e o "Livro dos Médiuns", cuja comprovação se dava por meio de uma sabatinagem. Além disso era rogado ao espírita, candidato a trabalhador, que procedesse ao "Estudo do Evangelho no Lar", essa última condição ficava por conta da palavra do espírita.

Percebo hoje, que apesar de se falar muito da necessidade deste conhecimento, pouco se faz para se estimular sua prática.

Já assisti inclusive, palestras em casas espíritas em que o palestrante demonstrou estar não muito à par do conteúdo das obras da codificação.

Talvez devêssemos ser mais enérgicos nesses casos, exigindo, incentivando e promovendo cursos sistemáticos em nossas casas, e por enérgicos, não quero dizer grosseiros, mas firmes e incisivos!

Como exemplo do que digo, na sua pergunta anterior eu explicitei que, para que eu pudesse ingressar em um grupo de estudos e trabalhos de pronto-socorro espiritual, tive de ser sabatinado e comprovar que possuía o correto conhecimento básico da doutrina.

Outra provável causa desse abandono, é a "cultura" de que os livros da doutrina, por terem sido escrito há mais de cento e cinquenta anos atrás, são de uma leitura "pesada" e "difícil", o que não é absolutamente a verdade. Sua leitura não tem nada de muito difícil, pelo contrário, Kardec foi pedagogo e se preocupou em produzir textos de grande simplicidade, que a meu ver, o são até hoje. Baste que nos esforcemos em combater as influenciações espirituais "negativas" que buscam manter-nos na ignorância, fazendo uso da prece, da fé e da força de vontade.

Laszlo autografando seu livro juntamente das obras básicas
ALEX - E aqueles que só ficam lendo o Pentateuco e se esquecem dos outros livros do codificador?


LASZLO - Há os que se dedicam ao estudo das cinco obras básicas de nossa doutrina, e são poucos, entretanto é triste perceber que as demais obras de Kardec, são em sua maioria relegadas ao esquecimento. Raríssimos são os que se dedicaram ao estudo de toda a obra de Kardec.

Das cinco obras básicas de Kardec, na codificação, uma que considero preciosíssima e que é muito pouco estudada, é "O Céu e o Inferno", especialmente aos que se dedicam ao trabalho mediúnico, mais especificamente, o "Pronto-socorro Espiritual", em que nos reunimos em nome de Jesus, para assistir e amparar os nossos irmãos desencarnados que sofrem na erraticidade.

Esta obra é um guia precioso na compreensão das diversas condições que um espírito pode se apresentar na erraticidade.

Já a "revista Espírita" ou "Revue Spirite" no original, traz um cabedal de informações para estudo e compreensão profunda da vida espírita, que deveria ser cuidadosamente explorada pelos nossos irmãos espíritas. Ajudou-me muito em muitos aspectos de minha mediunidade e de minha compreensão das coisas. Isso sem falar em outra jóia preciosa, “Obras Póstumas”, entre outras.

ALEX - Falando em livros, fale um pouco sobre o seu "Ratinhos Brancos", que adorei e já até comentei contigo sobre o que achei dele (risos).


LASZLO - O livro é dividido em duas partes, sendo que a primeira parte é em formato de romance e a segunda passa a ser um relato da vida de alguns protagonistas da primeira parte, no plano espiritual.

O romance localiza-se temporalmente no período compreendido entre as duas guerras mundiais, inclusive, e aborda uma série de provas a que seus protagonistas são submetidos, com vistas à superação de suas paixões e instintos básicos. Geograficamente o romance limita-se entre a Áustria e a França.

Como as duas partes são intimamente interligadas, fica difícil traçar comentários sobre a segunda parte sem prejudicar as descobertas e surpresas que o leitor terá ao ler a primeira parte. Até o presente, tenho tido um excelente retorno crítico da obra, o que nos fortalece na continuidade de nosso trabalho.

ALEX - E quem seria Augustus Ciprus, você poderia revelar algo?


LASZLO - Sim, com prazer!

Augustus Ciprus, foi em sua última encarnação de provas e expiações aqui na terra, um procônsul romano, amigo íntimo do primeiro imperador de Roma, Caius Augustus César. Viveu quase no anonimato e foi perseguido em função de sua amizade com o imperador, o que culminou com sua condenação, execução e quase total proscrição dos registros históricos de Roma.

Seu verdadeiro nome não é Augustus Ciprus, este é uma alcunha que adotou para homenagear tanto o imperador Augustus, como para homenagear aquela que foi sua última encarnação de ajuste com a Lei aqui na terra, cujo ápice desta encarnação se deu na ilha de Chipre.

Sua história está sendo trazida através da psicodigitação, por um outro espírito, que se identificou como sendo Ângelo Cristófolo.

Acreditamos que este livro estará concluído no final de 2012.

ALEX - A origem do nome dele é grega e a sua é húngara, você poderia falar um pouco sobre o Laszlo pessoa?


LASZLO - Meus pais são imigrantes húngaros que vieram ao Brasil por ocasião da revolução húngara contra o regime comunista, que teve por consequência a invasão do país por parte dos russos. Segundo filho de um total de três, nasci em Ribeirão Pires, SP em 15 de setembro de 1961. Casado pela terceira vez, tenho quatro filhos, um casal fruto da primeira união e duas meninas que moram comigo, fruto da segunda união. Minha atual esposa e eu nos conhecemos na casa espírita que freqüentamos atualmente. Apesar de sermos da mesma cidade de origem, Santo André, só vimos nos conhecer aqui em Taubaté, e mesmo assim, só nos conhecemos depois de quatro anos freqüentando a mesma casa espírita! Sou funcionário público municipal, ocupando o cargo de escriturário, e dedico muito do meu tempo livre ao espiritismo, mais especificamente ao intercâmbio mediúnico.

ALEX - Como foi trabalhar na USE, FEESP, FEB e AEE? Como você enxerga cada uma delas?


LASZLO - Bem, minha participação na USE, FEESP,FEB e ALIANÇA se deu em todas as ocasiões por influencia positiva de amigos. Entretanto foi na USE – Santo André e na ALIANÇA, nesta mesma cidade e depois em Taubaté, que mais participei de atividades diversas dentro do espiritismo, que até então se limitavam quase exclusivamente ao estudo da doutrina e da participação quase insignificante em trabalhos de pronto-socorro espiritual.

Essas experiências foram para mim abençoado recurso de aprendizado, pois assim não só conheci diversas abordagens da doutrina como também aprendi a ser flexível e mais compreensivo quanto às diversas formas diferentes de se encarar e praticar o espiritismo, sem que se afaste de seu eixo doutrinário.

ALEX - Você também estudou e conheceu a belíssima Umbanda. O que você teria a nos dizer sobre isto?


LASZLO - Considero o período de três anos em que freqüentei a Umbanda, como sendo o ponto culminante do meu aprendizado como médium espírita, seguidor da codificação de Kardec, apesar de serem tão diversas em sua origem e métodos.

ALEX - Concordo contigo e tive esta experiência também, justamente 3 anos também (risos).


LASZLO - Isso porque graças a esse período em que trabalhei como médium umbandista, conquistei um grande avanço espiritual. Lá aprendi a superar uma série de preconceitos de que era portador e nem imaginava sê-lo, e eu adquiri uma flexibilidade mediúnica difícil de explicar em palavras e que foi preponderante para o trabalho de psicodigitação que exerço hoje.

Aprendi que infelizmente a visão que a maioria dos espíritas a respeito da Umbanda é um tanto quanto distorcida e que os umbandistas tem um grande valor na seara de Jesus, e tão lamentável quanto, também os umbandistas possuem suas restrições quanto aos espíritas.

Aprendi também que existem “casas” e casas umbandistas, assim como as há no espiritismo. Quando uma casa tem por divisa a prática da caridade, as entidades que trabalham na Umbanda são, não raramente, entidades muito amorosas, esclarecidas e dispostas a representar a espiritualidade superior com seu amor e dedicação, respeitando a capacidade que cada um alcançou de compreender as verdades da vida, convivendo amorosamente com as crenças e limitações de todos.

Dizem que o Espiritismo é uma espécie de “Homeopatia” e a Umbanda é um tratamento de choque. Discordo totalmente.

Aprendi que a Umbanda nos ensina a pratica da caridade e da humildade sem limites, sem julgamento, sem imposições e o Espiritismo é a ciência, ou seja o conhecimento, das coisas como elas são, dos “porquês”, ensinando-nos a importância da prática da caridade e do amor ao próximo. Bem, nem todos estão prontos ou aptos para conhecer a verdade, então que devemos fazer, impor a verdade? Ou amar indistintamente, como o Mestre nos exemplificou? Servindo! No dia em que essas duas correntes religiosas, que no plano espiritual seguem o mesmo curso, pararem de divergir e passarem a convergir em ações aqui no plano material, sem que se fundam, sem que percam suas identidades, mas trabalhando lado a lado, será um grande dia para a humanidade terrestre. “Bem avanturados os homens de boa vontade...” e “A cada um, segundo as suas obras...”. Pensem nisso!

ALEX - E o seu trabalho de psicografia, como e quando se inciou? Chegou a realizar cartas consoladoras também?


LASZLO - Em meados de 2004, iniciamos modestamente com a psicografia, ocasião em que poucas e esporádicas mensagens que não ultrapassavam cinco páginas manuscritas eram trazidas pelos nossos irmãos da espiritualidade.

Em agosto de 2009, um grande amigo que reside no plano espiritual, através da psicofonia, comunicou-nos que receberíamos um presente.

Nessa época, já vinha eu por muitos meses, sentindo-me profundamente assediado por uma enorme variedade de entidades espirituais.

Mais tarde vim a saber que tal assédio, que me preocupava, não era negativo, ocorria por eu estar sendo estudado por diversos espíritos, "candidatos" a ter-me por instrumento de psicografia. Ao que me consta, foram mais duzentos e destes, apenas uns poucos (até o presente sei de quatro espíritos) que conseguiram afinizar-se comigo, superando minhas deficiências como pessoa e como médium, aceitando-me, imperfeito que sou, por instrumento de trabalho.

Quinze dias depois do comunicado deste amigo espiritual, começamos a redação do livro "Ratinhos Brancos", que foi sendo trazido aos poucos, primeiramente por esse mesmo amigo espiritual, via psicofonia, apresentando um escopo da obra e depois, pelo próprio Augustus, já passando o trabalho a ser feito via psicodigitação, até a conclusão final da obra, que tomou seis meses para ser redigido e mais um período igual para ser revisado pelo Augustus.

ALEX - Você falou novamente do "Ratinhos Brancos", vem aí a continuação? O número dois?


LASZLO - O segundo livro, que é uma narrativa da vida espiritual, mais específicamente das primeiras experiências de Henrique e Gustavo no plano espiritual, está sendo avaliado pela Marina Ferri, se ela aprovar enviarei no começo do ano para a editora.


ALEX - E aqueles "dois ratinhos" lindos na capa de seu livro, quem são eles?


LASZLO - Quanto aos meninos da capa não sei de quem se trata, pois são contratados pela editora, aliás, "são", não, na verdade são duas fotos do mesmo menino (risos).

ALEX - Isto são revelações dos bastidores (risos). E os verdadeiros "ratinhos brancos", eles ainda tem contato com você?




LASZLO - Quanto aos verdadeiros "ratinhos", estes nos visitam periódicamente, seja na sua forma infantil ou na adulta, a qual não sei por que, conseguimos diferenciar um do outro com mais facilidade, eu talvez pela diversidade de fluidos entre eles, já a Karen, minha esposa, os diferencia pelos cabelos, já que a fisionomia é idêntica. Ah, sim, minha esposa é médium vidente.


ALEX - Que beleza! E o trabalho desenvolvido por você na Seara Espirita Nova Vida, em Taubaté, sobre a problemática da saúde física? Conte um pouco para nós sobre ele.


LASZLO - Vínhamos desenvolvendo, através da psicofonia, com um grupo reduzido de participantes, um trabalho de exposição teórica feita por um mentor médico que me acompanha há muitos anos, visando desenvolver um conjunto de ações aplicáveis em casas espíritas, cujo sentido é de desenvolver, criar e promover uma equipe multidisciplinar cujo objetivo é propiciar a nossos irmãos encarnados um tratamento nos moldes “alternativos”, mas que jamais pretendeu ser substitutivo ao convencional, mas sim paralelo.

Por ordem da espiritualidade superior, entretanto, este trabalho foi interrompido, as anotações estão todas guardadas e esperamos o momento em que nos for liberada a continuidade pelos nossos mentores. A teoria é simples, porém extensa e podemos afirmar que trata do uso consciente dos recursos individuais no sentido de recuperar a harmonia fisiopsicosomática, através de técnicas mentais diversas, que incluem a “reforma íntima”.

ALEX - Você tem novos projetos adiante?


LASZLO - Estamos na fase final do segundo livro que deverá ser apresentado à editora nas próximas semanas e outras obras estão em curso, aguardemos!

Quero ressaltar que pretendemos dispor de uma parte significativa da renda pessoal com a venda dos livros em ações de auxilio aos nossos irmãos e irmãs submetidos a duras provações, através de entidades assistenciais, e quem sabe, consigamos no futuro criar a nossa própria Instituição Beneficente Espírita, aqui em Taubaté.

ALEX - Falando em Taubaté, uma resposta breve sobre este nome: Marina Ferri!


LASZLO - Á considero um expoente do espiritismo no Brasil e cuja amizade é para mim motivo de profunda honra.

ALEX - Laszlo, foi um prazer tê-lo conosco e sou muito grato pela sua amizade e carinho de sempre quando trocamos e-mails, obrigado por você sempre confiar em minha pequena pessoa!


LASZLO - Mais uma vez, agradeço muitíssimo essa valiosa oportunidade que você me ofereceu, a todos que lerem o livro “Ratinhos Brancos” convidamos a dar sua opinião ou traçar suas críticas, seja por e-mail - laszlojm@yahoo.com.br - ou via Facebook, onde em meu perfil há uma recém criada página do livro.

Que Deus nos abençoe a todos envolvendo-nos em sua misericórdia, Que nosso Mestre Jesus nos guie as mentes e corações!

Muita Luz e Paz!

15 de maio de 2012

95 - ALEX entrevista JOSÉ ANTONIO


Há exatamente 2 meses eu tomava um ônibus de São José dos Campos (São Paulo) rumo á Cambé (Paraná).
Lá eu tive o prazer de conhecer um espírita que é exemplo para muitos, é claro que não podia deixar de entrevistá-lo.
Fiquei hospedado na casa do paizinho Hugo Gonçalves, e quando achei que haviam acabado as tantas surpresas e momentos felizes vivenciados ali, eis que recebo a visita do nosso ilustre entrevistado.
Ele que já entrevistou tantos espíritas importantes quando eles passavam pela região, hoje é ele quem estará do outro lado do gravador.
Ele é médico, com especialidade em Terapia de Vidas Passadas, Florais de Bach, Medicina Tradicional Chinesa e Homeopatia.
Há quase 30 anos na Doutrina Espírita, fundou em 1994 "Belém - A Casa do Pão", hoje "Núcleo Espírita Hugo Gonçalves", em Londrina, cidade na qual ele reside.
Há mais de 20 anos dirige o programa radiofônico "Além da Vida".
É articulista do jornal "O Imortal" e da revista "O Consolador".
Escreveu o livro "Um Minuto com Chico Xavier".
Realiza palestras e seminários pelo país.
Ele é José Antonio Vieira de Paula.

Alex e José Antonio no jardim do Seu Hugo Gonçalves
ALEX - Olá doutor tudo bem? Como você se iniciou na Doutrina Espírita?

JOSÉ ANTONIO - Minha iniciação se deu de forma surpreendente. Como médico, praticamente recém-formado, eu dava plantão na Santa Casa de Misericórdia de Cambé, aqui no Paraná, e, certa madrugada fui chamado para atender uma jovem que havia tentado o suicídio, ingerindo várias medicações ao mesmo tempo. Ela não tinha mais que dezesseis anos. Cumpri toda a rotina de atendimento e, vendo-a fora de perigo, observei que ela apresentava as conjuntivas bastante amareladas, típicas de um problema de fígado, que dificilmente poderia ser pela intoxicação, que era muito recente. Então a internei em isolamento com suspeita de Hepatite.

Ela ficou uns quatro dias internada, e o que me incomodava era seu estado psíquico. Uma depressão profunda, sem brilho nos olhos, não conversava, sempre virada para a parede em posição fetal.

Após o terceiro dia de visita, sem alteração do quadro, saí para o almoço e passava em frente ao Lar Infantil Marília Barbosa e Centro Espírita Allan Kardec, quando o Sr. Hugo Gonçalves, já com uns setenta anos, estava saindo do recinto e me cumprimentou.

Desde quando eu ainda era estudante de medicina já ouvira falar dele, de seu trabalho e de sua espiritualidade. Há muito eu ansiava encontrá-lo.

Passamos a conversar e ele convidou-me para uma reunião que haveria à noite, de estudos, com um médico de Rolândia, cidade vizinha: Dr. Luiz Carlos Pedroso, há muito na pátria espiritual.

Fui. Ao término do maravilhoso encontro, onde a Doutrina foi-me apresentada com muita clareza, aquele grupo se dispersou e um pessoal muito simples, da periferia da cidade, começou a chegar para outro encontro. Hugo convidou-me a participar, dizendo que se tratava de uma reunião para atendimento espiritual e que seu quisesse interceder por alguém, poderia. Tomei de um livro sobre a mesa e anotei o nome da jovem internada na Santa Casa.

A reunião começou e logo uma das senhoras mostrou-se envolvida por alguém, um espírito feminino, que dizia estar atormentada , sentindo cheiro de velório e de velas e que não conseguia entender nada do que ocorria. Após alguns minutos de conversa, foi perceber que havia tido um infarto fulminante que se dera há mais de quatro anos. Saiu dali confortada.

Qual não foi minha surpresa, no outro dia, ao passar a visita médica na Santa Casa e deparar-me com a jovem suicida sentada, com um sorriso no rosto, aguardando-me para conversar. Foi então que ela me contou que já era a quarta tentativa de suicídio, e que tudo começou após a morte de sua mãe, há mais de quatro anos, por um infarto, desde quando passou a sentir-se estranha, depressiva, só pensando na morte e sentindo cheiro de velas e velório...

ALEX - ...Sem comentários doutor! E falando em hospital, médico...Qual é a sua especialidade na medicina? O que ela pode auxiliar espiritualmente em seu pacientes?

JOSÉ ANTONIO - Desde poucos anos de formado, fui atraído para o lado do sofrimento humano. Minha primeira especialidade foi Terapia Regressiva a Vivências Passadas, curso que fiz sob a orientação da Dra. Maria Júlia Pietro Peres de São Paulo, que durou uns dois anos. Quando tive a oportunidade de conhecer Dr. Morris Netherton, um dos responsáveis por transformar a regressão de memória em uma técnica terapêutica com excelentes resultados. Trabalhei uns sete anos com essa técnica.

Depois conheci os florais de Edward Bach, que até hoje têm me ajudado a aliviar os sofrimentos humanos. Trabalho na Universidade Estadual de Londrina há vinte anos e ali, eles têm me sido muito úteis. Entre a Universidade e a minha clínica, já tenho mais de vinte mil pacientes atendidos com esse procedimento terapêutico.

Depois, em 1998, especializei-me na Medicina Tradicional Chinesa, hoje apenas fazendo acupuntura auricular para dores em geral.

Atualmente, acrescentei ao meu currículo a Homeopatia, ciência que muito tem me ajudado a tratar as doenças crônicas e também as emoções enfermas. Participo como monitor de ambulatório e professor assistente no Curso de Especialização de Homeopatia de Londrina (CEHL).

ALEX - Que interessante doutor! e como é ser amigo de Hugo Gonçalves?

JOSÉ ANTONIO - É não ficar parado nunca e sempre poder contar com seu amparo espiritual nas horas mais difíceis de nossas vidas.

Digo não ficar parado, porque Hugo está sempre estimulando-nos ao trabalho na Seara do Cristo, através da doutrina consoladora dos espíritos.

Entrei na Casa Espírita, como lhe disse, em setembro de 1983. Em abril de 1987, já estava fazendo minha primeira palestra, por seu empenho. Há mais de vinte anos, pediu-me para dirigir um programa de rádio, em Londrina, que até hoje vai ao ar, com duração de uma hora, pela Rádio Londrina, todos os domingos de manhã. Tem o nome "Além da Vida"...

ALEX - Eu o ouvi algumas vezes pelo site da rádio, é muito bom!

JOSÉ ANTONIO - Há mais de vinte e cinco anos ele pediu-me para colaborar no jornal de sua responsabilidade, "O Imortal", onde até hoje tenho uma coluna, "Histórias que nos ensinam", e de onde saiu um livro "Um Minuto com Chico Xavier", que era o nome de uma de minhas colunas por muitos anos, onde apresentava fatos da vida do Médium Mineiro.

Através de Hugo, pude conhecer as figuras mais importantes do Espiritismo em todo esse tempo, grandes divulgadores do Espiritismo, que muito me ajudaram no meu desenvolvimento espiritual e na minha conduta como espírita praticante.

ALEX - Através desta amizade, você pôde conhecer na intimidade o médium Divaldo Pereira Franco, Raul Teixeira...dentre outros, pois tantos passaram por aqui na casa do paizinho, assim como também José Soares Cardoso, Eurícledes Formiga...Como era isso e o que isto significa pra você?

JOSÉ ANTONIO - Conhecer trabalhadores Espíritas com anos de estrada, quando você está apenas começando, é como receber um norte para sua caminhada dentro da Seara Cristã. A abnegação de Divaldo, bem como suas palestras; a seriedade e preocupação com a pureza doutrinária, de Heloísa Pires e Raul Teixeira; a Humildade e a Caridade constante, na vida de Chico a quem também tive a oportunidade de visitar e ouvi-lo dizer da importância de Hugo Gonçalves para o Espiritismo do Brasil, além de dizer que lia "O Imortal".

Eurícledes Formiga, não conheci pessoalmente, mas ouvi palestras suas gravadas que Hugo guardava com carinho. José Soares Cardoso transformava as mensagens cristãs em hinos poéticos...

Inegavelmente, conhecer a todos esses excepcionais trabalhadores cristãos, cada um com sua característica, é como receber de Jesus os Talentos para serem multiplicados. Só me sustentaram na estrada que tenho percorrida, junto de minha esposa, em prol da divulgação da Doutrina dos Espíritos.

ALEX - Você entrevistou o Divaldo várias vezes, não foi? Ele dormia aqui? Lembra-se de algo especial que vocês viveram nesta casa?

JOSÉ ANTONIO - Na verdade, desde que comecei a frequentar a Casa Espírita, não me lembro de Divaldo pernoitar na residência de Hugo, creio que isso ocorreu mais no começo de suas atividades, quando passava por aqui.

Toda vez que por aqui passava, Hugo pedia que eu o entrevistasse para "O Imortal", ele se sentava bem aí onde você está. E pedia também que eu o apresentasse nas suas conferências, que se dava no Clube Harmonia, de nossa cidade.

Ao lado de Divaldo é difícil você não viver algo sublime.

Em 1998, no meio do ano, fui acometido de um infarto leve, que me levou a viver dias bastante inseguros, mas que enfrentamos apenas no ambiente doméstico, sem que ninguém mais ficasse sabendo. Como não houve intervenção cirúrgica, minha família manteve-se em silêncio. No final daquele ano, Divaldo veio para uma conferência aqui em Cambé, e quando almoçávamos aqui na casa de Hugo e Dulce, sua fiel companheira, esposa e amiga, algo muito significativo ocorreu. Almoçávamos em mais de sessenta pessoas, em uma mesa que foi preparada na forma de um “U”. Hugo, Divaldo e mais alguém da Federação Paranaense ocupavam a cabeceira. Eu estava bem na ponta, conversando com Astolfo, atual diretor de "O Imortal" e um dos coordenadores da revista eletrônica http://www.oconsolador.com.br/, de apresentação semanal, quando subitamente senti duas mãos sobre meus ombros. Olhei para trás e deparei-me com Divaldo, que já havia terminado seu almoço, sem que percebêssemos.

Ele cumprimentou-me e disse-me: "Meu caro Dr. Antônio, o espírito Cairbar Schutell acabou de passar por aqui e pediu-me que lhe um felicitasse. Disse-me que você passou por um problema cardíaco há alguns meses e que era para terminar com sua desencarnação poucos meses depois, mas que você ganhou uma moratória, e isso, devido ao seu esforço sincero em se melhorar". Virou-se e foi embora, sem mais nenhum comentário.

ALEX - E aquela história que você comentou sobre ter ido á Santo André e ele ter-lhe chamado de longe?

JOSÉ ANTONIO - Há dezoito anos, no mês de março de 1994, inauguramos uma Instituição Espírita em frente a um bairro bem pobre da cidade de Londrina, com o nome de "Belém, A Casa do Pão". Hoje, Núcleo Espírita Hugo Gonçalves. Quando Divaldo estava completando cinquenta anos de Mediunidade, houve uma grande confraternização na cidade de Santo André, em São Paulo, onde todo ano há um encontro com ele, a favor da mansão do caminho, encontro coordenado pelos também grandes trabalhadores, Miguel de Jesus Sardano e sua esposa, Dona Terezinha, a quem temos o prazer de privar da amizade.

Naquela época, nosso núcleo estava sendo testado espiritualmente e os trabalhadores mais sensíveis começaram a se melindrar, assumindo comportamentos que dividiam o grupo, foi muito difícil. E, na viagem para lá, com minha esposa, no caminho decidi: Vou deixar a Casa do Pão, será melhor para todos (sempre fui um dos dirigentes). Minha esposa achou prematuro, mas não discordou. Paramos em Itapetininga, cidade de minha família, onde nasci. Minha esposa ficou lá e meu irmão Ivan, também espírita dedicado, me levou.

Quando chegamos, aproximadamente ás 15 horas, havia dois auditórios, um para mais de mil pessoas, onde muita gente aguardava para a conferência que seria às 18 h, e outro menor, para umas trezentas pessoas, onde Divaldo autografava. Todos aguardavam sentados. Terminava um autógrafo, o próximo se levantava. Quando adentrei o recinto, com meu irmão, após cumprimentar Dona Terezinha e Miguel, vi que Divaldo olhava em minha direção. Em seguida, me acenou para que me aproximasse. Aproximei-me e, após os cumprimentos, perguntou-me porque eu estava tão longe de casa. E disse-lhe que era para participar daquele acontecimento importante em sua vida. Então, falou-me algo que me impressionou: "Meu caro doutor, pergunto isso porque, há dois dias, em Salvador, o espírito Cairbar Schutel me procurou pedindo que lhe desse um recado. E eu fiquei incomodado porque, como iria dar-lhe um recado, eu aqui na Bahia e você lá no Paraná? E agora, vejo-o aqui em minha frente. Ele pediu-me para dizer-lhe para não deixar aquela Casa do bairro onde vocês dão assistência. Disse que os problemas todos são de ordem espiritual e que eles vão resolver pelo lado de lá."

Olhei, indignado, para Divaldo, e falei: "Mas Divaldo, eu tomei essa decisão hoje!" Antes nem me passava pela cabeça. E ele veio dar o recado há dois dias?!?...

Livro do dr.José Antonio
ALEX - É a Espiritualidade com seus feitos não é doutor (risos)! Emocionante suas experiências com o nosso "Semeador de Estrelas". E com o nosso "Cisco", você teve “Um minuto com Chico Xavier” também? Ou dois, ou três, ou quatro...?(risos)


JOSÉ ANTONIO - Por mais de dez anos, sentindo que os casos sobre a vida de Chico nos ajudavam a elevar as vibrações, passei a transferi-los para o jornal O Imortal, com esse nome na coluna: Um Minuto com Chico Xavier. Havia percebido que um minuto ao lado do médium mineiro, fiel representante de Jesus e Kardec nas terras brasileiras, geravam luzes para muito tempo em nossas vidas.

Quando pensei em transformar em livro, essa coluna, juntei histórias de sua vida que muito me marcaram e acrescentei algumas inéditas, principalmente porque havia conhecido Dona Iracy Karpati, paulistana, e amiga pessoal do Chico, que as contou. E graças a ela, tive um dia de sábado, em Uberaba, sonhado por todos os Espíritas atuantes. Tendo sido apresentado por ela a seu filho Eurípedes, durante a peregrinação da tarde, em bairro carente da cidade, onde Chico e seu grupo levavam o Evangelho e o conforto assistencial para inúmeras famílias, o Evangelho era aberto pelo próprio Chico, lido por seu filho e quatro ou cinco pessoas comentavam três minutinhos. Fui convidado por Eurípedes para o comentário. À noite, após todos os trabalhos, também consentiram, na companhia de Dona Iracy, de adentrar a casa dele, para cumprimentá-lo. Foi ali que eu o ouvi falar de Hugo. Dona Iracy me apresentou dizendo: Chico, este é o Dr. José Antônio, de Cambé, no Paraná. Chico respondeu: Do Imortal, do Hugo. Grande trabalhador do Cristo é Hugo.

ALEX - Fale um pouco para nós sobre esta sua obra literária.


JOSÉ ANTONIO - "Um minuto com Chico Xavier" foi o único livro que escrevi. Os demais trabalhos são pelo jornal "O Imortal", pela rádio e pela TV, onde participei por vários anos na cidade de Londrina.

ALEX - Fale um pouco sobre a sua participação em “O Imortal”, “O Consolador” e outros periódicos.

JOSÉ ANTONIO - Nesses vinte seis anos de jornal, iniciei com uma coluna chamada 'Em Poucas Palavras', que mantive por muitos anos. Depois, acrescentei o 'Um Minuto com Chico', em seguida, 'Estudando Kardec', mais adiante, 'Nos Passos do Evangelho', além das entrevistas que fiz por muitos anos. Hoje, sou responsável apenas coluna 'Histórias que nos Ensinam'.

Atualmente, a pedido do Astolfo, iniciei 'Um Minuto com Chico' na revista eletrônica semanal www.oconsolador.com.br .

ALEX - Falando agora de Jerônimo Mendonça, em seu depoimento enviado á nossa obra literária que estamos elaborando, você narra que Jerônimo em desdobramento, foi até o Umbral e entoou aquela música "Pica-Pau" aos espíritos que saiam da lama enquanto ele cantava, e que seu guia espiritual lhe disse: “Os soldados conhecem a voz do seu general”! Seria isto das encarnações anteriores que Célia relata em seu “Asas da Liberdade”?

JOSÉ ANTONIO - Essa história, que ele mesmo nos contou, marcou muito, pela profundidade dos ensinamentos. Ele disse ter-se percebido fora do corpo, durante um desdobramento espiritual, sendo convidado, por seu mentor, para um trabalho de resgate em zonas umbralinas. É do conhecimento da maioria que, encarnado, Jerônimo era cego, mas, o espírito, livre do corpo é também livre de seus obstáculos.

Na beira de um lago lamacento, em região obscura do umbral, percebeu que espíritos enfermos ali se encontravam, como que naufragados, e que colocavam sua cabeça para fora, gemendo, pedindo ajuda. Nessa hora, seu mentor pediu-lhe que cantasse. Ele, sem entender o porquê, começou a cantar a primeira música que veio em sua mente, que era um tipo de marchinha que sua mãe cantava para si, mas que, curiosamente falava do 'Pica-pau', o general da floresta. Indagou de seu mentor a intenção de sua cantoria e foi informado de que muitos daqueles que ali estavam reconheceriam sua voz, pois fora seu líder no passado.

Quanto a serem eles da época narrada no livro, não posso afirmar. Nós já vivemos muitas vidas. Nessa obra ele afirma ter sido Cambises II, um líder guerreiro, filho de Ciro, Imperador da Pérsia. É possível...

José Antonio e Alex em frente ao C.E. Allan Kardec em Cambé
ALEX - Você tem experiências com ele pós-túmulo?

JOSÉ ANTONIO - Sempre que pensamos espontaneamente nele, em horas importantes de nossas vidas, seja durante trabalho, ou mesmo em nosso consultório, queremos acreditar que ele esteja presente.

ALEX - E quando encarnado, ele cantava com você?

JOSÉ ANTONIO - Ele cantava sempre... Sempre muito alegre. Não deixava ninguém perceber que era doente fisicamente (tetraplégico, cardíaco, cego,...). Até porque, era muito saudável espiritualmente. Dizia-nos: Não entendo porque vocês falam em tirar férias... Há tanto trabalho por fazer!

ALEX - E no velório dele, você esteve por lá?

JOSÉ ANTONIO - Não. Fui surpreendido com a notícia de sua desencarnação. Senti muito por não poder mais encontrá-lo encarnado nesta existência, pois ele nos impulsionava, naturalmente, ao otimismo.

ALEX - E ainda nos impulsiona, "que beleza"! E em Londrina, você realiza um trabalho maravilhoso que é a "Casa do Pão - Belém", já citada nesta entrevista. Fale um pouco para nós sobre como se iniciou este labor e como se encontra hoje?

JOSÉ ANTONIO - “Belém, A Casa do Pão” surgiu de uma visita que fizemos em Sacramento, para conhecer os trabalhos de Eurípedes Barsanulfo. Lá conhecemos um empresário de São Paulo que havia fundado a primeira instituição com esse nome com o objetivo de levar o Espiritismo a assistência social à periferia da cidade. Identificamos-nos imediatamente com essa idéia e a trouxemos para nossa região.

Ela é um foco de luz incrustado na Terra. Ali sorvemos as bênçãos que provêm do alto enquanto aprendemos a servir nossos irmãos mais necessitados.

Graças a Deus ela encontra-se profundamente vitalizada, em pleno trabalho.

José Antonio em palestra
ALEX - Chegando aqui em Cambé, só ouvi elogios quanto á sua oratória, qual o motivo de tanto sucesso em suas palestras?

JOSÉ ANTONIO - Não há motivos para tantos elogios. Na verdade, Hugo Gonçalves é o grande responsável pela formação de todos os oradores desta casa. Ele é o pilar que nos sustenta a todos. Se tenho sido feliz quando falo, é porque aprendi a considerar esse momento um trabalho que não nos pertence, mas, à espiritualidade maior. Nosso dever é estudarmos a Doutrina e o Evangelho de Jesus para sempre termos material para que eles, os benfeitores, distribuam através da intuição, da inspiração.

Na hora das palestras sinto-me como os apóstolos diante da multidão faminta, quando procuraram Jesus perguntando como alimentá-los. Jesus lhes perguntou: O que tendes? Responderam que poucos pães e alguns peixes. E Ele, nosso mestre, os multiplicou.

Então, mesmo que me sinta detentor de pouco conhecimento, nesses momentos confio muito em Jesus e nos benfeitores e sei que não faltará o alimento para os que ali compareceram.

ALEX - E para encerrar, vou pedir á você encarecidamente que deixe uma mensagem aos nossos leitores. Aproveito também para lhe agradecer a visita, pois muito me agradou que você tenha vindo conhecer-me, pois esperava muito por isso. É um grande prazer poder vê-lo pessoalmente, se caso você não viesse até aqui na casa do paizinho, eu daria um jeito de ir atrás de você (risos), pois não poderia ir embora de Cambé sem conhecê-lo. Até breve meu irmão, obrigado pelo livro, pela entrevista e pela amizade verdadeira que agora deixou de ser virtual (risos). Que Jesus lhe abençoe!

JOSÉ ANTONIO - Há alguns dias, perguntaram-me porque eu deixei de ser católico para me tornar espírita. Pensei um pouco e respondi: Eu gostava de ser católico, mas o era apenas dentro das Igrejas. Tinha muita dificuldade para trazer o Evangelho de Jesus para minha realidade. O mundo era o espinheiro que me sufocava os ideais superiores.

Quando conheci o Espiritismo, encontrei-me com pessoas que, como eu, estavam cansadas das ilusões do mundo e que buscavam, do fundo de sua alma, a luz maior para suas vidas. E, com a Doutrina dos Espíritos finalmente entendemos o que Jesus queria dizer quando falava que o reino de Deus estava dentro de nós.

Ou, como disse certa vez Chico Xavier: "O Espiritismo é um farol de luz que ilumina o caminho por onde devo trilhar, ao mesmo tempo em que clareia todas as imperfeições que carrego dentro de mim e das quais devo me libertar". Obrigado, Alex.

PARA VER OS ARTIGOS de JOSÉ ANTONIO VIEIRA de PAULA
Acesse o site da revista eletrônica "O CONSOLADOR" e encontre ali também
o site do jornal "O IMORTAL", é só clicar em www.oconsolador.com.br

28 de abril de 2012

94 - ALEX entrevista CÉLIA XAVIER de CAMARGO

Dia 29 de abril - Meu aniversário natalício.
Dia 29 de abril - Aniversário de 148 nos de "O Evangelho segundo o Espiritismo", que quando lançado, ganhou o nome de "Imitação do Evangelho". 

Em 1º maio completará 1 ano que estamos publicando entrevistas neste blog e chegamos hoje á 48ª entrevista, que é um presente de aniversário á minha pessoa, pois a nossa entrevistada de hoje é mais do que especial, sinto-me honrado e feliz por ter conhecido esta escritora que sempre admirei o seu trabalho pela sua seriedade e comprometimento com a Doutrina.
Em comemoração á tudo isso, queremos também presentear á todos!
Assim sendo, hoje fizemos a entrevista de uma forma diferente: juntamente da entrevista escrita - como postamos de costume - hoje brindamos o querido leitor que nos acompanha nestes 365 dias - chegando á mais de 24.000 visualizações - com a entrevista também em video, que foi realizada na residência do quase centenário Hugo Gonçalves, o paizinho de Cambé, no Paraná.

A nossa entrevistada de hoje é escritora e palestrante requisitada.
Nasceu na Gália em São Paulo e reside em Rolândia, no Paraná.
Casada com o grande espírita Joaquim Norberto de Camargo.
Filha de Urbano de Assis Xavier, o grande amigo de Schutel.
Articulista de "O Imortal" e de "O Consolador".
Colaboradora no Lar Infantil João Leão Pitta.
Trabalhadora na S.Espirita Maria de Nazaré.
Psicografa livros desde 1980.
Meimei, Jesus Gonçalves e León Tolstói são alguns dos espíritos que escrevem por seu intermédio.
Dentre suas preciosas obras destacam-se: "Perdoa!", "Aves sem Ninho", "Em Busca da Ilusão", "Asas da Liberdade", "Perante Deus", "Os Sinos Tocam", "Céu Azul", "De Volta ao Passado", "Mamãe, estou aqui!", "A Eterna Mensagem do Monte", "Mansão dos Lilases", "Leon Tolstói por Ele Mesmo", "Só o Amor Liberta", "Comunicação entre Dois Mundos" e dentre outros.

Nossa entrevistada de hoje é: CÉLIA XAVIER DE CAMARGO






ALEX – Oi Célia tudo bem?

CÉLIA – Tudo bem Alex.

ALEX – Você é filha de Urbano de Assis Xavier, um companheiro e discípulo de Cairbar Schutel. E pergunto assim pra você: Como é ser filha de Urbano e o que ele relatava pra você acerca do “Bandeirante do Espiritismo”?

CÉLIA – Olha Alex, meu pai desencarnou há muito tempo. Eu tinha 15 anos na época. Nós sabíamos do relacionamento dele com o seu Schutel por minha mãe, mas eu soube muito mais através do livro do Leopoldo Machado, “O Bandeirante do Espiritismo”. E depois também através do livro do Eduardo Carvalho de Monteiro, um pesquisador, que já desencarnou.
   Eu sei que eles foram muito amigos. Não sei se você sabe, mas meu pai teve problemas de mediunidade logo no começo. Ele era muito jovem quando ele veio da Bahia para o estado de São Paulo. Ele fez o curso de odontologia e ele tinha um irmão que morava em Araraquara, este meu tio disse-lhe que ali no estado de São Paulo era um lugar muito bom para ganhar dinheiro e pediu que ele fosse para lá. Ele foi para uma cidade bem pequenina, que era Santa Ernestina. E quando ele conheceu a minha mãe ele era muito novinho, ele tinha 24 anos nesta época e ela tinha 17. Eles namoraram, noivaram e casaram em 6 meses. Os dois eram muito católicos: ele era presidente da Congregação Mariana lá em Santa Ernestina e minha mãe era Filha de Maria. Eles se casaram e como a cidade era pequena, eles foram morar do lado da igreja. Só que ele começou á ficar “tomado” á noite e ninguém sabia o que estava acontecendo, minha mãe tinha 17 anos, não tinham noção nenhuma. Ele punha-se á gritar e á falar alto, como se estivesse fazendo uma palestra ou alguma coisa assim. E minha mãe dizia que vinha gente lá do final da rua para saber o que estava acontecendo com ele, por que ele estava fazendo aquela gritaria toda?

  E no fim estava correndo uma notícia lá que o dentista da cidade estava ficando louco. Eis que então um dos conhecidos dele lá de Santa Ernestina falou assim: “Olha Urbano, acho que só tem uma pessoa aqui da região que pode ajudar o senhor, que é o farmacêutico ali de Matão” -  era o Cairbar Shutel - E meu pai tomando as informações, um dia ao acabar de atender os pacientes dele , fechou o consultório e com minha mãe tomaram um ônibus e foram para lá.
  Conversaram com o seu Schutel e ele o tranqüilizou dizendo que ele não estava ficando maluco, que aquilo era uma coisa natural, que era da mediunidade. Então dessa maneira ele começou a trabalhar lá com o seu Schutel. Sempre foram muito amigos, tanto é que quando seu Schutel desencarnou foi pelo meu pai que ele se comunicou antes do caixão sair ali do velório.

  Até eu fiquei sabendo pelo seu Hugo - o Hugo Gonçalves conta uma história muito interessante - não sei se você já ouviu!
  Que quando o Schutel estava falando pelo meu pai, ele pediu a presença do médico dele, o médico que sempre o atendeu há muitos anos...

ALEX - O doutor Hudson...
CÉLIA – É...Ele o chamou e pediu-lhe que observasse qual coração era aquele. O médico constatou que o coração que batia não era o do meu pai, era o do seu Schutel. Isso foi uma coisa extraordinária porque o povo que estava ali não era espírita, grande parte não era, ali tinham pessoas da região inteira, pois o seu Schutel era uma pessoa muito conhecida, ele tinha sido o primeiro prefeito de Matão. Então foi uma prova muito interessante. Nós ficávamos sabendo das coisas que aconteciam com meu pai mais por terceiros.

Alex entrevistando Célia em Cambé, no Paraná
ALEX - Em 1980 você começou a psicografar. Como foi o seu primeiro contato com esta mediunidade? Como iniciou-se?

CÉLIA – Eu recebi uma mensagem pequena. Foi em um domingo e eu ouvi alguém falar-me “Vamos escrever alguma coisa?Pensei comigo “Mas, agora?”
   -  “Por que não, está tudo tranqüilo!”
   As crianças tinham ido ao cinema e o Joaquim estava assistindo um jogo na televisão.
   Eu fui para o meu quarto e escrevi uma mensagem curta: “Bendito sejas” - Nunca esqueço-me do nome - E o espírito deu-se o nome de Celso, mas eu nunca mais soube dele.

ALEX – E a mensagem você nunca á publicou?

CÉLIA – Não, não á publiquei e nem sei se eu a tenho mais. Pode até ser que eu tenha, porque eu guardo as coisas, mas nunca mais li a mensagem. Depois escrevi outras mensagens, histórias infantis, letras de música, poesias...E assim começou!

ALEX – E falando em primeiros contatos, como foram os seus diante de espíritos como León Tolstói, Paulo Hertz, temos o Marcelo também, o Eduardo...

CÉLIA – Eles são muito agradáveis e simpáticos. Esses: o Paulo Hertz, o Marcelo e o Eduardo fazem parte do grupo de jovens que trabalham na nossa casa, tem alguns que inclusive são ali mesmo da cidade de Rolândia que desencarnaram, como o Cézar Augusto Mellero – estou recebendo outro livro do Cézar Augusto agora, já é o terceiro dele – Tem o Irineuzinho, que não tem livros, mas que também aparece e fala-se dele nos livros.

ALEX – Ele é como se fosse um personagem...

CÉLIA – ...E que é ali de Rolândia...E outros também. Esses são os jovens e eles se comunicam nas reuniões. Já o León Tolstói ele é diferente (risos).

ALEX – Fico á imaginar...

CÉLIA – Eu estava terminando um livro do Erick – se eu não me engano era “Os Sinos Tocam” – E eu percebi ele chegar. Ao chegar - eu não vejo muito bem, não é sempre que eu vejo o espírito - eu mais o senti do que eu vi, a minha vidência é mais mental do que física. Eu não vejo assim como eu estou vendo você! Raramente acontece isso. E ele mandou uma mensagem dizendo que queria psicografar alguma coisa por meu intermédio, perguntou se eu aceitaria ou se haveria essa possibilidade. Mas eu fiquei preocupada, pois eu não conhecia nada de russo e não tinha ligação nenhuma com o país. Eu fiquei preocupada mesmo sempre ter gostado e lido os livros dele, aqueles psicografados pela Yvonne Pereira.Eu leio “Ressurreição e Vida”, é um dos livros mais lindos que tem na nossa bibliografia espírita...

ALEX – Nele fala do Zaqueu...conta em vários detalhes...

CÉLIA – Muito lindo! Aquele discípulo anônimo, eu cansei de fazer palestra com aquela história. Então, eu fiquei preocupada, com medo que eu tivesse que escrever sobre regionalismo russo e ele percebendo isso disse na mesma mensagem para eu não preocupar-me, porque ele tinha descoberto no meu passado uma reencarnação na Rússia e isso iria facilitar o nosso trabalho. Naquele dia mesmo para mostrar-me que não seria difícil, ele ditou a primeira historia do “Eterna Mensagem do Monte” que é “O Paralítico” e que eu acho uma história muito bonita. Então, daí por diante o relacionamento foi fluindo. E ele é muito terno, muito amorável, não tem aquela coisa de dar ordem “faça isso, faça aquilo”...

ALEX -  Não é difícil trabalhar com ele (risos)

CÉLIA - Não, é ótimo! Muito bom!

ALEX – E com o Jerônimo Mendonça, como que ele se apresentou na primeira vez pra você? 

CÉLIA – Olha! O Jerônimo, eu também já tinha lido muito sobre ele, mas a primeira vez que ouvi falar sobre uma possibilidade de ele escrever, foi um dia em que o seu Hugo falou-me isso.  Nós estávamos aqui no Centro Espírita Allan Kardec - eu e o Joaquim, meu esposo - e o seu Hugo falou que estava vendo o Jerônimo perto de mim e que não era a primeira vez. E que ele tinha impressão que o Jerônimo queria digitar alguma coisa por meu intermédio. Eu já me preocupei “Ai meu Deus, é um compromisso muito sério, uma responsabilidade muito grande”, mas demorou bastante, até que um dia ele apareceu e começou. Ele mandou uma mensagem antes e depois começou a escrever, mas há também um relacionamento muito bom com ele. Os espíritos bons não dão stress em nós, nem algo que possa causar um problema na mediunidade. Porque comigo se colocar muito medo já acaba, pronto!...

 ALEX - ...Já não trabalha mais!

CÉLIA - ...Eu não trabalho mais (risos).
   Eu não sou médium mecânica, eu sou intuitiva, quer dizer, eu ouço o que os espíritos falam – e nem ouço muito bem – então a coisa tem que funcionar direitinho.

ALEX – E enquanto você escrevia o “Asas da Liberdade”, este livro de autoria do Jerônimo, você via suas cenas?

CÉLIA – Via! Normalmente eu vejo as cenas, como eu vi também nos livros do Jesus Gonçalves...

ALEX – E você chegou alguma vez á ver cenas daquele livro do Conde de Rochester, “Romance de Uma Rainha”? Pois ali você comenta algumas coisas...

CÉLIA – Eu vi sim. É muito bonito e ao mesmo tempo é difícil.

ALEX – Tem umas partes bem cruéis da vida dele...

CÉLIA – É, mas aquelas partes mais cruéis eles não mostraram não! Mas tem momentos em que eu até paro de escrever, saio do meu escritório e naquele dia eu nem escrevo mais nada. Foi assim, por exemplo, no começo com o Jesus Gonçalves. Teve o livro “Aves sem Ninho” onde tinha imagens ali tão fortes, tão dolorosas e chocantes que eu tive que parar, eram imagens de guerra. Eu parava, depois eu voltava. No livro “Os Sinos Tocam” tem aquelas cenas da Noite de São Bartolomeu, e tem momentos que não há como nos segurar! É uma matança! Tem o rio ali que se tornou vermelho por causa do sangue...

ALEX – E este livro do Jerônimo durou quanto tempo para vocês o escreverem?

CÉLIA – Uns dois anos e pouco.

ALEX – O livro foi escrito em 2008. E de lá pra cá o “Pássaro Livre” – como ele é chamado – tem se comunicado com você?

CÉLIA – Ás vezes sim, mas constantemente não!

ALEX – Poderemos ter outras obras por intermédio dele? Pois ficamos com vontade de mais, de um número dois (risos).

CÉLIA – Eles escrevem alguma coisa, depois dão uma pausa...No momento estou recebendo um outro livro do Erick. E é assim, de repente alguém volta e eu não sei, vai depender deles!

ALEX – E como foi aceita essa obra por aqueles que o conheceram pessoalmente, porque aqui na região vocês divulgam muito o Jerônimo, nós sentimos isso, por aqui ele é bem falado...Como foi essa resposta das pessoas?

CÉLIA – Acho que foi muito boa, pelo menos o que eu senti. As pessoas tem um carinho pelo Jerônimo, ele passou por aqui, fez palestras pela região.

ALEX – Você chegou a conhecê-lo?

CÉLIA – Sim, ele chegou á fazer palestras lá em Rolândia, em Arapongas, aqui em Cambé – assistimos uma palestra aqui no pátio do Lar Marília Barbosa – estava uma noite quente, ficou tudo aberto e foi ali fora, estava muito gostoso!

João Leão Pitta (1875 - 1957)
ALEX – Você também é colaboradora no Lar Infantil João Leão Pitta, que é um outro vulto do Espiritismo e que aqui também é bem lembrado por já ter passado por aqui!

CÉLIA – Ele foi muito amigo do meu pai, do seu Piccinin que era de Rolândia e já está desencarnado, do seu Hugo...

ALEX – No livro da Jane que se comenta bastante deles...

CÉLIA – Então, ele ia muito em casa, o seu Pitta. Eu era criança e sentava no colo dele, ele com aquela barba...pra nós ele era o papai Noel (risos). Eu o adorava, ele estava sempre de terno com um colete - antigamente o pessoal era muito elegante - eu achava lindo ele ter aquele relógio de bolso com corrente. Nossa! Lembro muito bem dele!

ALEX – No Lar Infantil João Leão Pitta, como é desenvolvido o trabalho de vocês com as crianças?

CÉLIA – Lá eu sou tesoureira, o presidente que já está na segunda gestão é o Joaquim. É um trabalho que tem uma coordenadora, o Joaquim que está mais á frente disso, nós temos atualmente 120 crianças. Antigamente era regime de creche, hoje é centro de educação, uma escola mesmo, as crianças ficam lá enquanto suas mães trabalham. Hoje as creches se transformaram em centros de educação.

ALEX – Eram internos...

CÉLIA – Existiam os internatos, como no caso aqui do Marília Barbosa, mas no João Leão Pitta sempre foi uma creche.  

ALEX – E falando em crianças, você é conhecida como Tia Célia por todas elas. E sabemos que você já escreveu - desculpe se eu estiver errado - mais de 2.000 histórias infantis?

CÉLIA – Não! São 200 histórias...

ALEX – Mas já são muitas também...

CÉLIA – Devo ter umas 300 e tantas...

ALEX – E você também ás recebe da Meimei, eu estive vendo no “O Imortal”...

CÉLIA – Na verdade Alex, eu sempre senti a presença desde o começo de uma moça, e ela que ditava-me as histórias, e eu escrevia. Só que no primeiro dia, ao escrever a história no papel, eu perguntei quem iria assinar e ela disse seu nome, aí eu falei “Ah! Não faz isso comigo!” (risos) Porque o Chico estava encarnado, a Meimei só escrevia pelo Chico...Eu falei “Não dá! Como eu vou colocar o nome “Meimei”? Ela disse “O nome não tem importância alguma, coloque qualquer um! Coloque o seu nome mesmo!”. Então eu coloquei “Tia Célia” por que para mim ela parecia ser uma outra entidade, uma outra pessoa...

ALEX - ...Era um pseudônimo! (risos) E você comentou sobre Chico Xavier, você chegou a conhecê-lo pessoalmente?

CÉLIA -  Sim, nós estivemos algumas vezes lá! O Chico é sempre uma referência em tudo, por termos conhecido ele e estarmos lá quando ele estava escrevendo ainda no pleno gozo das faculdades dele. Depois ele estava mais doentinho, mais debilitado...Eu achava até uma pena! Porque o pessoal corria lá, mas ele não tinha mais condições, e daí já não fomos mais!

ALEX – Tem um livro seu que eu até o trouxe para você autografá-lo, eu o possuo desde 1998, quando eu ainda nem era espírita e vou fazer uma pergunta ‘em cima’ do que eu senti quando o li, que é o “Mamãe, estou aqui!”. Eu adorei este livro mesmo não sendo espírita, porque ali você consola quem têm seus filhos desencarnados em tenra idade...Você poderia-nos dizer alguma coisa com respeito á essas crianças que desencarnam em tenra idade?

CÉLIA – Com certeza, eu acho que a coisa mais dolorosa é o fato dos pais “perderem” uma criança, um filho, ainda mais assim pequenos. E talvez é a dor maior que existe. E o Marcelo teve uma delicadeza em trazer as histórias das crianças, pois elas também freqüentam a nossa casa, assim como freqüentam outros centros. Elas vão e se comunicam, sempre que tem reuniões em determinados dias da semana elas comparecem e sentimos a presença delas. Na ocasião em que eles visitam as famílias, muitas delas são da região. Esse livro causou um certo impacto nos leitores, porque depois dele eu comecei á receber telefonemas de longe. Recebi certa vez um telefonema lá de Belém do Pará, de uma mãe que havia lido o livro e queria saber se era isso mesmo que acontecia. E eu falei “Lógico, pode ter certeza! Seu filho continua vivo” Isso aconteceu com muitas pessoas, que telefonavam e queriam saber, queriam até que eu recebesse mensagens. Eu falei “Olha! Não é a minha finalidade” Ás vezes até acontece de receber mensagens, mas é muito difícil.

ALEX – É que o livro já serviu de um consolo ali, eu emprestei o meu para várias e depois não voltou! (risos) Tive que comprar outro, por que é um livro bom!

CÉLIA – Ele aborda casos diversos, situações bem diferentes umas das outras e isso atinge o problema de cada um. Por isso que a Doutrina Espírita é consoladora por excelência!

ALEX – E para terminar eu gostaria de fazer uma pergunta utilizando-me do nome da casa em que você realiza seus trabalhos, pois eu achei interessante: Sociedade Espírita Maria de Nazaré.  Gostaria que você falasse um pouco sobre este carinho que o espírita pode ter também com a Nossa Mãe, a Mãe de Jesus, que o Chico tinha tanto carinho por ela: a Maria de Nazaré.

CÉLIA – A Maria de Nazaré é uma criatura de muita elevação e isso nós já percebemos desde o Evangelho, na passagem de Jesus aqui na Terra. Alguns dizem que em determinados momentos do Evangelho está demonstrado que ela não seguia Jesus, mas eu acho o contrário, acredito que ela até se “encolheu” um pouco, pois era o momento de Jesus, ela ali era só uma coadjuvante, porque o brilho total tinha de ser pra Ele. E Jesus é realmente o espírito mais elevado que nós podemos conhecer aqui na Terra. O nosso carinho por Maria é plenamente justificável. O que fez Jesus depois quando já estava na cruz, antes de morrer, dizendo “Eis tua mãe e eis o teu filho”, era para João ter aquele carinho por sua mãe e ela por ele, pois eles estavam precisando. O trabalho que eles continuaram depois lá em Éfeso, tudo isso foi muito importante. Naquele livro extraordinário da grande mulher Yvonne Pereira, “Memórias de um Suicida”, podemos ver que o Hospital Maria de Nazaré é dedicado aos suicidas, que são os maiores sofredores que existem. E quando nossa casa começou, o doutor Luiz Carlos Pedroso e a dona Luzita, que eram dois baluartes ali da cidade e que também estavam começando, eles resolveram fundar um centro. Havia um grupinho que eles já trabalhavam juntos, faziam o evangelho e naquela época era no Centro Espírita Emmanuel, que fica ali na Vila Oliveira, em Rolândia. E um deles viu, numa noite em que estavam fazendo uma reunião, uns cavaleiros chegando com aquele estandarte de Maria. E eles se emocionaram muito com isso e apartir daí eles deram o nome á casa de Sociedade Espírita Maria de Nazaré, em seguida eles constituíram realmente uma sociedade, criaram um estatuto e nós em todos os momentos percebemos que realmente ela está a nos ajudar.

Alex, Célia, Joaquim, Rogério Leite, Hugo Gonçalves e Marli Mansini.
ALEX – E antes de você deixar as suas considerações finais, eu quero agradecer pela entrevista e por vocês terem vindo até aqui. Agradeço de coração e estou muito honrado de vocês terem vindo, obrigado Célia.

CÉLIA – É um prazer estar aqui com você e falando sobre todas essas coisas. Eu gostaria de lhes dizer que a mediunidade é uma benção que Deus nos concede, mas como um compromisso de nós podermos realizar alguma coisa de bom e de útil á favor das pessoas. Nós sabemos que é um compromisso, porque reflete o nosso atraso, a necessidade que nós temos de reparar os danos que nós cometemos no passado. Geralmente – Emmanuel mesmo diz isso – os médiuns não são privilegiados, eles são os mais necessitados, porque são os mais devedores. Quando nós precisamos ajudar muitas pessoas, com a mediunidade é a forma de nós fazermos isso. Por que como é que nós faríamos isso na nossa casa? Recebendo dois, três espíritos, cinco, dez?...Dez espíritos para quem deve muito não significa nada! É pouco demais! E com a mediunidade temos a oportunidade de alcançar um amplitude maior de uma forma até anônima. Nós fazemos isso nas câmaras de passes, quando nos doamos sem que as pessoas saibam quem somos nós ou o que fazemos. Esse é o nosso trabalho e nós vamos “levando” até quando pudermos.


17 de abril de 2012

93 - ALEX entrevista MARCUS DE MÁRIO

Nosso entrevistado de hoje sempre lutou pela unificação espírita.
Aos 22 anos, em 1977, ele mudou para o Rio de Janeiro, onde participou da fundação da Instituição Espírita Pedro de Camargo e iniciou o seu trabalho como escritor e educador.
Ele viaja pelo Brasil todo realizando palestras, treinamentos e seminários.
Foi Assessor de Comunicação Social Espírita da USEERJ (União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro).
É diretor e criador do IBEM (Instituto Brasileiro de Educação Moral) onde desenvolve vários projetos.
É intregrante do GEPE (Grupo de Estudo e Pesquisa Espírita).
Na Rádio Rio de Janeiro ele é produtor e apresentador do Programa "Destaque na Imprensa Espírita".
Junto com outros amigos do IBEM, ele organizou e foi um dos palestrantes do 1º Seminário "Novo Rumo para a Educação", realizado em Serra Negra-SP, no dia 10 de março de 2012, onde estiveram os oradores Cleide Arantes, Ronaldo Gomes e José Pacheco (da Escola da Ponte, de Portugal).
O nosso entrevistado também fez sua preleção no evento e seu nome é MARCUS de MÁRIO.

ALEX - Olá Marcus, tudo bem? Como você iniciou-se na Doutrina Espirita?

MARCUS - Iniciei ainda pequeno, no início da adolescência, pois meus pais eram espíritas e começaram a me levar para o Centro Espírita, onde tomava o passe, lia os livros e ouvia as palestras públicas. A convivência com pessoas espíritas que frequentavam nossa casa era normal, assim posso dizer que o Espiritismo entrou na minha vida já desde o nascimento, ou antes, como aprendemos com a doutrina, crescendo em mim de forma bem natural. Tudo isso ali pelo final da década de 1960, na cidade de São Paulo, frequentando a Associação Espírita Jacob, no bairro do Tatuapé.

ALEX - Qual a sua ligação com as federações espíritas?

MARCUS - Vivendo em São Paulo, onde naci, minha ligação sempre foi com a USE - União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Depois, com 22 anos, transferindo residência para a cidade do Rio de Janeiro, sempre trabalhei ligado ao CEERJ - Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro.

ALEX - Fale um pouco sobre os seus livros.

MARCUS - Tenho cinco livros publicados: É Preciso Amar (estudos do evangelho); Visão Espírita da Educação (educacional); Espiritismo e Cultura (estudos); Vida e Felicidade (auto-ajuda) e Além das Aparências (contos). Ainda este ano serão publicados: O Homem de Bem (estudo do evangelho) e Pedagogia da Sensibilidade (educacional).

ALEX - Agora nas perguntas seguintes, irei utilizar-me de temas de algumas de suas palestras, pode ser?

MARCUS - Vamos lá!

ALEX - Para ser feliz, somente vivendo o Amor?

MARCUS - Sim, com certeza. é o que aprendemos no estudo do Espiritismo e com as mensagens dos Benfeitores Espirituais. Por isso Jesus resumiu tudo no "amai-vos uns aos outros", pois Deus é amor, tudo está vivificado no amor, o maior dos sentimentos. Estamos reencarnados para continuar a aprendizagem do amor, que nos leva à auto-iluminação e à prática da caridade, deixando nossa consciência em paz, e portanto, fazendo com que alcancemos a felicidade.

ALEX - E para crescer interiormente, é necessário ter autoconhecimento?

MARCUS - É o único caminho asseverado em todas as obras da codificação espírita, e que está magistralmente estudado por Allan Kardec e os Espíritos Superiores na questão 919 de 'O Livro dos Espíritos', quando da abordagem do "conhece-te a ti mesmo". na verdade ninguém pode nos ensinar, pois o processo de aprendizagem é íntimo. Recebemos estímulos, mas somente o indivíduo pode acionar seu potencial interior, pode querer.

Marcus em palestra
ALEX - O Essencial é invisivel aos olhos?

MARCUS - Sim, pois a matéria não é essencial. A alma é essencial. Valores e virtudes são essenciais. Nada disso pode ser visto pelos olhos do corpo, ou tocado pelas mãos, ou sentido pela pele. Tomo o tema emprestado ao Pequeno Príncipe, essa obra maravilhosa de Saint-Exupéry. Ainda estamos fazendo muito a viagem exterior: comprar, ter, acumular, quando precisamos fazer a viagem interior: conhecer-se como alma imortal.

ALEX - "Provações: por que comigo?"

MARCUS - Porque ainda estamos num mundo de expiações e provas e nada acontece por acaso. Tudo está em harmonia com a lei de causa e efeito, lembrando que existem duas causas para nossas aflições: as causas atuais, por conta da nossa imprevidência, orgulho, etc; e as causas anteriores, por conta do que fizemos em existências passadas. Não adianta ficar se queixando de Deus ou seja de quem for. Precisamos reconhecer que tudo o que nos acontece tem uma causa justa, e de tudo podemos tirar valiosas lições. Lembremos o que disse Jesus: "a cada um é dado segundo suas obras".

ALEX - Como entender os transtornos mentais?

MARCUS - Como desequilíbrios da alma refletidos na atual encarnação. As causas são diversas, mas é a alma, ou Espírito, que está doente, está em desequilíbrio. Naturalmente esse desequilíbrio pode ser agravado por processos obsessivos e traumas vividos nesta existência, mas a cura, que pode levar muito tempo, só acontecerá se atingirmos a alma, por isso os chamados tratamentos espirituais, com a dinâmica do passe, da água fluidificada, do atendimento fraterno, da desobsessão e da prática da caridade são muito importantes.

ALEX - E como aplicar a pedagogia da sensibilidade?

MARCUS - Deve o educador, antes de tudo, aplicar-se a a sentir a si mesmo e o outro. Deve humanizar-se para poder humanizar. Deve educar-se para verdadeiramente educar. A Pedagogia da Sensibilidade é desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Educação Moral - IBEM, organização educacional sem fins lucrativos, do qual sou Fundador e Diretor. Recomendo a todos acessarem www.educacaomoral.org.br, para conhecer essa proposta pedagógica que visa equilibrar desenvolvimento cognito com desenvolvimento afetivo, renovando o olhar sobre a educação e as práticas pedagógicas, pois o fundamento é a aplicação do amor.

ALEX - Comente um pouco sobre "Familia, um espaço de convivência".

"Além das Aparências"
MARCUS - Tema fascinante e profundo. Sou muito requisitado para falar sobre ele, aliás já tenho um livro a ser publicado onde desenvolvo o conteúdo abordado nas palestras e seminários. Faço uma abordagem que traz a história da formação da família através dos tempos humanos, da idade primitiva até os dias atuais, pontuando sua elaboração, seus problemas, sempre através da ótica espírita, destacando ao final a chamada família ideal e como consegui-la, através desse espaço privilegiado de convivência que é a família, onde nos reencontramos, pois os laços que nos unem são eternos.

ALEX - E para melhor educar os filhos diante dos desafios do mundo?

MARCUS - Só escrevendo um livro para responder, mas ele está a caminho. Importante é ler o capítulo final de A Gênese, onde Allan Kardec trata dos sinais dos tempos e das novas gerações. E, claro, várias questyões de O Livro dos Espíritos que tratam da educação das crianças. Importante é doar amor, ter paciência, distribuir tarefas, dar responsabilidades, colocar limites, incutir a responsabilidade do cumprimento dos deveres. Em tudo, dar o próprio exemplo, pois não adianta falar, gritar, colocar de castigo, se fazemos o contrário do que exigimos dos filhos. Devem os pais manter diálogo aberto, construtivo, sabedores que trabalham a edificação moral da alma imortal, missão sagrada confiada por Deus a eles, e da qual terão de prestar contas.

ALEX - Na escola, onde existem conflitos, limites e indisciplinas. O que o professor deve fazer?

MARCUS - Deve ser o amigo dos seus educandos, o dialogador por excelência, procurando sempre dar o melhor exemplo, permitindo a participação deles no processo ensino-aprendizagem. Se tiver amor ao que faz e àqueles que estão com ele em caminho, será ponte para resolução dos conflitos naturais da conviência humana na infância e na adolescência.

Marcus de Mário na Rádio Rio de Janeiro (á direita)
ALEX - Agora um rápido Pinga-Fogo contigo:

- Educação - Amor.
- Escola - Sentimento.
- Livros - O Livro dos Espíritos.
- Chico - Exemplo.
- Kardec - Gratuidão.
- Jesus - Mestre.
- Deus - Pai.

ALEX - Marcus, grande educador, obrigado pela entrevista e parabéns pelos projetos que desenvolve, que Jesus lhe abençoe cada vez mais!

MARCUS - Agradeço a oportunidade e deixo aos leitores uma mensagem de paz e amor, lembrando que devemos, todos, nos unir, pois somos irmãos, filhos de Deus, procurando realizar todos os esforços para domar nossas más tendências e realizarmos as conquistas morais que nos levarão, mais cedo do que imaginamos, para a conquista da perfeição espiritual.


ENTREM no site www.almadolivro.com e www.marcusdemario.com.br